Há realidades que dispensam ser apontadas, mas todos as sentem. Há ambientes que não precisam de palavras para revelar o que está errado — basta vivê-los.
A condução de uma instituição e tão importante quanto a sua própria existência e finalidade. Muita das vezes essa condução nos levanta inquietações que devem ser expostas, sempre com o sentido de melhoria. Em certos contextos, a conduções institucional faz parecer que, espaços de serviço público passam a ser geridas como território pessoal, uma propriedade onde prevalece interesses outros, zonas de conforto e relações de conveniência. Nesse tipo de ambientes muitas das melhores mentes são perdidas ou pior apagadas.
Importa reconhecer que nem sempre a responsabilidade está apenas na gestão ou nos responsáveis pelas nomeações para determinados cargos. Muitas vezes, o problema reside na conduta das pessoas indicadas para ocupar determinadas posições de liderança. Pessoas sem empatia, sem capacidade de escuta e sem sentido de missão em funções estratégicas tendem, quase sempre, a provocar um desastre na gestão, principalmente na gestão dos recursos humanos, o maior ativo de uma instituição. O desenvolvimento não se constrói apenas com políticas ou poder; constrói-se, sobretudo, com pessoas alinhadas com o objetivo da governação e comprometidas com o crescimento institucional e com o projeto de país que se pretende construir.
Confunde-se, demasiadas vezes, liderança com ocupação do Poder. Liderar não é impor, nem proteger o próprio espaço. Liderar é servir, orientar e criar condições para que outros sejam acolhidos e possam cresçer. Quando o ego se sobrepõe à responsabilidade e o interesse individual ao coletivo, o progresso deixa de ser prioridade. Os cargos são temporários, mas as atitudes e o carácter deixam marcas.
Há também uma fragilidade silenciosa, mas evidente: a recusa em aceitar novas ideias, o bloqueio à inovação e a resistência à mudança. Estas ações não revelam força, mas sim limitação. Instituições que não sabem escutar acabam por se fechar sobre si mesmas — e tudo o que se fecha, com o tempo, estagna.
Neste cenário, os jovens sentem o peso, em uma instituição, que em vez de os acolher, os limita. Há talento, há vontade e visão , mas há falta de espaço, abertura e confiança, promovido por lideranças que se fecham em si mesmas. Quando ideias são vistas como ameaça, perde-se aquilo que poderia ser revelante!
O mais preocupante é o silêncio e o medo, que não nasce apenas de um certo receio de perder oportunidades, estabilidade ou sustento, mas também, e muitas das vezes, de jogos e armadilhas arquitetadas, em tentativas de desestabilizar ou eliminar os que simplesmente não fazem parte de um de um círculo específico. Em alguns contextos, surgem práticas de combinações velada, onde se utilizam recursos institucionais para fragilizar ou desacreditar indivíduos. Neste cenário, os mais vulneráveis, acaba, frequentemente, por lidar com consequências. E assim, muitos optam por calar, não por concordarem, mas por não encontrarem um espaço seguro para se posicionarem.
É neste contexto que surgem os “pequenos poderes” que sufocam a competência, ofuscam quem procura contribuir de forma genuína e travam o crescimento. Em vez de cooperação, instala-se uma competição desnecessária; em vez de progresso, há estagnação; em vez de motivação, há indiferença. Quando estas atitudes se repetem, a instituição acaba por afastar precisamente aqueles que mais querem contribuir, comprometendo o seu próprio desenvolvimento.
E, no entanto, há algo que não pode ser ignorado, a verdade permanece! Há sempre forma onde se pode recorrer, cedo ou tarde.
Se queremos um país que avance, precisamos de mais do que discursos e mais do que ocupação de espaço de poder. Precisamos de líderes institucionais competentes, mas também humanos, com empatia, respeito e sentido de responsabilidade. Precisamos de ambientes mais justos, onde haja igualdade de oportunidades e onde a colaboração supere a competição destrutiva. Os jovens que tem competência e com vontade de contribuir não podem ser considerados como uma ameaça. Praticas dessa natureza, existem e continua de forma subtendida em instituições, as mesmas devem ser reprovadas, e convidam a uma reflexão crítica.
Há lugar para todos que aspiram a contribuir de forma significativa para o desenvolvimento coletivo.

