ROJAE-CPLP destaca clima pacífico nas eleições em Cabo Verde

O balanço foi apresentado pelo porta-voz Fernando Anastácio, que liderou uma missão composta por 11 observadores de Angola, São Tomé e Príncipe e Portugal

A Rede dos Órgãos de Administração Eleitoral da CPLP (ROJAE-CPLP) destacou que o processo eleitoral em Cabo Verde decorreu num ambiente “pacífico, ordeiro e cívico”.

O balanço foi apresentado pelo porta-voz Fernando Anastácio, que liderou uma missão composta por 11 observadores de Angola, São Tomé e Príncipe e Portugal.

Segundo a missão, o processo foi conduzido em conformidade com o quadro legal Cabo-verdiano e os padrões internacionais, tendo sido, de forma geral, cumpridos os procedimentos nas mesas de voto.

Apesar de alguns atrasos pontuais na abertura de assembleias, relacionados com a verificação do material eleitoral, a organização considerou que estes não comprometeram a transparência e a regularidade do processo.

A ROJAE-CPLP apontou ainda recomendações, como a simplificação dos procedimentos preparatórios e melhorias na logística de recolha do material eleitoral, para aumentar a eficiência do processo.

Homem de 39 anos em prisão preventiva por maus-tratos à mãe

O arguido, natural do Município de Santa Catarina de Santiago, é suspeito de dois crimes de maus-tratos a ascendente

O Tribunal da Comarca de Santa Catarina decretou prisão preventiva para um homem de 39 anos, indiciado da prática de dois crimes de maus-tratos contra a sua mãe biológica, informou o Ministério Público.

De acordo com a Procuradoria da República da Comarca de Santa Catarina, a detenção ocorreu no dia 15 de maio, fora de flagrante delito, no âmbito de um processo de instrução conduzido pelo Ministério Público.

O arguido, natural do Município de Santa Catarina de Santiago, é suspeito de dois crimes de maus-tratos a ascendente, previstos e punidos pela legislação penal Cabo-verdiana.

Após o primeiro interrogatório judicial, o tribunal validou a acusação e aplicou a medida de coação mais grave, conforme solicitado pelo Ministério Público.

A Procuradoria-Geral da República indicou ainda que o processo continua em investigação e permanece em segredo de justiça, sendo as informações divulgadas no quadro do dever de transparência e informação ao público.

ONU felicita Cabo Verde por eleições “pacíficas, transparentes e inclusivas”

A organização destacou a participação dos cidadãos nas ilhas e na Diáspora, bem como a maturidade dos atores políticos e o respeito pelo resultado das urnas, considerando que estes fatores reforçam a confiança nas instituições e na democracia Cabo-verdiana

As Nações Unidas felicitaram Cabo Verde pela realização de mais um processo eleitoral considerado “pacífico, transparente e inclusivo”, sublinhando o civismo e o respeito pela democracia demonstrados durante as legislativas de 2026.

A organização destacou a participação dos cidadãos nas ilhas e na Diáspora, bem como a maturidade dos atores políticos e o respeito pelo resultado das urnas, considerando que estes fatores reforçam a confiança nas instituições e na democracia Cabo-verdiana.

As Nações Unidas saudaram ainda a Comissão Nacional de Eleições (CNE), a Polícia Nacional, os partidos políticos, a sociedade civil, os órgãos de comunicação social e todos os intervenientes que contribuíram para o sucesso do processo eleitoral.

Na mesma mensagem, a organização parabenizou o partido vencedor e os eleitos, desejando sucesso no exercício das novas funções.

As Nações Unidas reafirmaram ainda o compromisso de continuar a trabalhar com Cabo Verde e com o novo Governo, em articulação com todos os setores da sociedade, para a promoção do desenvolvimento sustentável, da paz e dos direitos humanos.

Manifesto de apoio ao Mar Liso

Há barcos que se medem pelo tamanho. Outros, pela história, pela utilidade e pela ligação humana que criam com um povo. O Mar Liso pertence claramente à segunda categoria. Apesar da sua pequenez no tamanho ele é gigante na importância para a nossa ilha de São Nicolau. Sem grandes luxos ou comodidades modernas, ele é absolutamente indispensável para a vida de muitos sanicolauenses.

Na semana passada, por causa da campanha eleitoral e da utilização do navio pelo presidente do MpD para sair de São Nicolau, surgiram comentários sobre o nosso Mar Liso, como se estivéssemos a falar de uma embarcação sem valor ou importância. E isso é profundamente injusto para um barco que, durante anos, tem servido São Nicolau com uma dedicação que muitos dos grandes navios jamais conseguiram igualar.

O Mar Liso é, sim, um barco de carga. Mas é muito mais do que isso. É um verdadeiro elo entre São Vicente e São Nicolau. É um parceiro silencioso dos comerciantes, dos pequenos empresários, das famílias que dependem regularmente do transporte de mercadorias para manter os seus negócios e sustentar as suas casas.

Quantas cargas urgentes já não passaram pelo Mar Liso? Quantas encomendas, produtos alimentares, materiais e mercadorias chegaram ao destino graças a este nosso pequeno cargueiro?

E mais do que isso: o Mar Liso já foi inúmeras vezes um verdadeiro “pronto-socorro” humano e social. Quantos doentes não seguiram para São Vicente a bordo deste navio, muitas vezes em situações delicadas, quando outras alternativas simplesmente não existiam? Quantas famílias encontraram no Mar Liso a única esperança de deslocação rápida entre as duas ilhas?

É precisamente por isso que o Mar Liso conquistou algo que nenhum outro barco conseguiu conquistar totalmente: uma relação de proximidade e familiaridade com São Nicolau. O povo reconhece nele uma embarcação amiga, presente, disponível e resiliente.

Mesmo com a presença de navios maiores, mais modernos e confortáveis, como o Dona Tututa, o Praia d’Aguada ou o Inter-ilhas, a verdade é simples e clara: nenhum destes “grandões” conseguiu substituir o papel singular do pequeno Mar Liso. Porque há serviços que não se medem apenas por capacidade, velocidade ou aparência. Medem-se, exatamente, pela confiança e pela presença constante junto das populações.

As pessoas que operam o Mar Liso – desde marinheiros ao pessoal da agência – merecem respeito. Merecem reconhecimento pelo trabalho duro que realizam diariamente, muitas vezes em condições difíceis, para garantir a ligação marítima entre São Vicente e São Nicolau e vice-versa. Destratar o nosso barco é também desvalorizar homens e mulheres que têm servido estas ilhas com esforço e dedicação.

O Mar Liso pode não impressionar à primeira vista. Mas impressiona naquilo que realmente importa: utilidade, compromisso e serviço às populações. E enquanto continuar a cumprir essa missão, continuará a ser, para muitos sanicolauenses, muito mais do que um simples barco. Será sempre “o nosso Mar Liso”.

Presidente do PAICV critica alegadas práticas do MpD após vitória eleitoral

Francisco Carvalho diz que novo ciclo político será marcado pelo combate à compra de votos, reforço institucional, governação em diálogo

Nas suas primeiras declarações após a vitória eleitoral, o presidente do PAICV direcionou críticas a alegadas práticas do MpD e não poupou instituições do Estado, como a PGR e a CNE, acusadas de alegada inação perante denúncias públicas.

Alegada compra de votos e uso de recursos públicos

O presidente do PAICV, Francisco Carvalho, afirmou que o Cabo Verde não pode continuar a “enganar o mundo com uma democracia de fachada”, denunciando alegadas práticas de compra de consciência durante o processo eleitoral.

Nas declarações à imprensa, após declarar a vitória do seu partido, Francisco Carvalho apontou situações relacionadas com distribuição de cestas básicas, abertura de contas bancárias e assinatura de contratos públicos em período eleitoral, defendendo que os casos devem ser analisados pelas instituições competentes.

O líder do PAICV afirmou ainda que pretende colocar na agenda política o que classificou como “Cabo Verde real”, criticando o que considera discrepância entre os indicadores oficiais e a realidade social do país.

Questiona instituições e estatísticas oficiais

Francisco Carvalho criticou também instituições do Estado, referindo alegada inação da Procuradoria-Geral da República e da Comissão Nacional de Eleições perante denúncias divulgadas durante a campanha.

O presidente do PAICV mencionou ainda suspeitas ligadas ao caderno eleitoral, à publicação de relatórios na área da saúde e à gestão de equipamentos hospitalares, defendendo maior transparência e fiscalização pública.

Segundo disse, o país deve debater “questões reais” e evitar que episódios denunciados durante a campanha “passem em branco”.

Maioria absoluta “fica clara”

Sobre os resultados eleitorais, Francisco Carvalho afirmou que a maioria do PAICV “vai ficar clara”, rejeitando interpretações sobre maioria relativa e considerando encerrada a discussão sobre a correlação de forças no parlamento.

O dirigente reconheceu, no entanto, que algumas propostas defendidas pelo seu partido dependem de revisão constitucional e de uma maioria qualificada que o PAICV não possui.

Entre as medidas apontadas estão concursos públicos para cargos como procurador-geral da República e presidente do Tribunal de Contas, além da criação de uma Inspeção-Geral do Estado.

Acusa “conluio” contra a Câmara da Praia

Durante a intervenção, Francisco Carvalho voltou a referir alegadas perseguições políticas à Câmara Municipal da Praia, acusando setores ligados ao MpD de tentarem “manchar” a sua imagem política.

O líder do PAICV disse que campanhas e acusações feitas contra a autarquia tinham como objetivo impedir a chegada do partido ao poder.

Governação “em diálogo” e abertura aos partidos

Francisco Carvalho garantiu que um eventual governo liderado pelo PAICV manterá diálogo com todos os partidos políticos, organizações da sociedade civil, associações e cidadãos.

O presidente do partido afirmou que o PAICV não utilizará o poder governativo para criar entraves à oposição e prometeu respeito pelas regras democráticas e pelo pluralismo político.

Segundo ele, cada partido deverá conquistar o seu espaço “através do trabalho e dos votos”.

Relações com Portugal serão mantidas

Questionado sobre a política externa, Francisco Carvalho assegurou continuidade nas relações diplomáticas entre Cabo Verde e Portugal.

O líder do PAICV classificou a relação entre os dois países como “extraordinária” e disse que Portugal continuará a ser um parceiro estratégico de Cabo Verde, admitindo até um reforço da cooperação bilateral num futuro governo liderado pelo partido.

 

Última hora. Bubista divulga convocados de Cabo Verde para o Mundial 2026

Cabo Verde divulgou a sua primeira convocatória de sempre para uma fase final de uma Copa do Mundo

O Selecionador nacional de Cabo Verde anunciou esta segunda-feira a lista de 26 jogadores convocados para o Mundial 2026, marcada por uma combinação de experiência e juventude.

Na baliza, foram chamados Josimar Dias “Vozinha”, Márcio da Rosa e Carlos Santos.

No setor defensivo, Bubista convocou Steven Moreira, Wagner Pina, João Paulo Fernandes, Sidny Lopes Cabral, Logan Costa, Roberto Lopes “Pico”, Kelvin Pires, Ianique Tavares “Stopira” e Edilson Borges “Diney”.

Para o meio-campo, integram a lista Jamiro Monteiro, Telmo Arcanjo, Yannick Semedo, Laros Duarte, Deroy Duarte e Kevin Pina.

No ataque, os eleitos são Ryan Mendes, Willy Semedo, Garry Rodrigues, Jovane Cabral, Nuno da Costa, Dailon Livramento, Gilson Benchimol e Hélio Varela.

Após a divulgação da lista, os Tubarões Azuis já têm definida a rota de preparação para a competição. A equipa inicia um estágio em território nacional, entre os dias 20 e 24 de maio, seguindo depois para Portugal, onde defronta a Sérvia, a 31 de maio, no Estádio do Restelo.

A preparação prossegue nos Estados Unidos, palco do Mundial 2026, onde Cabo Verde realizará um segundo jogo amigável frente às Bermudas, em Connecticut, antes do arranque da competição.

Primeiro-Ministro de Portugal felicita Francisco Carvalho pela vitória nas legislativas

Luís Montenegro reiterou a disponibilidade de Portugal para continuar a cooperar com Cabo Verde

O Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro, felicitou hoje o presidente do PAICV, Francisco Carvalho, pela vitória nas eleições legislativas em Cabo Verde, destacando o “apego democrático” dos Cabo-verdianos.

Numa mensagem publicada na rede social X, o Governante Português reiterou ainda a disponibilidade de Portugal para continuar a cooperar com Cabo Verde, sublinhando prioridades comuns como o desenvolvimento, a prosperidade e o crescimento.

Apesar de os resultados finais ainda não terem sido oficialmente publicados, o PAICV já reivindicou a vitória com maioria absoluta, apontando para 37 dos 72 deputados, tendo o resultado sido também reconhecido pelo Líder do MpD, Ulisses Correia e Silva.

EDEC implementa plano para reduzir perdas e regularizar consumo de energia

Com um horizonte de execução entre 18 e 24 meses, o plano prevê reduzir as perdas não técnicas na Ilha de Santiago de 31% para 16% e, a nível nacional, de 22% para 14%

A EDEC está a implementar o Plano Integrado de Cidadania Energética (PICE), um programa que visa reforçar o acesso seguro e sustentável à eletricidade, promovendo a regularização do consumo e a ligação formal dos utilizadores à rede.

Segundo a empresa, o objetivo do PICE não se limita à instalação de contadores, mas passa também por garantir que os beneficiários permaneçam ligados ao sistema, consumindo energia de forma segura e assegurando o pagamento regular das faturas.

Com um horizonte de execução entre 18 e 24 meses, o plano prevê reduzir as perdas não técnicas na Ilha de Santiago de 31% para 16% e, a nível nacional, de 22% para 14%. A iniciativa deverá ainda permitir a regularização de cerca de 14 mil consumidores ilegais, sobretudo na Cidade da Praia.

A EDEC destaca que o programa contribuirá para a sustentabilidade financeira da empresa e do sector energético nacional, ao mesmo tempo que reforça a segurança no consumo de energia, reduzindo riscos de eletrocussão e incêndios.

O plano pretende também promover o acesso universal à eletricidade, garantindo que mais famílias possam beneficiar deste serviço essencial para a qualidade de vida e dignidade.

Imprensa internacional destaca alternância política e maturidade democrática em Cabo Verde

Nas eleições de ontem, estavam em disputada 72 deputados. A CNE já distribuiu 65 lugares, faltando 7

A imprensa internacional reagiu aos resultados das eleições legislativas de domingo em Cabo Verde destacando a vitória do PAICV, o cenário de equilíbrio parlamentar e a consolidação da democracia Cabo-verdiana, considerada uma das mais estáveis do continente africano

Vários meios de comunicação Social internacionais classificaram o escrutínio de ontem como uma das eleições mais disputadas da história recente do país, sublinhando a vantagem alcançada pelo PAICV após uma década de governação do MpD liderado por Ulisses Correia e Silva.

A cobertura externa tem dado especial atenção à possibilidade de um parlamento sem maioria absoluta, cenário visto como um desafio político que poderá obrigar a negociações e entendimentos entre as forças partidárias representadas na Assembleia Nacional.

Os órgãos de comunicação internacionais destacam também a forma pacífica como decorreu o processo eleitoral e a rápida aceitação dos resultados pelos partidos concorrentes, apontando Cabo Verde como exemplo de estabilidade institucional e alternância democrática na África Ocidental.

Outro dos aspetos referidos na análise internacional é o peso da diáspora cabo-verdiana no desfecho eleitoral, sobretudo nos círculos externos, considerados decisivos na distribuição de mandatos.

Algumas publicações internacionais fizeram ainda referência às denúncias de alegadas irregularidades e compra de votos levantadas durante a campanha eleitoral por partidos da oposição, embora sem registo de incidentes graves que colocassem em causa o processo eleitoral.

Nas eleições de ontem, estavam em disputada 72 deputados no parlamento. A CNE já distribuiu 65 lugares, faltando 7. Pelas contas no site da CNE, o PAICV tem 33 assentos, o MpD 30 e a UCID 2.