MpD acusa governo de Francisco Carvalho de falhar promessas no primeiro dia e alerta para riscos na governação

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Agora na oposição, o MpD considerou que o governo do PAICV iniciou funções em contradição com compromissos eleitorais assumidos durante a campanha, apontando críticas à dimensão do executivo, à reduzida representação feminina e ao perfil de algumas figuras governativas

O maior partido da oposição manifestou ainda reservas quanto à acumulação, pelo primeiro-ministro, da pasta das Finanças.

Em comunicado divulgado esta manhã, através do seu secretário-geral, o MpD reagiu à posse do novo governo suportado pelo PAICV, afirmando que o executivo liderado por Francisco Carvalho começa o mandato sem cumprir algumas das promessas que marcaram a campanha eleitoral. Antes, no entanto, o MpD desejou sucesso à nova equipa governativa, sublinhando que exercerá uma oposição “séria, firme e responsável”, mas não deixou de apontar o que considera serem incoerências entre o discurso eleitoral e a composição do executivo.

A principal crítica incide sobre a dimensão do governo. Segundo o MpD, o PAICV havia defendido um executivo mais reduzido, composto por um primeiro-ministro, 11 ministros e dois secretários de Estado. No entanto, o governo empossado ontem, integra 15 ministros e três secretários de Estado, totalizando 18 membros.

Para os democratas, esta opção compromete desde logo a promessa de redução da estrutura governativa e do que o partido designa por “gorduras do Estado”, uma das bandeiras apresentadas pelo PAICV durante a campanha.

Outra das críticas prende-se com a representação feminina. O MpD recorda que a igualdade de género foi frequentemente apresentada pelo PAICV como uma prioridade política e um critério de avaliação da governação anterior. Contudo, sustenta que o novo executivo apresenta a menor participação feminina de que há registo em governos da era democrática, contando apenas com duas ministras e uma secretária de Estado entre os 18 membros.

O partido manifesta igualmente preocupação com a presença no governo de figuras que, no passado recente, se destacaram por intervenções políticas consideradas agressivas e virulentas. O MpD espera que o exercício de funções governativas imponha maior moderação e contenção no discurso público, defendendo que o país precisa de estabilidade, serenidade e foco na concretização das promessas eleitorais, e não de um ambiente de permanente crispação política.

No comunicado, os democratas afirmam que a governação deve privilegiar soluções para os problemas dos cabo-verdianos, alertando que discursos excessivamente de confrontos podem desencorajar a participação dos cidadãos na vida política nacional.

O MpD manifesta ainda reservas relativamente à decisão de Francisco Carvalho acumular as funções de primeiro-ministro com a tutela das Finanças. Na perspetiva do partido, trata-se de uma opção de elevado risco, tendo em conta a complexidade técnica e a importância estratégica daquele ministério para a estabilidade macroeconómica, a confiança dos investidores, a gestão das finanças públicas e o relacionamento com os parceiros internacionais.

Para o maior partido da oposição, a coordenação de toda a ação governativa e a condução da política financeira do Estado são responsabilidades de grande exigência, cuja acumulação poderá comprometer o desempenho de uma área considerada vital para o país.

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