Petição contesta presidência da CPLP por Umaro Sissoco Embaló

Centenas de cidadãos dos Estados-membros da CPLP assinaram uma petição contra a presidência rotativa da organização pela Guiné-Bissau, liderada por Umaro Sissoco Embaló

Dirigida aos presidentes dos países que integram a CPLP e à comunidade internacional, a petição defende os valores democráticos e acusa o Chefe de Estado Bissau-guineense de práticas autoritárias, como repressão política, perseguição de opositores e ataques à liberdade de Imprensa no seu País.

Os signatários alertam que a nomeação do Presidente da Guiné-Bissau, “mancharia a imagem da comunidade” e apelam a soluções alternativas, como o adiamento da cimeira prevista para Bissau, a sua transferência para Lisboa ou a prorrogação do mandato da presidência atual, de São Tomé e Príncipe.

Entre os subscritores estão antigos primeiros-ministros da Guiné-Bissau, ex-governantes, dirigentes políticos e figuras da Sociedade civil e da academia de países da CPLP e da Diáspora Africana.

A cimeira de Chefes de Estado e de Governo realiza-se esta quarta-feira, 17, na Capital Guineense, sob o lema “A CPLP e a Soberania Alimentar: Um Caminho para o Desenvolvimento Sustentável”.

Delegação Cabo-verdiana aos Jogos da CPLP está “bem, segura e motivada”

Garantia é do Instituto do Desporto e da Juventude, que destacou a forma calorosa como a comitiva nacional foi acolhida pelas autoridades Angolanas

A delegação Cabo-verdiana que seguia para os Jogos Desportivos da CPLP, em Timor-Leste, foi obrigada a regressar a Luanda depois de o voo ter sido impedido de aterrar em Bali, na Indonésia.

Segundo o Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ), a comitiva encontra-se “bem, segura e motivada” em Angola, onde foi calorosamente acolhida.

O Ministro da Juventude e Desporto angolano, Rui Falcão, visitou pessoalmente a delegação, manifestando solidariedade e reforçando o espírito de cooperação entre os países.

O IDJ agradeceu o gesto solidário das autoridades Angolanas e reafirmou que, apesar do contratempo, os atletas continuam focados na missão e confiantes no retomar da viagem.

As autoridades de Cabo Verde, em articulação com Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que também tinham delegações a bordo, estão a trabalhar para garantir a chegada dos participantes ao destino final o mais rapidamente possível.

TACV lança concurso internacional para elaboração de novo Plano Estratégico 2026-2031

Objetivo, conforme a empresa, é reposicionar estrategicamente a transportadora num setor em transformação, reforçando a sua viabilidade e sustentabilidade como companhia de bandeira nacional

A TACV anunciou esta quarta-feira, 16, a abertura de um concurso público internacional para a contratação de serviços de consultoria, com vista à elaboração do novo Plano Estratégico e de Negócios da companhia para o período 2026-2031.

Segundo comunicado da empresa, o objetivo é reposicionar estrategicamente a transportadora num setor em transformação, reforçando a sua viabilidade e sustentabilidade como companhia de bandeira nacional. “O setor dos transportes enfrenta mudanças profundas pós-COVID-19, com o surgimento de novos players e uma crescente competitividade no mercado nacional”, refere a nota.

O novo Plano deverá analisar o mercado, as rotas e definir ações estratégicas, alinhadas com o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS), em especial no que toca à implementação do hub aéreo na Ilha do Sal, onde a TACV é considerada peça-chave.

Além disso, o estudo deverá avaliar o impacto económico e social da companhia, bem como apresentar uma abordagem inovadora para responder aos desafios do setor.

Mais do que o Estado da Nação: urge debater o Estado da Democracia

À porta de mais um debate parlamentar sobre o Estado da Nação, seria oportuno — e até urgente — que os nossos representantes políticos, os intelectuais e a sociedade civil alargassem o olhar para além da conjuntura social e económica. Sim, a nação enfrenta desafios estruturais — nos transportes, na habitação, na justiça, no emprego — mas há um risco maior a pairar: o estado da nossa democracia está a ser posto em causa com uma ligeireza perigosa.

Nas últimas semanas, ouvimos declarações públicas que merecem reflexão séria e resposta firme. O atual líder do maior partido da oposição declarou, com aparente orgulho, que tem um “entendimento sólido e de aço do partido único, das milícias populares e dos tribunais de zona”. Esta frase não é neutra. Revela mais do que nostalgia: traduz uma visão ideológica que relativiza os efeitos do autoritarismo e das suas instituições repressivas, estruturas essas que deixaram traumas e um vazio institucional profundo no país.

Mais recentemente, o consagrado escritor e advogado Germano Almeida — voz respeitada nacional e internacionalmente — afirmou que “desde 1975 até agora temos sempre vivido em regime de partido único”, insinuando que a democracia instaurada em 1991 não representou uma verdadeira rutura com o passado. Tal afirmação, vinda de quem vem, é inquietante. Representa uma tentativa, talvez inconsciente, de reabilitar o regime de partido único, apagando a conquista histórica do multipartidarismo, da liberdade de expressão e da alternância democrática.

É também uma contradição gritante com o seu próprio percurso: Germano Almeida foi uma voz crítica do partido único durante os anos 80, escreveu contra o sistema e, mais do que isso, foi deputado eleito pelo MpD, tendo votado e aprovado a Constituição de 1992 — a mesma que agora parece relativizar ao insinuar que vivemos, ainda hoje, num sistema de partido único.

Pior: esta ideia encontra eco em algumas franjas da população — inclusive entre jovens que não conheceram os tempos do partido único e são tentados a acreditar que “antigamente é que era”. Uma boa parte da opinião pública começa a dizer que Francisco Carvalho tem razão quando descredibiliza as instituições democráticas. Isso é mais do que crítica legítima à governação — é o sintoma de uma erosão progressiva da fé no modelo democrático.

Não se trata de defender partidos ou governos. Trata-se de defender princípios. E um dos pilares fundamentais da democracia é o pluralismo político. O regime vigente entre 1975 e 1990 foi, assumidamente, de partido único. Não havia liberdade de imprensa, nem eleições livres, nem partidos concorrentes. Em contrapartida, desde 1991, temos um sistema democrático que, com todas as suas falhas, permite o debate, a crítica, a alternância e a responsabilização política.

Afirmar que vivemos até hoje num partido único é falsificar a história. É desprezar os esforços de milhares de cabo-verdianos que lutaram pacificamente por reformas democráticas. É desvalorizar a Constituição pluralista, o papel da imprensa livre, o trabalho de tribunais independentes e a participação cívica que caracteriza os últimos 34 anos.
A democracia não morre de um golpe repentino. Vai-se deteriorando com discursos que relativizam os seus valores, com nostalgias perigosas, com cedências ao populismo e ao autoritarismo soft.

Por isso, deixo aqui um apelo: que o debate sobre o Estado da Nação seja também, e sobretudo, um debate sobre o Estado da nossa Democracia.

Que o Parlamento saiba estar à altura deste desafio. E que a sociedade civil — juristas, jornalistas, professores, artistas, estudantes — compreenda que defender a democracia é uma tarefa contínua. Não se faz apenas com memórias ou palavras bonitas. Faz-se com vigilância, coragem e compromisso.

Porque Cabo Verde escolheu a liberdade. Cabe-nos defendê-la. Sempre.

São Vicente. Manutenção na rede vai afetar fornecimento de energia em Mato Inglês

Fornecimento vai ser interrompido nesta quinta-feira, entre as 08h30 e as 14h30

A EDEC informa que vai interromper temporariamente o fornecimento de energia elétrica na localidade de Mato Inglês, nesta quinta-feira, 17, entre as 08h30 e as 14h30, para a realização de trabalhos de manutenção nas suas redes de transporte e distribuição de energia.

Segundo a empresa, esta intervenção é necessária para garantir a melhoria contínua da qualidade do serviço prestado aos clientes.

A EDEC alerta ainda que, por razões de segurança, as instalações deverão ser consideradas permanentemente em tensão, uma vez que o fornecimento poderá ser restabelecido antes do horário previsto, ou ser necessário realizar ensaios técnicos durante o período de interrupção.

A empresa ressalva ainda que, por motivos imprevistos, a data e o horário da intervenção podem ser alterados.

A EDEC pede a compreensão de todos os clientes pelos eventuais transtornos que esta interrupção possa causar.

Governo prevê mais de 3.600 casas no Orçamento de 2026

Para o Primeiro-Ministro, garantir habitação é o primeiro passo rumo à dignidade e inclusão social

Ulisses Correia e Silva cumpriu nesta quarta-feira, 16, uma agenda dedicada à política habitacional do Governo, com foco em dois importantes projetos na cidade da Praia: a construção de casas sociais nas zonas de Palmarejo Grande e Achada Limpo.

Durante uma visita às obras em curso na Zona K, em Palmarejo Grande, o Chefe do Governo destacou a construção de 400 habitações sociais, destinadas a famílias com menores rendimentos, jovens, casais jovens e estudantes universitários. Destas, 77 unidades funcionarão como residência universitária, respondendo à elevada procura por alojamento acessível para estudantes.

“A habitação é o primeiro passo para a dignidade e inclusão social”, afirmou, sublinhando o impacto social e económico destas intervenções.

No mesmo dia, o Primeiro-Ministro procedeu ao lançamento oficial das obras de construção de 45 casas sociais na Vila Vitória, em Achada Limpo. Estes projetos fazem parte de um pacote mais amplo de habitação, com cerca de 1.600 casas em construção ou já concluídas a nível nacional.

De acordo com o cronograma apresentado, parte das casas da Zona K deverá estar concluída até setembro deste ano, sendo que a totalidade estará finalizada no primeiro trimestre de 2026. Já em Achada Limpo, a previsão de conclusão das obras é de cinco a seis meses.

O Chefe do Governo anunciou ainda que o Orçamento de Estado para 2026 irá reforçar o programa de reabilitação habitacional, com mais de 3.600 casas previstas.

O PM destacou que o acesso à habitação jovem será também facilitado, com um aumento na bonificação dos juros para 50% e a criação de garantias estatais para permitir maior acesso ao crédito.

Com estas ações, o Governo reforça o compromisso com uma política habitacional inclusiva, voltada para a melhoria das condições de vida e promoção da dignidade das famílias Cabo-verdianas.

Demitiu-se Ministra Cubana do Trabalho

Em causa uma polémica com a governante que havia dito que “não há mendigos” no País mas sim “pessoas disfarçadas”

Demitiu-se a Ministra Cubana do Trabalho, na sequência de uma polémica em torno de mendigos naquele País.

Marta Elena Feitó apresentou a demissão que foi prontamente aceite pelos órgãos do Partido Comunista Cubano e pelo Conselho de Estado, após ter reconhecer “erros” na sua intervenção no Parlamento.

Ela negou a existência de pessoas a procurar comida no lixo, afirmando que estão, na verdade, a “recuperar matéria-prima” de forma ilegal.

No Parlamento ela chegou a afirmar que “não há mendigos” no seu País, e que há apenas pessoas “disfarçadas”, uma declaração que motivou uma repreensão pública do próprio Presidente, Miguel Díaz-Canel.

O Palácio Presidencial refere, no entanto, que a Ministra renunciou ao cargo, na terça-feira.

Faleceu Presidente da Académica da Boa Vista

Saulo Soares faleceu esta quarta-feira, de forma súbita

Faleceu esta quarta-feira, na Cidade da Praia, de forma súbita, Saulo Soares, Presidente da Académica Operária da Boa Vista.

De acordo com informações apuradas, Saulo Soares encontrava-se na Capital do País a acompanhar a esposa, que está prestes a dar à luz. O dirigente desportivo sofreu um acidente doméstico, que resultou tragicamente na sua morte.

A notícia do seu falecimento está a causar grande consternação na comunidade Boavistense e entre os amantes do futebol Cabo-verdiano. A Federação Cabo-verdiana de Futebol já manifestou o seu pesar pela perda, destacando o contributo de Saulo Soares para o desporto nacional.

Governo e RTC assinam novo contrato de concessão válido por 15 anos

Novo contrato traz um aumento significativo da compensação financeira à RTC — de 48 mil para 86 mil contos anuais — montante já em vigor desde janeiro deste ano

O Governo e a Rádio e Televisão de Cabo Verde (RTC) assinaram esta quarta-feira, 16, na Cidade da Praia, um novo contrato de concessão do serviço público de Rádio e Televisão, substituindo o anterior em vigor desde 2013.

O novo documento, com uma vigência de 15 anos, marca o início de uma nova etapa para os media públicos nacionais.

Durante a cerimónia, o Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, destacou que este passo representa o cumprimento de mais um compromisso do programa de Governo, com o objetivo de consolidar uma comunicação social pública moderna, imparcial, plural e inclusiva, com presença em todo o território nacional e na diáspora.

“A RTC tem de liderar com relevância, não por audiências, mas pela missão de serviço público, promovendo valores como a verdade, a tolerância e a paz, num tempo marcado por fake news e desinformação”, sublinhou.

novo contrato traz ainda um aumento significativo da compensação financeira à RTC — de 48 mil para 86 mil contos anuais — montante já em vigor desde janeiro deste ano.

O documento prevê cláusulas de revisão associadas à qualidade, inovação, capacitação de recursos humanos e sustentabilidade da empresa pública.

“Assumimos juntos o compromisso de entregar aos cabo-verdianos uma comunicação social pública adaptada à nova era”, concluiu, felicitando a RTC por este novo ciclo.

Fogo. Três funcionárias públicas acusadas de peculato

Suspeitas, com idades entre 35 e 42 anos, foram alvo de medidas de coação que incluem a proibição de sair do país, suspensão do exercício de funções públicas e obrigação de apresentação periódica às autoridades

O Tribunal da Comarca de São Filipe aplicou medidas de coação a três funcionárias públicas, suspeitas da prática de vários crimes de peculato em forma continuada.

As medidas incluem a interdição de saída do País, suspensão do exercício de funções públicas e apresentações periódicas às autoridades.

As suspeitas, com idades entre 35 e 42 anos, foram detidas fora de flagrante delito com o apoio da Polícia Nacional, por ordem do Ministério Público, que sustenta haver fortes indícios de apropriação indevida de bens ou valores públicos da empresa onde trabalham.

As mulheres foram submetidas a primeiro interrogatório judicial na terça-feira, 15, e o processo, que se encontra em fase de investigação, permanece em segredo de justiça.