Última hora! Morreu Zé Filomeno, o diplomata do MpD que levou Cabo Verde mais longe no mundo

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Cabo Verde acorda em choque com a notícia do falecimento de José Filomeno de Carvalho Dias Monteiro, mais conhecido como José Filomeno Monteiro, diplomata de carreira, quadro histórico do MpD e, até há pouco tempo, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional

A sua morte encerra o percurso de uma das figuras mais marcantes da política externa Cabo-verdiana nas últimas décadas: um dirigente com forte identidade partidária, mas com um estilo discreto, de trato fino, respeitado muito para lá das fronteiras do seu Partido e do próprio País.

Do Parlamento ao MpD: um político com marca própria

Para além da diplomacia, José Filomeno fez caminho como Deputado do MpD na Assembleia Nacional, onde se destacou por intervenções firmes, duras quando necessário, mas sempre ancoradas no respeito pelas instituições.

Esse traço, firmeza sem histeria, combatividade sem ataque gratuito, acompanhou-o em toda a sua trajetória política. Para muitos militantes e simpatizantes do MpD, José Filomeno representava uma certa “escola” de fazer política: preparada, séria, com sentido de Estado e atenção ao lugar de Cabo Verde no mundo.

Um diplomata de carreira ao serviço de Cabo Verde

Foi, porém, na diplomacia que José Filomeno mais se distinguiu. Diplomata de carreira, assumiu funções de grande responsabilidade em nome de Cabo Verde.

Durante vários anos, foi Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário junto do Reino da Bélgica, Países Baixos, Hungria e União Europeia, com residência em Bruxelas, desempenhando um papel central na relação do País com o espaço Europeu e com instituições decisivas para o financiamento e o desenvolvimento de Pequenos Estados Insulares como Cabo Verde.

A partir dessa posição, ajudou a consolidar Cabo Verde como parceiro estável, confiável e respeitado, num tempo de grandes mudanças geopolíticas, crises sucessivas e necessidade de afirmar agendas específicas no debate internacional.

Chefe da diplomacia Cabo-verdiana

Em outubro de 2024, José Filomeno de Carvalho Dias Monteiro foi nomeado como Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional.

Com isso, o diplomata de carreira e antigo Embaixador assumiu, já num contexto internacional particularmente tenso, a chefia da diplomacia cCabo-verdiana, com a missão de:

  • reforçar as relações com os parceiros tradicionais;

  • abrir novas frentes com países emergentes e organizações internacionais;

  • posicionar Cabo Verde num mundo de múltiplas crises, onde a voz dos pequenos Estados só se faz ouvir com credibilidade, coerência e consistência estratégica.

Mais tarde, por razões de saúde, viria a deixar o cargo, sempre sob um clima público de respeito e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.

Estilo, carácter e legado

Quem o conheceu, em Cabo Verde e no exterior, descreve José Filomeno como um homem de trato fino, educado, de grande sobriedade, capaz de dialogar com Chefes de Estado, embaixadores ou cidadãos comuns com a mesma elegância e atenção.

A combinação rara de:

  • militante político do MpD,

  • parlamentar combativo,

  • diplomata de carreira respeitado nas capitais europeias,

  • e ministro com visão estratégica da política externa,

faz de José Filomeno uma figura difícil de substituir. O seu percurso mostra que é possível ser, ao mesmo tempo, homem de Partido e homem de Estado, colocando o interesse nacional acima de qualquer cálculo conjuntural.

Um País em luto, uma referência que fica

A notícia do seu falecimento cai sobre Cabo Verde como um choque – não apenas para o universo do MpD e da diplomacia, mas para todos os que, à esquerda e à direita, reconheciam em José Filomeno uma referência de seriedade, competência e sentido de dever.

Cabo Verde perde um dos seus rostos mais sólidos na cena internacional. Fica, porém, o legado:

  • o exemplo de rigor e discrição,

  • a defesa firme do nome de Cabo Verde nos fóruns internacionais,

  • a convicção de que um país pequeno, quando tem quadros como ele, pode ter voz grande no mundo.

À família, amigos, correligionários do MpD, colaboradores na diplomacia e na governação, fica a solidariedade e o pesar. Ao país, fica o desafio: honrar José Filomeno de Carvalho Dias Monteiro mantendo alto o nível da política externa e da vida pública que ele ajudou a dignificar.

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