Presidente da República destaca maturidade democrática após legislativas

José Maria Neves atribui 37 Deputados aos PAICV

O Presidente da República afirmou esta segunda-feira, 18 de março, que “o povo, soberanamente, falou” nas eleições legislativas de domingo, considerando que a democracia Cabo-verdiana saiu “robustecida” do processo eleitoral.

Numa publicação reagindo aos resultados das legislativas, o Chefe de Estado felicitou os Partidos políticos pela participação na jornada eleitoral, destacando a vitória do PAICV, atribuindo Partido 37 Deputados, o MpD como principal Partido da Oposição, com 33 assentos parlamentares, e a UCID, que elegeu dois Deputados. O Presidente referiu ainda o PTS e o PP, que não conseguiram representação parlamentar.

O Chefe de Estado salientou a aceitação tranquila dos resultados por parte dos atores políticos, defendendo que o País deve agora concentrar-se nos desafios nacionais e internacionais.

Segundo afirmou, o momento exige diálogo, entendimento e capacidade de construção de consensos para enfrentar as reformas necessárias ao desenvolvimento do País.

“Passado o embate eleitoral, é tempo agora de arregaçar as mangas para enfrentar os grandes desafios por que passa o País e o mundo, nesta era de roturas”, escreveu.

Observa-se, entretanto, que a contagem provisória da CNE mantém o PAICV com 33 mandatos, o MpD com 30 e a UCID com 2.

PAICV lidera legislativas com 46,6% dos votos e vantagem em mandatos provisórios

Dados da CNE ainda não aponta cenário de maioria

O PAICV liderava, à meia-noite e 45 minutos, os resultados provisórios das eleições legislativas em Cabo Verde, com 46,6% dos votos e vantagem em mandatos, segundo dados divulgados no site da CNE

O Partido somava 88.380 votos e 33 Deputados eleitos, contra 43,7% e 30 mandatos atribuídos provisoriamente ao MpD, faltando ainda distribuir sete lugares parlamentares.

De acordo com os dados oficiais disponíveis naquele momento, o MpD contabilizava 82.946 votos. A UCID surgia como terceira força política nacional, com 9.791 votos, correspondentes a 5,2% e dois mandatos provisórios.

O PTS registava 3.246 votos, equivalentes a 1,7%, enquanto o PP reunia 605 votos, representando 0,3% da votação nacional.

PAICV vence na maioria dos círculos

Os resultados provisórios indicavam vitória do PAICV em São Vicente, São Nicolau, Boa Vista, Santiago Sul, Brava, Fogo e nos três círculos da Diáspora.

Já o MpD assegurava vantagem em Santo Antão, Sal, Maio e Santiago Norte.

O cenário eleitoral continuava, no entanto, em atualização, com os dados finais ainda dependentes do fecho completo do apuramento e da distribuição dos mandatos restantes.

Legislativas/reação. Francisco Carvalho celebra vitória do PAICV e promete “um novo Cabo Verde”

O Presidente do PAICV, Francisco Carvalho, considerou esta madrugada, que os Cabo-verdianos deram uma “mensagem clara” nas eleições legislativas, ao confirmarem a vitória do Partido num dos escrutínios mais disputados da história democrática do País

O líder do Partido vencedor das eleições agradeceu aos eleitores no Arquipélago e na Diáspora e afirmou que “a partir de hoje há um novo Cabo Verde”.

Na sua primeira reação após a divulgação dos resultados provisórios, Francisco Carvalho classificou o dia como “extraordinário”, defendendo que a democracia Cabo-verdiana voltou a demonstrar a importância da vontade popular.

O Presidente do PAICV reconheceu que a disputa eleitoral foi renhida e admitiu que, em determinados momentos, se perspetivava um cenário de maioria relativa.

Apelos à transparência eleitoral

Durante a intervenção, Francisco Carvalho levantou preocupações sobre alegadas irregularidades durante o processo eleitoral, apelando a um debate público mais aprofundado sobre práticas que, segundo afirmou, marcaram a campanha. Referiu alegações de compra de votos, distribuição de cestas básicas, movimentações financeiras e assinatura de contratos em período eleitoral, defendendo que esses temas não devem ser ignorados pelas instituições, analistas e órgãos de Comunicação Social.

Francisco Carvalho considerou ainda que Cabo Verde deve promover uma reflexão sobre o funcionamento da sua democracia e sobre a transparência dos processos eleitorais.

Mensagem dirigida à Diáspora e ao País

Na declaração feita perante militantes e apoiantes, o Presidente do PAICV dirigiu agradecimentos aos Cabo-verdianos residentes no País e na Diáspora, sublinhando o contributo de todos os que participaram na campanha e no processo eleitoral.

Os resultados provisórios das eleições legislativas continuam a ser atualizados pela CNE, num contexto em que o PAICV surge na dianteira da votação nacional. Francisco Carvalho garante ser maioria absoluta.

Legislativas/reação. Ulisses Correia e Silva reconhece derrota do MpD e anuncia saída da liderança do Partido

O Presidente do MpD e Primeiro-Ministro cessante já reconheceu a derrota do seu Partido nas eleições legislativas deste domingo, e felicitou o líder do PAICV

Ulisses Correia e Silva acaba de admitir o que o MpD falhou os objetivos de vencer o escrutínio e continuar à frente da governação do País. O Presidente do MpD anunciou ainda que irá pedir a demissão da liderança partidária, defendendo a renovação interna do MpD após o ciclo político iniciado em 2016.

Reconhecimento da derrota eleitoral

Na sua declaração ao País, a partir da sede nacional do MpD, Ulisses Correia e Silva confirmou ter felicitado o Presidente do PAICV pela vitória eleitoral, desejando sucessos para a futura governação.

“O MpD não conseguiu atingir nem o objetivo de vencer as eleições, nem o objetivo de continuar a governar Cabo Verde”, afirmou.

Apesar de reconhecer a derrota, o líder do MpD salientou que os dados divulgados pela CNE ainda não permitiam confirmar se o PAICV alcançou maioria absoluta ou relativa, uma vez que faltavam apurar votos do círculo das Américas.

MpD promete Oposição “responsável”

Ulisses Correia e Silva garantiu que o MpD irá assumir o papel de Oposição no Parlamento, assegurando uma transição governativa “tranquila, pacífica e normal”, em respeito pelas regras democráticas.

Segundo afirmou, Cabo Verde volta a demonstrar maturidade institucional ao garantir uma alternância política sem sobressaltos.

“O MpD vai assumir o seu papel no Parlamento como Oposição responsável e continuar a servir Cabo Verde”, declarou.

Demissão da liderança do Partido

Um dos momentos mais marcantes da declaração foi o anúncio de que irá pedir a demissão da presidência do MpD, abrindo caminho para uma nova liderança partidária. Ulisses Correia e Silva considerou que chegou o momento de “passar o testemunho” e permitir que o Partido entre numa nova fase política.

“As pessoas passam, as instituições continuam”, afirmou, acrescentando que o MpD deverá continuar a ser “um Partido forte”, mesmo fora do poder.

O ainda Presidente do Partido recordou o percurso político de várias décadas, incluindo funções como Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças, Deputado e Presidente da Câmara Municipal da Praia, dizendo ser “tempo de ir para outra vida”.

Elevada abstenção

O Primeiro-Ministro destacou também a elevada taxa de abstenção registada nestas legislativas, estimando que tenha ultrapassado os 50%.

Segundo disse, o Partido fará uma análise interna às razões do afastamento dos eleitores das urnas, num processo que também deverá envolver analistas políticos.
Ulisses Correia e Silva admitiu ainda surpresa com alguns resultados eleitorais em Ilhas como São Vicente e Sal, que terão contribuído para o desfecho da eleição.

Apelo à tranquilidade e normalidade democrática

No final da intervenção, o líder do MpD apelou à serenidade e à redução da crispação política após as eleições, defendendo que o País deve regressar à normalidade.

“As eleições não são para durar sempre”, afirmou, insistindo na necessidade de preservar a estabilidade democrática e institucional de Cabo Verde.

Numa nota pessoal, Ulisses Correia e Silva disse que pretende continuar a vida fora da política ativa e garantiu que retomará já esta segunda-feira a sua rotina habitual.

Legislativas/reação. PTS considera resultados “satisfatórios” e destaca crescimento nestas eleições

A Presidente do PTS, Jónica Brito, considerou satisfatórios os resultados alcançados pela formação política nas eleições legislativas deste domingo, destacando o aumento expressivo do número de votos em comparação com o escrutínio de 2021

Em reação aos resultados provisórios, Jónica Brito afirmou que o PTS praticamente duplicou a votação obtida nas últimas legislativas, sublinhando o crescimento do Partido nos círculos de Santiago Sul e Santiago Norte, onde disse que a força política se afirmou como terceira força política.

A líder partidária agradeceu aos militantes, simpatizantes e eleitores que confiaram no projeto do PTS, defendendo que os resultados demonstram que parte do eleitorado Cabo-verdiano procura “uma nova forma de fazer política”, mais próxima dos cidadãos.

Jónica Brito mostrou-se igualmente satisfeita com o cenário político que começa a desenhar-se no País, apontando para a possibilidade de ausência de maioria absoluta no Parlamento. Segundo afirmou, o PTS sempre defendeu uma governação baseada na negociação e no diálogo político.

A Presidente do PTS garantiu ainda que o Partido pretende continuar a consolidar a sua presença política em Cabo Verde, assumindo metas de médio e longo prazo.

Legislativas/reação. UCID critica irregularidades e considera abstenção a “grande vencedora” das eleições

O Presidente da UCID, João Santos Luís, afirmou por volta das 22h50, desta noite, que os resultados das eleições legislativas ficaram aquém das expectativas do Partido, ao mesmo tempo que denunciou alegadas práticas antidemocráticas durante o processo eleitoral

Em declaração a partir da sede do Partido na Cidade do Mindelo, o líder da UCID reconheceu que “as eleições não correram bem” para o seu Partido, sublinhando, contudo, que “o povo é quem mais ordena em democracia”.

João Santos Luís acusou o MpD e o PAICV de utilizarem recursos públicos e estruturas municipais em benefício das respetivas campanhas eleitorais. Segundo afirmou, houve “utilização massiva e expressiva dos recursos públicos” e distribuição de brindes em várias Ilhas e na Diáspora, situações que, no entendimento da UCID, influenciaram os resultados eleitorais deste domingo.

O dirigente criticou ainda o que classificou como fragilidades da democracia Cabo-verdiana, considerando que os dois principais Partidos têm dominado e condicionado o ambiente político ao longo dos últimos 50 anos.

Apesar dos resultados, João Santos Luís defendeu que a UCID apresentou propostas e projetos para o desenvolvimento económico, político e social do País, com enfoque em áreas como emprego, justiça, segurança e política fiscal.

O Presidente da UCID destacou também a elevada taxa de abstenção, estimada em cerca de 50%, considerando que “a abstenção volta a ser a grande vencedora” destas eleições legislativas.

As eleições legislativas deste domingo continuam com resultados em atualização pela CNE, num cenário em que os dados provisórios apontam para um parlamento sem maioria absoluta.

Legislativas/reação. MpD admite falha na meta da maioria absoluta e aguarda resultados finais das eleições

Rui Figueiredo Soares admite que MpD falha meta destas eleições

O Coordenador Nacional das eleições legislativas do MpD, Rui Figueiredo Soares, admitiu às 22h15, desta noite, na Cidade da Praia, que os dados provisórios apontam para um cenário sem maioria absoluta nas eleições legislativas deste domingo, reconhecendo que o Partido não terá alcançado o objetivo de renovar a maioria parlamentar.

Falando aos Jornalistas na sede nacional do MpD, Rui Figueiredo Soares afirmou que os resultados preliminares compilados pela CNE e pelo NOSi indicam um desempenho favorável ao PAICV, embora sem garantir maioria absoluta.

“Pelos dados até agora compilados, o Movimento para a Democracia não terá atingido os seus objetivos, que eram essencialmente ter uma maioria absoluta e executar o projeto Cabo Verde para Frente”, declarou.

O dirigente sublinhou, no entanto, que o Partido aguarda ainda pelos resultados definitivos, nomeadamente dos círculos das Américas, antes de uma posição final da liderança do MpD.

Segundo Rui Figueiredo Soares, nenhuma das forças políticas deverá alcançar maioria absoluta, num quadro eleitoral marcado também por uma elevada taxa de abstenção, que, de acordo com os dados provisórios, ultrapassa os 50%.

Durante a declaração, o Coordenador Nacional das legislativas do MpD agradeceu aos eleitores que confiaram no projeto político do Partido e destacou o comportamento do eleitorado Cabo-verdiano ao longo da votação. “O povo Cabo-verdiano deu mostras de maturidade democrática, participando em mais uma jornada da nossa democracia e do reforço do Estado de Direito Democrático”, afirmou.

Rui Figueiredo Soares garantiu ainda que o MpD irá respeitar os resultados oficiais saídos das urnas e adiantou que o Presidente do Partido, Ulisses Correia e Silva, deverá fazer uma comunicação ao País assim que forem conhecidos os dados definitivos da eleição.

Legislativas. candidatos apelam à participação e confiança marca dia de votação

UCID defendeu diálogo e respostas sociais, o MpD a apostar na continuidade e estabilidade, o PAICV a propor mudanças com foco nos serviços essenciais e transportes, o PTS a promover inclusão e participação cívica, e o PP a procurar representação para influenciar políticas públicas

Após exercerem o seu direito de voto, os candidatos às eleições legislativas em Cabo Verde apelaram à participação massiva dos eleitores, incentivando os cidadãos a votarem de forma livre, consciente e responsável, num momento decisivo para o futuro do País.

O Presidente da UCID, João Santos Luís, pediu aos Cabo-verdianos para votarem “com firmeza” e de forma “livre e consciente”, considerando que o País enfrenta desafios que exigem uma governação “séria e dialogante”. Após votar em São Vicente, o candidato denunciou alegadas práticas antidemocráticas durante a campanha, acusando o MpD e o PAICV de utilização indevida de recursos públicos e de condicionamento de eleitores.

Já o Líder do MpD Ulisses Correia e Silva, mostrou-se “tranquilo e esperançoso” numa forte adesão às urnas. Sublinhou que “o voto decide quem vai governar Cabo Verde nos próximos cinco anos” e defendeu que uma elevada participação reforça a democracia. Após votar na Praia, apelou à responsabilidade dos cidadãos na escolha do futuro do País.

Por sua vez, o candidato do PAICV, Francisco Carvalho, manifestou confiança na vitória da candidatura “Cabo Verde para todos”, afirmando ter sentido um “forte desejo de mudança” entre a população. No entanto, também denunciou alegadas tentativas de compra de votos, referindo distribuição de bens e dinheiro durante o período eleitoral.

A líder do PTS, Jónica Brito, disse-se “convicta e serena” quanto à possibilidade de conquistar uma representação inédita no parlamento, destacando o voto como um “dever cívico inalienável” e um instrumento essencial contra a abstenção.

Também o líder do Partido Popular, Amândio Vicente, apelou à participação dos eleitores, afirmando que cada voto é decisivo para o futuro do País. O candidato mostrou-se confiante na eleição de pelo menos dois deputados.

Num dia considerado decisivo para a democracia Cabo-verdiana, os diferentes candidatos convergiram no apelo à mobilização dos eleitores, reforçando que a participação nas urnas é fundamental para legitimar o processo e definir o rumo do país nos próximos anos.

Alex Saab deportado para os EUA pelas autoridades Venezuelanas

Alegado cabeça de ferro de Nicolas Maduro foi deportado pelas autoridades de Caracas

O empresário Colombiano Alex Saab, apontado como um dos principais aliados e suposto testa de ferro do ex-Presidente Nicolás Maduro, foi deportado pelas autoridades da Venezuela para os Estados Unidos, confirmou o serviço de migração Venezuelano, em comunicado divulgado ontem, sábado.

Segundo o comunicado oficial, a medida foi adotada “tendo em consideração que o referido cidadão Colombiano se encontra envolvido na prática de diversos delitos nos Estados Unidos”, relacionados com investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

Alex Saab já tinha sido detido em Cabo Verde, em 2020, a pedido da justiça Norte-americana, tendo posteriormente sido extraditado para os EUA, onde enfrentou acusações de lavagem de dinheiro e corrupção. Em 2023, acabou libertado no âmbito de uma troca de prisioneiros entre Washington e Caracas.

De acordo com informações divulgadas pela Imprensa internacional, Saab chegou a Miami sob escolta de agentes federais Norte-americanos, incluindo elementos da DEA.

Em fevereiro deste ano, a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afastou Alex Saab de todas as funções que exercia no Governo Venezuelano.

Monte Cintinha celebra hoje festa mariana em formato reduzido devido às legislativas

Missa festiva presidida pelo Padre Benvindo Rodrigues, da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, da Ilha do Sal

A comunidade Católica de São Nicolau vive hoje, domingo, a tradicional festa de Nossa Senhora de Monte Cintinha, no Santuário de Cachaço, numa celebração marcada pela fé, peregrinação e devoção mariana, mas este ano em formato mais restrito devido à coincidência com as eleições legislativas de hoje.

O ponto alto das celebrações acontece às 11 horas, com a Missa festiva presidida pelo Padre Benvindo Rodrigues, da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, da Ilha do Sal. Antes, às 8 horas, foi celebrada outra Eucaristia no Santuário, que desde ontem, sábado, acolhe diversos fiéis provenientes de diferentes localidades de São Nicolau, de outras Ilhas e da Diáspora.

As festividades arrancaram ontem com Missa vespertina e procissão de velas, num ambiente de oração e recolhimento espiritual. Contudo, ao contrário dos anos anteriores, a programação foi reduzida essencialmente à componente religiosa.

Em declarações ao OPAÍS.cv, o reitor do Santuário, Padre Ilídio da Graça, explicou que a decisão teve em conta o contexto eleitoral e o dever cívico dos cidadãos.

Segundo o Sacerdote, algumas atividades tradicionais realizadas na Ribeira Brava e noutras localidades foram retiradas do programa, precisamente para permitir que os fiéis possam exercer o direito de voto antes de seguirem para o Santuário, neste domingo.

Apesar do formato reduzido, a festa continua a afirmar-se como uma das maiores manifestações religiosas da Ilha de São Nicolau, preservando uma forte tradição de fé, devoção mariana e identidade cristã entre os peregrinos.