Francisco Carvalho diz que novo ciclo político será marcado pelo combate à compra de votos, reforço institucional, governação em diálogo
Nas suas primeiras declarações após a vitória eleitoral, o presidente do PAICV direcionou críticas a alegadas práticas do MpD e não poupou instituições do Estado, como a PGR e a CNE, acusadas de alegada inação perante denúncias públicas.
Alegada compra de votos e uso de recursos públicos
O presidente do PAICV, Francisco Carvalho, afirmou que o Cabo Verde não pode continuar a “enganar o mundo com uma democracia de fachada”, denunciando alegadas práticas de compra de consciência durante o processo eleitoral.
Nas declarações à imprensa, após declarar a vitória do seu partido, Francisco Carvalho apontou situações relacionadas com distribuição de cestas básicas, abertura de contas bancárias e assinatura de contratos públicos em período eleitoral, defendendo que os casos devem ser analisados pelas instituições competentes.
O líder do PAICV afirmou ainda que pretende colocar na agenda política o que classificou como “Cabo Verde real”, criticando o que considera discrepância entre os indicadores oficiais e a realidade social do país.
Questiona instituições e estatísticas oficiais
Francisco Carvalho criticou também instituições do Estado, referindo alegada inação da Procuradoria-Geral da República e da Comissão Nacional de Eleições perante denúncias divulgadas durante a campanha.
O presidente do PAICV mencionou ainda suspeitas ligadas ao caderno eleitoral, à publicação de relatórios na área da saúde e à gestão de equipamentos hospitalares, defendendo maior transparência e fiscalização pública.
Segundo disse, o país deve debater “questões reais” e evitar que episódios denunciados durante a campanha “passem em branco”.
Maioria absoluta “fica clara”
Sobre os resultados eleitorais, Francisco Carvalho afirmou que a maioria do PAICV “vai ficar clara”, rejeitando interpretações sobre maioria relativa e considerando encerrada a discussão sobre a correlação de forças no parlamento.
O dirigente reconheceu, no entanto, que algumas propostas defendidas pelo seu partido dependem de revisão constitucional e de uma maioria qualificada que o PAICV não possui.
Entre as medidas apontadas estão concursos públicos para cargos como procurador-geral da República e presidente do Tribunal de Contas, além da criação de uma Inspeção-Geral do Estado.
Acusa “conluio” contra a Câmara da Praia
Durante a intervenção, Francisco Carvalho voltou a referir alegadas perseguições políticas à Câmara Municipal da Praia, acusando setores ligados ao MpD de tentarem “manchar” a sua imagem política.
O líder do PAICV disse que campanhas e acusações feitas contra a autarquia tinham como objetivo impedir a chegada do partido ao poder.
Governação “em diálogo” e abertura aos partidos
Francisco Carvalho garantiu que um eventual governo liderado pelo PAICV manterá diálogo com todos os partidos políticos, organizações da sociedade civil, associações e cidadãos.
O presidente do partido afirmou que o PAICV não utilizará o poder governativo para criar entraves à oposição e prometeu respeito pelas regras democráticas e pelo pluralismo político.
Segundo ele, cada partido deverá conquistar o seu espaço “através do trabalho e dos votos”.
Relações com Portugal serão mantidas
Questionado sobre a política externa, Francisco Carvalho assegurou continuidade nas relações diplomáticas entre Cabo Verde e Portugal.
O líder do PAICV classificou a relação entre os dois países como “extraordinária” e disse que Portugal continuará a ser um parceiro estratégico de Cabo Verde, admitindo até um reforço da cooperação bilateral num futuro governo liderado pelo partido.