“Eles tratavam-nos como animais e todos os dias ficávamos trancados no quarto do hotel. Serviam-nos comida pela porta. Se fosse a Alemanha, Espanha ou França, a IHF teria um comportamento “completamente diferente”
O lateral da Seleção Nacional de Andebol, Leandro Semedo, denunciou, ontem, aquilo que chama de tratamento discriminatório por parte da Federação Internacional de Andebol, (sigla Inglêsa IHF), contra a Seleção de Cabo Verde.
Em declarações ao jornal Espanhol ‘La Nueva Cronica’, Leandro Semedo conta que Cabo Verde “foi expulso” da competição, porque sofreu muita pressão das equipas, que não queriam jogar com a nossa Seleção.
Segundo o jogador que milita na equipa de Abanca Ademar León, na Espanha, Cabo Verde foi discriminado pelas equipas adversárias e pela própria Federação que gere o Andebol mundial.
“Eles tratavam-nos como animais e todos os dias ficávamos trancados no quarto do hotel. Serviam-nos comida pela porta. Se fosse a Alemanha, Espanha ou França, a IHF teria um comportamento completamente diferente”, lamentou, observando que “todos viam-nos como o vírus”.
O lateral que foi muito crítico, durante a sua entrevista, disse que mesmo nos resultados dos testes havia algo de “errado”, sublinhando que o que aconteceu era de se estranhar. “Tínhamos casos em Portugal, mas é raro que jogadores que deram positivo no primeiro teste tenham dado negativo para ir e depois quando chegaram ao Egito e fazendo outro, eles testaram positivo novamente”, estranha, prosseguindo afirmando que depois da “expulsão de Cabo Verde”, no Mundial, todos os resultados deram negativos exceto dois que ficaram em isolamento. “Não sou médico e não sei se o teste é confiável, mas tudo isso deixa claro que algo estava errado”, afirma.
Esse desfecho para Cabo Verde, no Mundial, disse, não era o que a Seleção, nem o povo Cabo-verdiano, que “tanto apostou em nós” estavam à espera. Entretando, continuou, Cabo Verde mostrou a sua cara e “fomos fenomenais”, no jogo contra a Hungria, apesar da derrota. “Isso irrita ainda mais, aliás se todos tivéssemos disponíveis teria sido diferente”, ajuntou.
Inicialmente, depois dos casos positivos, a Federação concordou que Cabo Verde pudesse deslocar novos jogadores para o Egito para ter os 10 disponíveis, contudo segundo Semedo, essa palavra da IHF não durou muito. “Um dia antes de sairmos do torneio deram autorização à Federação de Cabo Verde para chamar os jogadores e quando isso aconteceu, um já estava no hotel e o outro estava a voar para o Egito. Então quando íamos fazer o último teste antes do jogo, que nos faziam todos os dias, disseram-nos que não podíamos jogar, que íamos embora”, contou, interrogando “como pode ser que um dia digam que podemos incorporar outros jogadores e no outro isso não vale mais?”.
Segundo Leandro a “explicação” que lhes foi dada foi que “Eles (IHF) estavam sofrendo muita pressão das equipes, que não queriam jogar contra nós, e da Delegação de Saúde”.
“Sonhámos com o Mundial, mas de uma forma muito diferente. Hoje tenho um gosto desagradável na boca, e a sensação de ver coisas estranhas”, conclui.