FC confessou, sem querer, uma coisa espantosa: a economia cabo- verdiana está em tão boa forma e com um desempenho igualmente notável da gestão do sistema fiscal que ele, candidato a PM, encontra no orçamento de Estado vigente todos os recursos financeiros para pagar todo o seu pacote de gratuitidade no alegado programa Cabo Verde para todos. E até se deu ao luxo de diminuir as receitas com a proposta de baixar os impostos (sobre as pessoas e empresas) e mesmo assim financiar a 100% os custos da saúde, educação, transportes, habitação e etc. Na verdade, não apresentou uma única proposta que conduzisses ao aumento de receitas! Disse mesmo que era apenas um problema de redistribuição. Tudo estava no OE vigente do governo do MpD. Registe-se para não mais ser retirado!
As expectativas já eram baixas para FC mas conseguiu mesmo assim surpreender pela negativa: ali não mora nenhuma ideia nova, nenhum pensamento original ou fora da caixa, nem sequer uma ideia ortodoxa, ali reside quase nada! Pose e mais pose, discurso redondo, cheio de bolinhas, carregado de nada. Olha para as câmaras, arqueia os braços, sacode a cabeça, inclina-se para frente, cara séria, ar compungido, quase de sofrimento, e diz bla bla bla, sempre com cara séria, contrastando a vacuidade da frase com a solenidade da pose. “Os cabo-verdianos conhecem-me… temos que ter um olhar diferente … vamos mudar a perspectiva… é preciso reformular tudo de novo… o fundamental é ter uma nova visão… reconfigurar todo o modelo”.
Frases ditas com pose, em tom quase pomposo, mas a ideia fica sempre no enunciado e não dá nenhuma outra passada, morre mesmo ali na praia da partida. Foi pior do que tinha imaginado, mas confesso que conheço mal o homem que pretende ser o PM de CV. Ao vê-lo e ouvi-lo a falar, depois do espanto, fiquei mais relaxado, pois obviamente pouca gente se atreveria a transportar o homem para a cadeira do palácio da Várzea.
A incapacidade de fundamentar as suas propostas, de estimar minimamente os seus custos e a disparatada ideia de se socorrer da verba dedicada aos estudos foram confrangedoras, levando a perguntar o que fora ali fazer se não sabia minimamente do que estava falar. Quem lhe terá empurrado para o martírio de um debate de 3 horas em que estava obrigado a falar de coisas sérias?
Os economistas que o assessoraram nem sequer se deram conta que à medida que iam tornando gratuito os serviços públicos que agora são pagos, ainda que parcialmente, estavam também a diminuir as receitas, pelo que estas não podem ser tomadas em toda a sua extensão para financiar as novas despesas resultantes da generalização da gratuitidade.
O debate foi esclarecedor: na pose do candidato do Novo Paicv fica a marca da ligeireza e da sua compulsiva necessidade de arrebanhar votos e na substancia de UCS estão enraizados a competência, a experiência e, sobretudo, um agudo sentido de responsabilidade.
Mas é o povo quem mais ordena no dia 17 de maio!


