Em tempos de discussão exacerbada sobre género, posiciono-me contra qualquer tentativa de condicionamento baseado em estereótipos. O debate sobre a remodelação governamental tem sido enviesado por uma narrativa simplista, focada apenas no facto de terem saído cinco mulheres, ignorando fatores essenciais como mérito, desempenho e prioridades políticas.
Antes de mais, afirmo sem qualquer receio: não sou adepta da sororidade. Defino-me como uma mulher feminista e, diga-se de passagem, extremamente feminina. Há quem confunda tudo isto, misture conceitos e, no fim, nem saiba ao certo o que defende enquanto mulher.
Sobre a sororidade, não me diz nada porque não acredito que as mulheres devem apoiar-se mutuamente apenas por serem mulheres. O que realmente une as pessoas são valores, princípios e caráter, não o género. Conheço mulheres que estiveram em posições de decisão e que poderiam ter feito a diferença na defesa dos direitos das mulheres, mas não o fizeram. Não por falta de poder, mas porque isso simplesmente não fazia parte das suas prioridades. Faltou empatia, sim – empatia no verdadeiro sentido da palavra, que é colocar-se no lugar do outro e agir em prol de algo maior.
Por outro lado, conheço homens que demonstram mais sensibilidade para com as mulheres do que muitas mulheres. Homens que compreendem, apoiam e defendem as nossas causas porque têm valores e princípios sólidos. Por isso, considero mais importante trabalhar os valores e princípios do que reduzir o debate a uma questão de género.
Dito isto, defendo a representatividade e as quotas em sociedades ou organizações historicamente fechadas às minorias. Mas sempre deixei claro que não defendo cargos para mulheres só por serem mulheres. As quotas devem existir para garantir oportunidades iguais, mas o mérito deve prevalecer sempre.
Tenho plena consciência de que a luta entre homens e mulheres continua a ser desigual em muitos contextos. Sei que somos geneticamente diferentes e que não podemos ser considerados iguais em tudo. Mas aquilo que devemos exigir é igualdade de oportunidades, sempre respeitando as nossas diferenças.



Estudos recentes dizem-nos que na Finlândia, na Suécia e na Noruega as mulheres estão a optar por carreiras menos científicas, enquanto que na Albânia e na Argélia as mulheres têm optado por carreiras mais científicas e tecnológicas. Nos 3 primeiros países não há qualquer problema de igualdade de género ( diria sexo), já os 2 últimos não são propriamente exemplos de igualdade entre homem e mulher. Isto tem que ver com uma questão importante, escolher em liberdade.
Penso que em Cabo Verde, os cidadãos, homens e mulheres, são iguais, à luz da Constituição. Sempre fez-me muita impressão essa questão da paridade, de quotas, seja de que tipo for. Entendo as políticas de quotas para as mulheres como uma tremenda violência para com elas. Não, não e não! Igualdade de oportunidades, mérito, capacidade, esses sim, são valores que devem prevalecer quando está em causa a participação das mulheres nas diferentes esferas da sociedade, seja política, empresarial, ou qualquer outra. Recorrer à engenharia social para atingir esse objetivo, não me parece boa opção. Até poderá dar algum resultado no curto prazo, mas a médio e longo prazos os resultados podem ser contrários aos esperados. Sou mulher e tenho orgulho em ser mulher. Tratar as mulheres como vítimas, isto é que não!
Pois é … até que em fim alguém já escreveu alguma coisa de jeito sobre a questão de “paridade”. Para mim a lei de paridade é um grande absurdo. O género não pode sobrepor-se ao mérito. E seria as próprias a se oporem a isto. A lei de paridade é uma forma de descriminação, eu sempre disse. Imaginem um organização qualquer, por uma questão de género, por obediência a “Lei de Paridade”, seja obrigada a nomear uma elemento medíocre em detrimento de outro excelente.
Muito obrigada à cronista, por ter a coragem de dizer, em certa medida, que o Rei vai nu!
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