Antigo presidente da UCID, que falhou a eleição como deputado em São Vicente, condena insultos e fanatismo partidário nas redes sociais
O antigo presidente da UCID, António Monteiro, defendeu um debate político “mais respeitador e menos agressivo” no rescaldo das eleições legislativas de domingo, sublinhando que a democracia “não entrou de férias” após o encerramento do processo eleitoral.
Numa publicação feita na sua conta pessoal no Facebook, António Monteiro, que foi número três da lista da UCID por São Vicente, mas não conseguiu eleger-se deputado, reagiu ao ambiente político e às críticas recebidas nos últimos dias, algumas das quais classificou como “marcadas por intolerância, violência verbal e ataques pessoais”.
No texto, o antigo líder democrata-cristão afirma que a democracia “não exige unanimidade” e que o pluralismo político é “uma condição essencial da liberdade”, recordando ainda que “o voto confere mandato, mas não suspende o escrutínio”, defendendo que os cidadãos devem continuar a acompanhar e fiscalizar a governação mesmo depois das eleições.
António Monteiro aproveitou também para recordar o percurso histórico da UCID, fundada em 1978 na diáspora cabo-verdiana, durante o regime de partido único, considerando que a democracia em Cabo Verde “foi conquistada com persistência, sacrifício, coragem e sentido de responsabilidade”.
Ao longo do seu texto de opinião, o antigo presidente da UCID condena o “fanatismo partidário” e alerta para os riscos da degradação do debate público. “Quem insulta o adversário não fortalece o seu partido; enfraquece a democracia”, escreveu.
Na conclusão da publicação, António Monteiro deixa um apelo à cidadania e ao respeito entre adversários políticos: “Menos insulto, mais respeito. Menos fanatismo, mais cidadania. Menos agressividade, mais Democracia”, escreveu.

