O estado da Nação e os “piteus” do nobre deputado João Baptista e dos dirigentes do PAICV

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[1] Quando o líder do Grupo Parlamentar do PAICV, o nobre deputado João Batista, deu o pontapé de saída sobre o Estado da Nação, semanas antes do debate, surgiu de espada em riste, pronto para anunciar ao mundo o fim dos tempos: Cabo Verde está em retrocesso! Segundo ele, o país caiu na decadência porque agora se pagam 19.000$00 às cozinheiras das escolas, em vez dos sagrados 8.500$00 dos tempos áureos do PAICV.

[2] Mas o mais fascinante nesta peça de teatro político não é a indignação encenada pelos dirigentes do PAICV — é a amnésia seletiva. O nobre deputado esquece-se (ou finge esquecer) que, em 2016, o seu Governo pagava apenas 8.500$00 às mulheres das cantinas escolares, mesmo quando o salário mínimo já era de 11.000$00. Chamemos isso de engenharia salarial regressiva.

[3] Enquanto o Governo do PAICV surrupiava 2.500$00 mensalmente de cada cozinheira, havia, nesse mesmo período, quem recebesse mais de 700.000$00 por mês. Isso sim era austeridade com sabor a injustiça social. E qual foi a reação do nobre deputado? Silêncio. Um silêncio ensurdecedor.

[4] Agora, veja-se o absurdo: o país está a trabalhar para aumentar o salário de mais de 20.000 funcionários públicos — professores, enfermeiros, agentes da segurança pública — e o deputado João Batista vê nisso um retrocesso. Segundo a sua lógica, quanto menos se paga, mais progresso há. Talvez, para eles, devêssemos voltar a pagar salários com milho e sal.

[5] Em pleno 2025, com o país a reforçar a valorização dos seus servidores públicos, vem o mesmo partido que pagava migalhas às mães das cantinas afirmar que o país regrediu… porque agora elas ganham dignamente. Um verdadeiro escândalo!

[6 ]Portanto, é preciso ter muita lábia — e ainda mais lata — para vir a público dizer que o país anda para trás só porque se começou finalmente a tratar os trabalhadores com justiça. A lógica parece simples: para eles, quanto menos os trabalhadores ganham, melhor está o país.

[7] Mas não nos enganemos: isto não é amnésia — é estratégia. Estratégia para tentar reescrever o passado e distorcer o presente. Só que, desta vez, o povo tem memória. E memória é coisa que não se apaga com discursos nem com teatro.

[8] Da próxima vez que alguém vier falar em retrocesso, lembre-se: estamos apenas a avançar, com memória.

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