Afirmação é do antigo Ministro e dirigente do PAICV, Júlio Correia, numa publicação na sua rede social, acusando candidato em causa de vitimização, desrespeito à legalidade e discurso populista
O ex- dirigente do PAICV, Júlio Correia, manifestou-se, publicamente, sobre a atual crise no seio do Partido, na sequência da suspensão das eleições internas pelo Tribunal Constitucional.
Em post publicado no fim-de-semana, Correia criticou duramente a postura do candidato impugnado, apontando o que considera ser uma estratégia de vitimização, desvalorização das instituições e uso de discurso populista.
Segundo Correia, o tom adotado pelo candidato na reação à suspensão das eleições revela uma tentativa de mobilizar apoios com base na emoção, e não através do debate de ideias.
“Busca aliados pela via da vitimização e não pela racionalidade”, escreveu o militante, acrescentando que essa postura é incompatível com a responsabilidade que se exige de quem pretende liderar o Partido.
Entre as críticas apresentadas, destaca-se a contestação à proposta do candidato de evitar eleições internas com base em sondagens. Para Júlio Correia, isso representaria uma negação da pluralidade e da democracia interna, ao substituir o voto por estimativas estatísticas. “Sondagens não são substitutos do voto”, sublinha.
O ex- dirigente e antigo Ministro também rejeita a ideia de que o Tribunal Constitucional não deveria intervir em assuntos internos do Partido. Lembra que os Partidos políticos estão sujeitos à legislação nacional e que não existe um órgão interno que possa sobrepor-se ao controlo de legalidade exercido pelos tribunais.
Correia considera ainda que a causa do atual impasse não foi a oposição a uma sondagem, mas sim o alegado incumprimento estatutário por parte do candidato impugnado, nomeadamente o não pagamento das quotas. “Se é contra essa obrigação, pode procurar organizações que não a imponham”, afirmou, criticando igualmente a hipótese de terem sido usadas declarações falsas para encobrir a situação.
O post também questiona a abordagem do candidato no combate à pobreza, acusando-o de recorrer à retórica emocional sem apresentar soluções concretas. Para o militante, o populismo “instrumentaliza a miséria” e desvia o debate das causas estruturais.
Júlio Correia aproveitou ainda para manifestar solidariedade com o militante Jorge Lopes, que interpôs recurso junto do Tribunal Constitucional e, segundo ele, tem sido alvo de críticas internas. “A luta por eleições limpas e justas deve ser um princípio inegociável”, defendeu, sublinhando a importância da transparência e do respeito pelas instituições.
O posicionamento surge num momento de forte tensão interna no PAICV, com diferentes sensibilidades em confronto e um processo eleitoral suspenso, à espera de clarificação legal.
A Direção do Partido ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Júlio Correia.



O ponto a que se chegou dentro do Partido tambarina, deve-se sobretudo à inexistência de um candidato forte com a capacidade de agregar vontades políticas. Veja-se, por exemplo, o post de Júlio Correia. Ele aparece, de fora, a dar uma lição sobre como deve comportar-se alguém que pretenda liderar um partido, precisamente, porque ninguem está sendo capaz de o fazer, entre aqueles que o deveriam fazer.
Não comungo da postura deste senhor, mas sou obrigado em concordar desta sua leitura. Pertinente!
O sujeito é perito em vitimização e populismo. Os seus adversários devem utilizar abordagens mais apropriadas para o desmascarar, caso contrário todos pagaremos o preço.
Comentários estão fechados.