Posição do partido surgiu esta quarta-feira, em comunicado, assinado pelo secretário-geral, Agostinho Lopes
O MpD manifestou hoje “preocupação e estupefacção” perante notícias divulgadas pelo jornal digital Santiago Magazine, segundo as quais o PAICV terá pedido a substituição imediata de agentes da Polícia Nacional responsáveis pela segurança de Francisco Carvalho.
Em comunicado assinado pelo secretário-geral Agostinho Lopes, o partido considera as alegações “graves, genéricas e sem fundamentos”, defendendo que atingem a honra e a credibilidade dos agentes da corporação.
O MpD repudiou aquilo que classifica como “instrumentalização das forças de segurança para fins políticos”, sublinhando que a Polícia Nacional é uma instituição “centenária, que reafirma diariamente os seus princípios constitucionais de apartidarismo, legalidade, respeito pelos direitos, liberdades e garantias”.
O partido recorda que a designação de escoltas compete exclusivamente à Direção Nacional da PN, com base em critérios técnicos e de segurança, e não em filiações partidárias.
No comunicado, o MpD alerta ainda para os riscos de se lançar suspeitas públicas sobre agentes policiais sem provas ou devido processo legal, afirmando que isso pode fragilizar a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.
O partido termina apelando à contenção por parte de Francisco Carvalho e dos seus apoiantes, defendendo que governar o país não deve significar “desmantelar as instituições democráticas de Cabo Verde”.
O que foi noticiado?
O jornal digital Santiago Magazine noticiou ontem, dia 26 de maio, que o PAICV solicitou à Polícia Nacional a substituição urgente da equipa de segurança atribuída ao líder do partido, desde o início da campanha para as legislativas de 17 de maio. Segundo a publicação, o pedido foi formalizado através de uma carta assinada pelo secretário-geral do PAICV, enviada inicialmente ao Comando das Unidades Especiais e posteriormente reiterada junto da Direção Nacional da Polícia com caráter de “muito urgente”.
De acordo com a notícia, apesar de reconhecer o profissionalismo dos agentes destacados, o PAICV alegou não existir uma relação de confiança entre Francisco Carvalho e o atual grupo de guarnição. O partido propôs que a nova equipa passasse a ser coordenada pelo subcomissário Daniel Lopes Varela, atual adjunto do Corpo de Proteção do Presidente da República, cabendo-lhe formar um novo corpo de guarda-costas para o futuro chefe do Governo.
Aquele jornal avançou ainda que setores ligados à segurança suspeitam que alguns agentes possam estar ligados ao ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, ou ao MpD, levantando hipóteses de infiltração política. A publicação refere também alegadas suspeitas sobre o passado de alguns elementos da equipa de segurança, incluindo investigações relacionadas com transferências de dinheiro de Angola e um suposto caso de homicídio, embora sem apresentar provas documentais ou identificar formalmente os agentes visados.


