O Grupo Parlamentar do MpD exigiu esta segunda-feira que o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, retire as declarações que atribuiu ao Fundo Monetário Internacional sobre a economia cabo-verdiana, se retrate publicamente e peça desculpas ao povo cabo-verdiano, após a própria instituição ter esclarecido que não realizou a avaliação invocada pelo chefe do Governo
O líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, afirmou que “nenhum Governo” tem o direito de pôr em causa a reputação de Cabo Verde, muito menos para obter ganhos políticos imediatos, acusando Francisco Carvalho de ter utilizado indevidamente o nome do FMI para sustentar alegações sobre alegadas contas ocultas e uma suposta derrapagem orçamental.
Segundo o deputado, o primeiro-ministro afirmou que Cabo Verde teria “ludibriado o FMI” e atribuiu à instituição conclusões sobre a execução orçamental que, entretanto, foram desmentidas pelo próprio FMI. “O primeiro-ministro foi desmentido não pelo MpD, nem por adversários políticos, mas pela própria instituição que invocou para dar credibilidade às suas acusações”, sustentou.
Luís Carlos Silva alertou para as consequências que declarações desta natureza podem ter na credibilidade internacional do país, recordando o caso do Senegal, onde suspeitas relacionadas com a dívida pública levaram ao congelamento das relações com o FMI e outros parceiros internacionais, afetando desembolsos, financiamento e a confiança externa.
O líder parlamentar rejeitou ainda qualquer comparação com Moçambique, defendendo que o sistema orçamental cabo-verdiano não permite a existência de dívida oculta, uma vez que as alterações ao Orçamento do Estado obedecem aos mecanismos previstos na lei.
Para o MpD, a responsabilidade política pelas declarações é exclusivamente do chefe do Governo. “Foi Francisco Carvalho quem falou em contas ocultas, quem acusou Cabo Verde de ludibriar o FMI e quem atribuiu ao Fundo uma avaliação que a própria instituição afirma não ter realizado”, afirmou.
Face ao sucedido, o Grupo Parlamentar do MpD considera que “não há mais explicações a dar”, exigindo que o primeiro-ministro retire as acusações, se retrate publicamente e apresente um pedido de desculpas aos cabo-verdianos.
Luís Carlos Silva concluiu que este episódio revela “um primeiro-ministro perigoso para as instituições, para a economia e para o bom nome de Cabo Verde”, acusando Francisco Carvalho de colocar em risco a credibilidade externa do país em troca de dividendos políticos imediatos.

