O Movimento para a Democracia, MpD, celebrou 35 anos de existência, marcando um percurso que transformou o cenário político Cabo-verdiano e consolidou a democracia no Arquipélago
Para assinalar a data, o Partido reuniu militantes e figuras históricas para revisitar a sua trajetória, tendo como convidado principal o seu líder fundador, Carlos Veiga, que participou remotamente por videochamada, a partir de Lisboa.
Na sua alocução, Carlos Veiga relembrou os desafios e conquistas do Partido desde a sua fundação, destacando o contexto político em que o MpD surgiu. “Foi um momento crucial para Cabo Verde. O País vivia sob um sistema de Partido Único, e o desejo de mudança era latente. O MpD nasceu dessa necessidade, para dar voz à liberdade e abrir caminho para a democracia.”
O início da mudança
Criado em 1990, o MpD teve um papel determinante no processo de transição democrática do País. Em 1991, nas primeiras eleições multipartidárias, o Partido venceu e formou Governo, com Carlos Veiga como Primeiro-Ministro. Essa mudança marcou o início de reformas estruturais que modernizaram as instituições Cabo-verdianas.
“A vitória do MpD não foi apenas uma mudança de Governo. Foi uma mudança de regime, uma rutura com o passado e a inauguração de uma nova era, onde os cidadãos passaram a ter mais voz e direitos garantidos,” afirmou Veiga, sublinhando que a alternância no poder foi um passo fundamental para consolidar a democracia.
Durante a sua liderança, o governo do MpD promoveu reformas institucionais, apostou na liberalização da economia e fortaleceu a liberdade de imprensa. Veiga relembrou que essas mudanças não foram isentas de resistência: “Enfrentámos desafios enormes. Muitos não acreditavam que a transição seria pacífica, mas provámos que era possível mudar sem conflitos.”
O MpD e a Alternância Democrática
Ao longo dos últimos 35 anos, o MpD alternou entre o Poder e a Oposição, mantendo-se um dos principais protagonistas da política nacional. Veiga destacou que essa alternância é um sinal de maturidade democrática: “Nenhum Partido pode governar para sempre. O verdadeiro teste da democracia é quando um governo sai e outro entra sem instabilidade. Cabo Verde passou nesse teste com distinção”, frisou.
Questionado sobre os desafios atuais do Partido, Veiga reconheceu que os tempos mudaram e que o MpD precisa continuar a evoluir. “A política de hoje não é a mesma de 1991. As novas gerações têm outras preocupações e expetativas. O MpD tem que acompanhar essas mudanças e continuar a ser um Partido de soluções para os Cabo-verdianos.”
Legado e Futuro
Na sua intervenção, Carlos Veiga também refletiu sobre o seu percurso pessoal e o impacto da sua liderança na história do País. “Fizemos história juntos. O MpD não é um projeto de um homem só, mas de milhares de Cabo-verdianos que acreditaram na mudança. E essa mudança tem que continuar.”
Ao encerrar o seu discurso, num momento carregado de emoção, Veiga deixou uma mensagem clara sobre o futuro do Partido e do País: “O compromisso com Cabo Verde está acima de qualquer interesse partidário. O nosso dever é servir o País e garantir que a democracia, que tanto custou a construir, continue a ser um exemplo para África e para o mundo”.
Com 35 anos de existência, o MpD olha para o futuro com o desafio de renovar-se e continuar a ser uma peça-chave na construção de um Cabo Verde mais desenvolvido e inclusivo.



É sempre bom ouvir o Dr Carlos Veiga. Que o seu pensamento e os seus valores democráticos continuem a guiar-nos por muitos e muitos anos!
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