[1] O MpD chega às suas eleições internas num momento de mudança geracional e de profunda transformação da sociedade cabo-verdiana. As novas formas de participação política, impulsionadas pelas redes sociais e por um eleitorado cada vez mais exigente, obrigam o Partido a adaptar-se sem abdicar dos seus princípios e valores.
[2] Acredito que a verdadeira renovação do MpD depende, acima de tudo, da sua capacidade de reforçar a confiança dos cabo-verdianos através da coerência entre o discurso e a prática. É precisamente por essa razão que apoio a candidatura de Paulo Veiga.
[3] Das conversas que mantivemos (com o Paulo), ficou claro que existe a intenção de levar à Convenção Nacional uma proposta estatutária segundo a qual qualquer militante do MpD que venha a ser constituído arguido em processos relacionados com corrupção, abuso de poder ou outros crimes que atentem contra os princípios, os valores e a imagem do Partido deverá solicitar a suspensão da sua militância enquanto decorrer o respetivo processo judicial.
[4] Importa esclarecer que esta proposta não representa qualquer condenação antecipada nem coloca em causa o princípio constitucional da presunção de inocência. Esse princípio deve continuar a ser plenamente respeitado pelos tribunais e pelo Estado de direito democrático.
[5] O que esta medida pretende afirmar é um princípio diferente: a responsabilidade política e ética. Quem escolhe exercer funções públicas ou representar um partido assume igualmente o dever de proteger a credibilidade da organização que representa. Em determinadas circunstâncias, preservar a confiança dos cidadãos exige disponibilidade para dar um passo atrás, ainda que temporariamente, até que a Justiça esclareça os factos.
[6] Num contexto em que a desconfiança em relação à classe política cresce em muitas democracias, medidas desta natureza deixam de ser apenas questões internas dos partidos. Tornam-se sinais claros de compromisso com uma cultura de integridade, responsabilidade e transparência.
[7] Se o MpD pretende voltar a afirmar-se como referência de boa governação, deve começar por exigir de si próprio aquilo que exige aos outros. A credibilidade conquista-se através do exemplo e não apenas através do discurso.
[8] É por acreditar nesta visão que apoio Paulo Veiga. Não porque considere que uma única proposta resolverá todos os desafios do Partido, mas porque ela representa uma mudança de cultura política. Representa a ideia de que os estatutos de um partido não devem servir apenas para organizar a sua estrutura interna; devem também refletir os valores que pretende oferecer ao país.
[9] A renovação do MpD não será alcançada apenas pela mudança de dirigentes. Será alcançada quando os cabo-verdianos reconhecerem que o Partido voltou a colocar a ética, a transparência e a responsabilidade política acima dos interesses individuais. É nessa direção que acredito que Paulo Veiga pretende conduzir o MpD, e é por essa razão que tem o meu apoio.


