Escolha de Adilson Cruz, professor de Matemática transferido de São Vicente para assumir a delegação da Educação no Sal, está a provocar críticas entre docentes e pais, que questionam a decisão do Governo e pedem esclarecimentos sobre o seu passado
A nomeação de Adilson Cruz para delegado da Educação na ilha do Sal está a gerar forte contestação entre professores e outros setores da comunidade educativa na ilha. O docente de Matemática encontrava-se a lecionar em São Vicente e foi transferido para o Sal para assumir o cargo.
Adilson Cruz, que terá deixado a ilha há cerca de quatro anos, já lecionou nos Espargos e em Santa Maria e foi também deputado municipal eleito pelo PAICV no Sal.
A contestação à nomeação não se limita à escolha política para o cargo. Segundo várias fontes ouvidas pelo OPAÍS.cv, existem também preocupações relacionadas com alegados comportamentos do docente durante o período em que lecionava na ilha, nomeadamente alegadas relações com estudantes menores.
Uma das situações apontadas pelas fontes envolve uma antiga aluna que, à época, seria menor de idade e com quem o professor teria tido uma filha, atualmente adolescente. As mesmas fontes alegam ainda que este não teria sido um caso isolado e questionam se as autoridades educativas locais terão, na altura, dado o devido tratamento às denúncias.
As acusações estão a alimentar a indignação de alguns professores e pais, que defendem que a nomeação deve ser reavaliada e anulada.
“Tanto os professores como os pais devem contestar esta nomeação”, defende uma fonte, considerando que eventuais alegações envolvendo menores deveriam ser devidamente esclarecidas antes de alguém assumir responsabilidades de direção no sistema educativo.
A polémica coloca pressão diretamente sobre o ministro da Educação, Arnaldo Brito, e sobre o Governo do PAICV, liderado por Francisco Carvalho, perante a questão de saber quais foram os critérios utilizados para a escolha e se foram avaliadas eventuais situações relacionadas com o passado profissional do nomeado.
Para os críticos, mais do que uma questão político-partidária, está em causa a confiança da comunidade educativa numa figura que passa a exercer autoridade sobre professores, alunos e escolas.
Um assunto que promete novos desenvolvimentos.



