Novos delegados da Educação geram contestação entre professores e levantam dúvidas sobre critérios das nomeações

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A substituição dos delegados da Educação nos 22 concelhos do país está a provocar forte contestação em vários pontos de Cabo Verde. Professores e agentes do setor questionam os critérios adotados pelo Governo nas nomeações, considerando que alguns dos escolhidos não reúnem o perfil adequado para liderar estruturas responsáveis pela gestão e acompanhamento do sistema educativo a nível local

O Governo está a proceder à nomeação de novos delegados da Educação para os 22 concelhos do país, substituindo todos os responsáveis que se encontravam em funções. Muitos dos anteriores delegados já tinham manifestado indisponibilidade para continuar nos cargos após a mudança de governo.

Contudo, as novas indicações estão a suscitar críticas entre professores, desde Santo Antão até à Brava, que alegam existirem casos em que os nomeados não possuem experiência, qualificações ou conhecimento da realidade educativa dos concelhos onde irão exercer funções.

Uma das situações mais contestadas diz respeito à ilha do Sal, onde foi nomeado um docente proveniente de São Vicente. Segundo várias vozes do setor, o professor nunca lecionou no Sal e desconhece a realidade das escolas e da comunidade educativa da ilha, circunstância considerada incompatível com as exigências da função.

Na Boa Vista, a escolha recaiu sobre uma vereadora da Câmara Municipal, decisão que também está a gerar reservas. Há quem considere pouco compreensível retirar uma eleita autárquica, em exercício de mandato há cerca de um ano e meio, para assumir a delegação da Educação, quando existem outros docentes no concelho apontados como aptos para o cargo.

No Tarrafal de São Nicolau, a nomeação de uma monitora de jardim de infância e proprietária de um estabelecimento privado do mesmo setor está igualmente a ser alvo de críticas. Alguns professores levantam dúvidas quanto a um eventual conflito de interesses e defendem que a nomeada não conhece a realidade do ensino público, por nunca ter desempenhado funções nesse subsistema.

As críticas estendem-se ainda a outras nomeações, com docentes a apontarem que alguns dos novos delegados não possuem licenciatura, tendo apenas o grau de bacharel ou formação obtida no antigo Instituto Pedagógico, situação que, na opinião de vários profissionais da educação, não corresponde ao nível de exigência esperado para o cargo.

Entretanto, o ministro da Educação, Arnaldo Brito, reuniu-se esta quinta-feira, por videoconferência, com os novos delegados da Educação, num primeiro encontro de trabalho destinado a apresentar a visão estratégica do ministério para a legislatura e definir as prioridades para o próximo ano letivo, segundo uma nota publicada no Facebook.

Durante a reunião, o governante destacou a necessidade de reforçar a qualidade das aprendizagens, promover a inclusão, valorizar os professores e aproximar a ação das delegações das comunidades educativas. No encontro, o ministro terá defendido a necessidade de criação de delegações mais fortes, capazes de conhecer a realidade de cada concelho, acompanhar as escolas e mobilizar os parceiros locais para melhorar o sistema educativo nacional.

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