MpD reafirma pedido de desculpas pelo regime de partido único e abusos cometidos

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Líder do Grupo Parlamentar esclareceu que o MpD não nega a importância da independência de Cabo Verde, alcançada a 5 de julho de 1975

O Líder do Grupo Parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, reafirmou hoje em conferência de imprensa, a necessidade de o Estado pedir desculpas ao povo pelos 15 anos de regime de partido único instaurado após a independência nacional.

Em resposta às acusações do presidente do PAICV, Rui Semedo, feitas durante uma entrevista na TCV, Celso Ribeiro esclareceu que o MpD não nega a importância da independência de Cabo Verde, alcançada a 5 de julho de 1975. Contudo, enfatizou que o regime monopartidário instaurado pelo PAIGC/CV após a independência “suprimiu a liberdade e a democracia tão desejadas pelo povo”.

“O Estado deve pedir desculpas ao povo Cabo-verdiano pela instauração do monopartidarismo durante 15 anos, de 1975 a 1990. Este período foi marcado por abusos, repressões e limitações às liberdades individuais”, afirmou.

Entre os exemplos mencionados, destacam-se episódios de repressão e violência, como as prisões e torturas de Sãovicentinos em 1977, a repressão de manifestações em várias ilhas durante os anos 1980, que resultaram em mortes, detenções e outros abusos.

Celso Ribeiro também citou o julgamento do padre Fidalgo, diretor do mensário católico Terra Nova, como um exemplo da supressão da liberdade de imprensa no período.

Para o político, reconhecer os erros do passado é fundamental para a reconciliação histórica e nacional. “Um pedido de desculpas, seguido de reparações às vítimas do partido único, faz todo o sentido em nome da reconciliação com a história, a consciência e os interesses nacionais, especialmente no ano em que celebramos os 50 anos da independência”, disse.

O Líder parlamentar do MpD reiterou ainda que a liberdade e a democracia só foram alcançadas com o 13 de janeiro, data que marca a transição para o sistema multipartidário e que, segundo disse, representa “a maior conquista da história recente de Cabo Verde”.

1 COMENTÁRIO

  1. É bom relembrar que muitos militantes e até fundadores do MPD estiveram na luta para a Independência Nacional, convictos que Independência seria sinónimo de liberdade e de democracia mas que logo depois de 05 de Julho de 1975, começaram a ser perseguidos, expulsos, presos e muitos tiveram que sair do país , pois foram ameaçados de morte. Na luta para a Independência não esteve só os combatentes do mato, aliás eram tão poucos que pouco podiam fazer. Se não fosse os estudantes das escolas secundárias, os estudantes universitários que vieram de Portugal os simpatizantes da causa da Independência residentes em Cabo Verde, nunca teríamos a tão almejada independência. Mas grande parte dos militantes da independência nacional, desiludidos com o sistema de partido único que perseguia até os próprios militantes desde que não lessem na mesma cartilha saíram do partido não por serem contra a Independência mas sim por serem contra a ditadura que se estava a construir e que foi eliminada em 13 de Janeiro dia da Liberdade e da democracia. As desculpas devem ser pedidas sim não por causa da Independência mas sim por causa do sistema de ditadura implementado com a ajuda principalmente de Cuba, ex-URSS.

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