O interesse da Praia

O novo presidente tem, recorrentemente, se embandeirado em defensor maior da transparência, da lisura e da defesa dos superiores interesses do Município da Praia sem, no entanto, decorridos mais de um ano do mandato, efetivar com a apresentação de um único processo junto das entidades judiciais.

Muitas vezes ficamos com a sensação de que na ausência de obras palpáveis o executivo abriga-se no sensacionalismo mediático da intriga que supostos casos de corrupção geram para se escudar da critica. Se se confirmar, tal facto seria, particularmente, grave tendo em conta as infinitas necessidades do município e pelo momento particularmente sensível que o país e mundo atravessa.

Mas tendo em conta a importância do tema – defesa dos interesses da cidade da Praia – não pudemos deixar de produzir esta breve nota.

O interesse público não pode ser palavra oca, nem se prossegue pela via da calunia e da difamação. Ela é mensurável e pode ser facilmente aferível através, por exemplo, da dimensão e crescimento da economia local, da quantidade e qualidade dos postos de trabalho que consegue gerar, mas também pela qualidade do urbanismo, pela atratividade e beleza dos bairros. A autoridade e disciplina, que certamente impactam a segurança no município, é mais uma variável importante e a considerar.

O interesse dos praienses é, certamente, poder verificar uma evolução positiva nos nossos indicadores de saneamento, salubridade e toda a gestão dos resíduos sólidos.

Podemos também observar a evolução na circulação viária, o serviço dos transportes públicos e a funcionalidade da nossa rede de mercados municipais e de vendas, desde os produtos de primeira necessidade às grandes superfícies.

Portanto, a defesa dos interesses dos Praienses é efetivada através de políticas e ação que impactam estas variáveis e que possam contribuir positivamente para mobilizar investimentos e capacidade financeira para suportar os investimentos necessários bem como incrementar a dinâmica das receitas (e, consequente, despesas) do município.

Não tenho dúvidas de que o espírito conflituoso que têm caracterizado o atual presidente não está em sintonia com os interesses da Praia, tanto que, em tão pouco tempo, viu sair do executivo dois elementos da sua equipa e o fez perder o apoio de um outro, que o faz perder a maioria no colégio da câmara.

Também não vejo paralelismo com os interesses da Praia o descaso da atual gestão camararia da Praia para com um processo, liderado pela ANMCV, de emissão de obrigação junto da Bolsa de Valores que faz o município da Praia ser o único a ficar fora do processo e a perder um fundo de mais de 200 mil contos.

Tão pouco, não parece ser a postura mais responsável estar, recorrente e persistentemente, a trazer para o espaço público suspeições de corrupção num processo que envolve um parceiro da dimensão dos Estados Unidos da América, quando este visa a implantar em Cabo Verde, na cidade Praia, uma super embaixada, com todos os ganhos diplomáticos, estratégicos, financeiros e de valorização fundiária para cidade da Praia, de uma forma geral, e, especificamente, para a várzea.

Tenho por mim que processos diplomáticos, com o envolvimento de países parceiros, devem ser tratados com o devido recato e longe de quezílias político-partidárias, mormente quando temos envolvido países que têm suportado de forma significativa o nosso processo de desenvolvimento. Recordo-me do atual Presidente da República, Dr. José Maria Neves, quando exercia as funções de Primeiro-Ministro, a classificar o acesso ao pacote financeiro do “Millenium Challenger Account” de “segunda independência” como forma de enaltecer a importância do parceiro e dos projetos, na altura, financiados.

Pelo que não me parece excessivo concluir que quem está a lesar os interesses da capital e, neste caso, também de Cabo Verde é a postura, os preconceitos e “modus operandi” deste conflituoso presidente que gere a cidade numa lógica aritmética pouco compreensível e sem capacidade de diálogo, refém de um antiquado e ultrapassado preconceito ideológico que coloca em confrontação o privado com o público com clara perda de oportunidades para todos.

A capital de Cabo Verde está claramente em modo de crise, não só a económica que deriva da Covid-19 e da guerra na Ucrânia, mas também uma crise institucional que não parece ter fim a curto prazo.

2 COMENTÁRIOS

  1. “… uma crise institucional que não parece ter fim a curto prazo”
    A crise na CMP é da inteira responsabilidade do Francisco Carvalho e, em última instância, do PAICV. Não se compreende que um partido que tenha lutado tanto para ganhar a CMP, após ganhar a loteia, fique mudo e calado, deixando um tal Chico estragar toda a festa!!!!!!!!

  2. Sou obrigado a concordar contigo Luís. E, digo mais: Muitas pessoas (incluindo eu) já se arrependeram de ter votado neste cidadão.

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