O cidadão Gilson Alves é um “outsider”…

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Declaração de interesse: sou contra a alteração da ordem constitucional pela via da violência ou através de golpes palacianos!

Como em política o que conta são os factos (os discursos, a palavra pública, a escrita e a prática política) eu não analiso o fenômeno politico com o estado de alma, portanto não estou “estupefato” com a notícia veiculada pela TCV, mas sim com a estupefação seletiva!

O ex-candidato ao cargo de PR, nas presidenciais de 2021, o cidadão Gilson Alves, fez toda a campanha afirmando que se candidatava, entre outros, para implantar um regime autoritário dirigido por um PR com poderes absolutos!

Estou convencido de que o comportamento da maioria dos eleitores tem sido fundamentado no seguinte: o Palácio do Plateau já tinha um “dono” predestinado, mas como o candidato Gilson Alves não tinha chance de ganhar era lhe permitido dizer tudo o que queria! Era motivo de chacota!

O que mudou de 2021 para 2026?

A afirmação de que se não for pela via do voto será PR pela força, portanto com recurso a violência!

Nenhuma estupefação aos ataques diretos ao Poder Judicial;nenhuma estupefação a obstrução da Justiça; nenhuma estupefação a limitação temporária da liberdade dos cidadãos por um titular de cargo político; nenhuma estupefação a incitação da revolta contra os Procuradores; nenhuma estupefação em relação à ideia de mudar a Constituição para acabar com a independência dos tribunais e submeter o Poder Judicial ao Poder Político; nenhuma estupefação quanto à proposta de nomeação dos Procuradores da República por concurso público, etc.

Essas práticas são autoritárias e contra a ordem constitucional em vigor e são graves porque são exercidas por atores políticos legitimados pelo voto popular, no quadro de uma Constituição que juraram cumprir e fazer cumprir!

E qual é a diferença de fundo?

O cidadão Gilson Alves é um “outsider”, no sentido de que não tem instrumento de poder e de espaços institucionais de produção da política. Para não atacar a substância do assunto em debate, como bom crioulo que somos, as pontarias estão voltadas para a TCV! É mais fácil!

Em relação aos políticos sistêmicos, titulares de cargos políticos, detentores da legitimidade democrática e de posições de poder, bem como de espaços institucionais de produção da política verifica-se uma relativização conveniente e normalizável! Em suma, uma “estupefação” seletiva!

Pois é: as fontes e as práticas de índole autoritária estão aí à vista de todos e são de longe mais preocupantes do que as promessas de um “outsider” de substituir a democracia por um regime autoritário e autocrático.

Defendamos a democracia, o Estado de direito e a legitimidade democrática por inteiro, porque o que está em causa é o regime consagrado na Constituição de 1992!

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Estou em crer que se o cidadão Gilson Alves (ele não era detentor da nacionalidade portuguesa? Renunciou?) tornasse mais «higiénica» a montanha de absurdos que propala, era capaz de surpreender pela validação nas urnas dessas ideias. A prova disso são os Órbans (dileto amigo do governo do MPD), os Trumps, as Le Pens, os Venturas e quejandos.
    Brinquem com o povo soberano, depois não se queixem. O caldo está lá; basta aparecer quem saiba mexê-lo e servi-lo como projeto político papável.

  2. A primeira preocupação deveria ser com a sanidade mental deste indivíduo. Muitas vezes não percebemos que certos comportamentos são fruto de algum trauma, abuso ou frustração, sobretudo na infância e adolescência. Num país como CV, em que todos se conhecem, é fácil perceber a origem do ódio, da maldade, do desejo de vingança, da inveja ou do complexo — ou seja, da perturbação mental das pessoas.
    As redes sociais vieram dar voz a pessoas adultas recalcadas, perturbadas e desequilibradas devido a vários fatores que viveram na infância e adolescência, como pobreza, discriminação, falta de amor, falta de afeto e ausência do pai, abusos sexuais, violêrncia domestica etc etc. Há gente que estudou e conseguiu “vencer materialmente” na vida, mas ainda odeia, inveja e quer eliminar quem, na infância, teve mais do que ele; quem vivia no bairro onde ele queria viver, mas não pôde. Carregam um complexo de inferioridade por não terem tido, por exemplo, um pai presente ou uma família abastada. Nem sempre são razões ideológicas e políticas que justificam certos comportamentos e comentários de ódio; é mesmo vontade de se vingar e de destruir moralmente aqueles que acham eternamente superiores a eles. Ter cargos, dinheiro e bens materiais não muda o perturbado mental. Ele terá sempre um alvo a atingir.

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