PM apresenta plano de transformação digital de Cabo Verde em Washington

Ulisses Correia e Silva foi orador no Dia de África promovido pelo Banco Mundial. Chefe do Governo partilhou um painel de alto nível com o Ajay Banga, Presidente do Grupo Banco Mundial, e Patrick Achi, ex-Primeiro-Ministro da Costa do Marfim

O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, participou em Washington, na primeira celebração do Dia de África organizada pelo Grupo Banco Mundial, sob o lema “Celebrar a Herança Africana e a sua Evolução – Parceria com o Grupo Banco Mundial”.

Durante o evento, que contou com a presença de líderes Africanos e altos responsáveis da instituição financeira, o Chefe do Governo integrou um painel de alto nível ao lado do Presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, e do ex-primeiro-ministro da Costa do Marfim, Patrick Achi.

Na sua intervenção, Ulisses Correia e Silva apresentou a visão estratégica de Cabo Verde para a transformação digital, a transição energética e o desenvolvimento sustentável, destacando o compromisso do país com uma economia moderna, verde e digital.

“Estamos a modernizar a administração pública, a promover a transparência e a inclusão, e a criar um ambiente propício ao investimento e à inovação”, afirmou.

Segundo explicou, o Governo já avançou com portais digitais e serviços online e aposta fortemente na diversificação económica e na criação de empregos qualificados, através de infraestruturas como o TechPark e a Zona Tecnológica Especial.

No domínio da ação climática, Ulisses Correia e Silva sublinhou que Cabo Verde está a reforçar o uso de energias renováveis, com metas ambiciosas, integradas com os sistemas de dessalinização, de forma a garantir um futuro mais sustentável e resiliente.

BAD prevê crescimento moderado da economia Cabo-verdiana em 2025 e 2026

Crescimento projetado de 5,3% em 2025 e 4,9% em 2026 reflete o impacto das incertezas globais, que podem afetar negativamente o desempenho do setor turístico

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estima um crescimento moderado da economia Cabo-verdiana, com o PIB a subir 5,3% em 2025 e 4,9% em 2026.

A previsão, divulgada hoje no relatório Perspetivas Económicas Africanas 2025, destaca o impacto das incertezas globais no setor do turismo, tradicional motor da economia nacional.

O BAD aponta ainda os investimentos no setor energético como impulso adicional ao crescimento económico no próximo ano.

A inflação deverá manter-se estável, em torno de 1,4% em 2025 e 1,8% em 2026, sustentada por uma política macroeconómica prudente. O défice orçamental deverá recuar para 2,4% do PIB em 2025 e 1,8% em 2026, enquanto o défice da balança corrente rondará os 2,6% e 3%, respetivamente.

Para desbloquear o seu potencial, Cabo Verde deve avançar com reformas estruturais, melhorar a qualidade institucional, combater a corrupção e promover maior participação do setor privado, defende o BAD.

O relatório foi apresentado durante as reuniões anuais da instituição, que decorrem esta semana em Abidjan, Costa do Marfim.

Navio Kriola sofre descarrilamento parcial durante reparações na CABNAVE

Não houve qualquer ferido nem danos significativos às equipas envolvidas

A CABNAVE – Estaleiros Navais de Cabo Verde informou que, na manhã desta terça-feira, 27, durante os trabalhos de reparação do navio Kriola, ocorreu um pequeno incidente no estaleiro.

Segundo a empresa, o navio saiu parcialmente das zonas de assentamento durante a operação, mas não houve qualquer ferido nem danos significativos às equipas envolvidas. “Os danos materiais aparentam ser de pouca expressão”, destacou.

Para garantir a continuidade das reparações com a máxima segurança, a CABNAVE vai lançar novamente o Kriola à água e proceder à sua alagem, assegurando o correto assentamento da embarcação.

Em paralelo, será instaurado um processo interno de averiguação para apurar as causas do incidente e evitar futuras ocorrências.

A CABNAVE mantém uma estreita coordenação com a CV Interilhas, armadora do navio, e garante que está a trabalhar para concluir os trabalhos de reparação com a máxima brevidade.

PM encontra-se com Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional em Washington

Na ocasião, Ulisses Correia e Silva partilhou com Kristalina Georgieva o projeto do Governo de criar, com apoio técnico do FMI, um centro de excelência de formação fiscal, financeira e macroeconómica, orientado para o espaço Lusófono e CEDEAO

O Primeiro-Ministro, encontrou-se hoje, em Washington, com a Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, com quem teve oportunidade de rever “a boa parceria” entre Cabo Verde e o FMI, e num momento em que o País é reconhecido pela sua estabilidade macroeconómica e resiliência face às crises globais, nomeadamente a pandemia de Covid-19 e a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia.

“Discutimos os desafios futuros, com destaque para as reformas e investimentos necessários à diversificação e ao crescimento económico, bem como o nosso forte empenho na trajetória descendente da dívida pública”, avançou o Chefe do Governo.

Para o Primeiro-Ministro, a estabilidade de Cabo Verde “continua a ser uma prioridade, essencial para gerar confiança e atrair mais investimentos”.

Ulisses Correia e Silva partilhou com Kristalina Georgieva o projeto do Governo de criar, com apoio técnico do FMI, um Centro de excelência de formação fiscal, financeira e macroeconómica, orientado para o espaço lusófono e CEDEAO.

Recorde-se que o Primeiro-Ministro está em missão oficial a Washington, de hoje ao dia 29 de maio, no âmbito das celebrações do 50.º aniversário da independência de Cabo Verde.

Suspeito de atropelamento em celebração do Liverpool acusado de tentativa de homicídio

Homem de 53 é também acusado de condução perigosa e sob efeito de drogas

O homem de 53 anos suspeito de atropelar uma multidão durante as celebrações do título do Liverpool na Premier League foi acusado de tentativa de homicídio e está em prisão preventiva.

Segundo a polícia Britânica, o indivíduo é também acusado de condução perigosa e sob efeito de drogas.

O incidente ocorreu numa rua fechada ao trânsito, onde uma carrinha cinzenta foi conduzida contra os adeptos.

Mais de 40 pessoas ficaram feridas, incluindo quatro em estado grave, e 11 continuam hospitalizadas. Entre os feridos estão crianças.

Incêndio em Campanas de Baixo consome sete hectares de terrenos agrícolas

Fogo foi rapidamente controlado antes das 14h00, graças à pronta intervenção do contingente militar e aos bombeiros locais

Um incêndio de grandes proporções consumiu esta terça-feira, 27, cerca de sete hectares de terrenos agrícolas, pastagens e áreas com fruteiras em Campanas de Baixo, no Município de São Filipe, Ilha do Fogo.

Segundo o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente, Estevão Fonseca, o fogo foi rapidamente controlado antes das 14h00, graças à pronta intervenção do contingente militar e aos bombeiros locais.

O levantamento da área afetada foi feito com recurso a drone, permitindo uma avaliação mais precisa dos danos.

Apesar da extinção do incêndio, as autoridades mantêm vigilância no terreno para evitar reacendimentos.

Estevão Fonseca alertou para o risco de novas ocorrências, destacando que este é o quinto incêndio de grande dimensão só no mês de maio, e todos têm como causa principal a negligência humana, especialmente na realização de queimadas.

Até agora, estima-se que os incêndios tenham destruído cerca de 400 hectares de terrenos agrosilvopastoris na Ilha, com danos significativos ao ambiente, propriedades privadas e elevados custos operacionais.

O delegado reforçou o apelo à prevenção, lembrando que as florestas são bens públicos e devem ser protegidas com responsabilidade.

O contingente militar envolvido na operação já regressou à Cidade da Praia.

Estádio Nacional acolhe Jubileu das Crianças da Diocese de Santiago

Jubileu das Crianças acontece no dia 1 de junho no quadro das comemorações dos 500 anos do Episcopado, a assinalar-se em 2033

A Diocese de Santiago promove no dia 1 de junho, no Estádio Nacional, o Jubileu Diocesano das Crianças e Adolescentes, no quadro das comemorações dos 500 anos do Episcopado, a assinalar-se em 2033.

Segundo o padre Odair Tavares, a iniciativa dá continuidade a um ciclo de jubileus por gerações. “No ano passado celebramos os jovens, este ano as crianças, e no próximo os idosos”, explicou.

O evento terá como ponto alto uma celebração eucarística animada pelas próprias crianças, com cânticos, leituras e serviço ao altar.

A tarde será preenchida com atividades culturais, incluindo música, teatro e dança.

O lema do Jubileu é “Deixai vir a mim as criancinhas” e visa reforçar valores como fé, pureza, alegria e paz social. A deslocação será organizada pelas paróquias com apoio das autoridades e serviços de emergência.

O objetivo, segundo o padre, é ajudar a formar cidadãos mais justos e conscientes da sua missão cristã.

“Queremos formar crianças e adolescentes que cresçam não só em estatura e inteligência, mas também na fé. Adultos conscientes da sua missão cristã, capazes de construir uma sociedade melhor”, disse.

Seleção nacional de futebol já está na Malásia para jogos amigáveis

Tubarões Azuis defrontam a Malásia em dois encontros, nos dias 29 de maio e 3 de junho. A terceira partida será no dia 8 de junho, frente à Geórgia

A Seleção nacional de futebol já está concentrada na Malásia, onde iniciou esta terça-feira, 27, um estágio de preparação para três jogos amigáveis nesta janela FIFA.

Os Tubarões Azuis defrontam a Malásia em dois encontros, nos dias 29 de maio e 3 de junho, em Kuala Lumpur, sendo o segundo à porta fechada. A terceira partida será no dia 8 de junho, frente à Geórgia, em Kutaisi.

A equipa técnica liderada por Bubista espera contar ainda hoje com todos os jogadores convocados, após compromissos de fim de semana com os clubes.

Logan Costa, inicialmente convocado, foi dispensado devido a lesão. Para o seu lugar foi chamado Kristopher da Graça, do FC Schaffhausen, da Suíça.

O estágio decorre de 27 de maio a 9 de junho.

Fogo. Idosa queima lixo e causa incêndio de grande escala em Campanas de Baixo

Área afetada é predominantemente agrícola e de pastagem, com árvores frutíferas. Não há habitações em risco no momento

Um incêndio de grandes proporções está a lavrar na zona de Campanas de Baixo, extremo norte do Município de São Filipe, na Ilha do Fogo.

O fogo começou por volta das 08:30, quando uma senhora idosa queimava lixo perto de sua residência e, devido ao vento, as chamas fugiram do controle e alastraram-se para zonas mais altas.

A área afetada é predominantemente agrícola e de pastagem, com árvores frutíferas, e não há habitações em risco no momento.

As autoridades continuam a acompanhar a situação para evitar que o incêndio se propague ainda mais.

O Corpo de Bombeiros de São Filipe está no terreno e apoiado por populares no combate ao incêndio, mas o fator vento não está a contribuir no combate.

Este é o quinto incêndio registado no espaço de duas semanas, na Ilha.

Crise do PS, dilema do PSD: entre a rivalidade e a defesa da democracia.

Na sequência das últimas eleições legislativas em Portugal, em que o Partido Socialista (PS) — o histórico partido de Mário Soares — caiu para a terceira força política no Parlamento, sendo ultrapassado pelo Chega de André Ventura, reacenderam-se os debates sobre a estabilidade do sistema político português no futuro próximo.

É verdade que o regime democrático português tem-se revelado resiliente: desde 1976 realizam-se eleições regulares, existe separação de poderes, liberdade de imprensa e um sistema judicial funcional. O equilíbrio institucional entre o Presidente da República, o Governo e a Assembleia da República tem prevalecido.

Contudo, o surgimento e a consolidação de novas forças políticas têm contribuído para a fragmentação parlamentar, dificultando cada vez mais a formação de maiorias estáveis. Esta fragmentação tem-se traduzido em governos minoritários ou coligações frágeis, acentuando a volatilidade do sistema e gerando episódios de instabilidade política que têm culminado em eleições antecipadas.

É neste contexto que importa analisar os resultados do PS nas últimas eleições e refletir sobre o seu futuro. Igualmente relevante é ponderar o papel reservado ao Partido Social Democrata (PSD), fundado por Francisco Sá Carneiro, no atual momento político.

À primeira vista, poderá parecer estranho, mas o PSD não pode ignorar a conjuntura do PS, devendo adotar uma postura reflexiva e, até certo ponto, colaborativa, contribuindo para o seu reerguer. Esta reflexão é vital, pois ajudar a preservar o PS equivale a proteger o regime democrático e liberal tal como o conhecemos.

A democracia representativa, como sublinhava Norberto Bobbio, “vive e respira através da mediação dos partidos políticos”. Quando os partidos comprometidos com o sistema perdem centralidade em favor das forças anti-sistema, todo o edifício democrático sofre abalos.

A História oferece-nos diversos exemplos de partidos outrora centrais que colapsaram ou desapareceram: o PASOK na Grécia, a implosão da Democracia Cristã e do Partido Socialista em Itália, ou a erosão da UDF em França. Portanto, é claro que os partidos também obedecem ao ciclo de vida, isto é, nascem, crescem e morrem. Importa é fazer com que os partidos do sistema, como são os casos do PSD e PS, tenham uma longa vida.

Neste cenário, impende sobre o PSD, atualmente liderado por Luís Montenegro, uma responsabilidade singular: impedir que a democracia portuguesa sucumba à tentação populista. Não se trata apenas de uma escolha estratégica, mas de um imperativo ético e institucional.

Compete-lhe, paradoxalmente, ajudar a manter a relevância do PS no sistema partidário, evitando que o seu colapso alimente as franjas mais radicais do espectro político. Esta missão exige grandeza de espírito e visão. Requer a capacidade de ir além do cálculo eleitoral, da rivalidade política e reconhecer no seu tradicional adversário um pilar essencial da saúde do regime.

Como recordava Pierre Rosanvallon, “a democracia não é apenas o regime da alternância, mas o regime da reciprocidade política” — e essa reciprocidade implica o reconhecimento do outro como parte legítima da equação democrática.

O PSD já demonstrou, no passado, capacidade de agir estrategicamente em nome do interesse superior do regime, como se viu na formação da Aliança Democrática (AD) com o CDS-PP. Apesar de serem realidades distintas, o princípio subjacente mantém-se: mais do que alianças formais, importa assegurar um sistema partidário funcional, com alternativas claras ao centro e instituições capazes de responder às exigências da cidadania democrática.

Neste ponto, vale a pena lembrar a distinção feita por Fareed Zakaria entre democracias eleitorais e democracias liberais. As primeiras realizam eleições, mas podem escorregar para formas iliberais de governo. As segundas, além de eleições, garantem direitos fundamentais, limites ao poder e pluralismo político. É esta segunda dimensão que está em risco quando a polarização destrutiva substitui a alternância saudável.

A excessiva fragilização de um partido como o PS — tal como sucederia com o PSD, se os papéis fossem invertidos — abre espaço para fenómenos disruptivos que corroem as fundações do sistema. Como alertava Yascha Mounk, “os populistas vencem prometendo renovar a democracia, mas governam minando as instituições que a sustentam”.

No caso de Portugal, a proposta de salvar o país pode, na verdade, estar a preparar o terreno para desmantelar a democracia tal como tem sido exercida desde 1976. É, portanto, essencial preservar uma arena política onde o centro-direita e o centro-esquerda se desafiem, mas também se legitimem mutuamente.

Caso contrário, o PSD cometerá o mesmo erro do PS quando governou: isolou o PSD, enfraqueceu o centro e reforçou os extremos. É o próprio Francisco Assis, figura relevante do PS, quem recentemente afirmou numa entrevista: “O PS no governo desvalorizou o PSD”.

Chegou, pois, o momento de ambos os grandes partidos tirarem ilações dos seus atos recentes, olharem-se ao espelho e refletirem profundamente sobre a realidade política atual e as perspetivas futuras. É crucial entenderem que a democracia não é um jogo de soma zero.

O enfraquecimento excessivo de um partido central não representa apenas a vitória do outro, mas o colapso do ecossistema político no seu conjunto. A tentação de eliminar o adversário pode parecer vantajosa no curto prazo, mas compromete, inevitavelmente, a estabilidade do regime e a liberdade dos cidadãos.

Sabemos bem que, nas lutas partidárias, a tendência natural é derrubar o adversário, levá-lo ao tapete e, se possível, esmagá-lo. Mas essa não é uma atitude racional. Porque os espaços deixados vazios acabam por ser ocupados — e nem sempre por quem serve a democracia.

Por isso, a pergunta inevitável que hoje se impõe é: se um dos pilares do sistema democrático ruir, quem ocupará esse vazio?

A resposta a esta interrogação não determinará apenas o rumo imediato da política portuguesa, mas também — e sobretudo — a maturidade do regime, ou seja, a qualidade da democracia enquanto espaço de pluralismo, tolerância, inclusão e respeito pelas liberdades fundamentais.

Ignorar este desafio é abrir caminho à normalização do populismo, à erosão institucional e, obviamente, à corrosão lenta mas certa da cultura democrática.