O momento Bolsonaro da porta-voz do PAICV [Paula Moeda ]

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[1] “Pa kenha ki sta anda atentu”. — e não apenas distraído com as patacoadas nas redes sociais — consegue perceber um padrão curioso. Basta acompanhar o que se passa noutras paragens, sobretudo nas Américas, para notar que a estratégia de comunicação do PAICV não nasceu aqui. É mais um “copy paste” bem ensaiado e importado, usada por movimentos políticos da extrema-direita que apostam forte no exagero, no dramatismo e no emocional.

[2] E porquê essa escolha? Simples. Quem monta esse tipo de estratégia sabe muito bem como funciona a cabeça humana. Basta lançar um alerta, mesmo que meio disfarçado, de que “há perigo no ar”, que o subconsciente entra logo em modo “Bob Esponja”. Emoções à flor da pele, bloqueiam o raciocínio e decisões tomadas mais com o coração do que com a cabeça. É assim que se cria o ambiente perfeito para amplificar crises — reais ou fabricadas. [Gente como Steve Bannon já provou que funciona: não é preciso convencer pela razão, basta agitar pela emoção!].

[3] Tem sido exatamente essa forma de comunicação que o PAICV tem adotado, por perceber que tem funcionado em outros contextos. Além disso, essa estratégia é reforçada pela nova dinâmica de circulação da informação nas redes sociais, onde as notícias se espalham rapidamente e muitas vezes sem necessidade de validação ― “grogu fedi tambe ta konsumidu”. Nesse contexto, não é estranho que ontem a Comissão Política do PAICV, na voz da dona Paula Moeda, tenha protagonizado um verdadeiro “momento Bolsonaro”: marcado por falta de lucidez, muito exagero (propositado) e ausência de comprovação factual.

[4] Quando a porta-voz do PAICV vai à comunicação social afirmar que o Sistema Nacional de Saúde está em colapso, demonstra não ter a noção mínima dos critérios que definem um sistema de saúde como estando em colapso. Um sistema de saúde entra em colapso quando deixa de funcionar no essencial: quando os hospitais não conseguem atender, os doentes ficam sem resposta, a mortalidade dispara e o controlo sanitário se perde. Não é um atraso aqui, uma falha ali ou uma dificuldade pontual que define esse cenário. Aliás, não é preciso ir muito longe. Todos nós passámos pela pandemia. Vimos sistemas de saúde pelo mundo fora a ceder, a rebentar pelas costuras. E vimos também Cabo Verde a resistir, com dificuldades, sim — mas sem entrar em colapso. Isso está na memória recente. Ou pelo menos devia estar.

[5] Por isso, fica a dúvida: será falta de noção ou excesso de estratégia? Porque é difícil acreditar que quem está dentro da política não saiba distinguir uma perturbação pontual de um colapso estrutural. A menos que o objetivo não seja explicar a realidade, mas sim criar uma perceção do desejo pessoal do PAICV.

[6] No fim, a pergunta que fica é simples: estamos perante um sistema com desafios reais — ou perante um discurso que precisa de uma crise maior do que aquela que realmente existe?

 

 

 

3 COMENTÁRIOS

  1. A Direção deste jornal devia ser neste momento, solidário com a Paula Moeda…há momentos menos bons na vida das pessoas – na morte, na doença e na desgraça política – levam o ser humano, por que conduzido pela dor, a dizer coisas que num outro momento não dizia. A MOEDA, PAULA, FOI VITIMA DO NOVO PAICV. ESCORRAÇADA, do Fogo por ter apoiado o Nuias, está a tentar namorar o Francisco de Carvalho para ver se consegue um lugarzinho no Santiago Sul…mas creio que nem a sua antiga comadre JHA a consegue salvar. CAIU NA DESGRAÇA POLÍTICA…aqui se faz, aqui se paga!

  2. É incompreensível que uma Deputada da Nação, na terceira idade sustente a ideia ridícula de que ‘tudo está mal’ e que o país estagnou nos últimos dez anos. Este tipo de discurso deveria ser deixado para as redes sociais e para quem não tem acesso à informação; vindo de quem vem, soa apenas a má-fé.
    Indiretamente, o paicv está a tentar usar o caso do jovem Dário, levado para Dakar, para fabricar um escândalo. Indiretamente, o PAICV está tentando usar o caso do jovem Dário para fabricar um escândalo. Sobre este assunto, o Hospital Agostinho Neto e o Ministério da Saúde devem agir, pois o Sr. José Luís colocou em causa a competência dos médicos de Cabo Verde e manifestou suspeitas graves sobre o diagnóstico. Embora possa ter boa vontade, falta-lhe conhecimento e responsabilidade, quem se dedica a evacuar doentes deve conhecer os procedimentos mínimos de evacuação e respeitar a legislação do país. Espero que haja um relatório medico de Dakar para que tudo seja esclarecido e que cada um assuma a sua responsabilidade, seja quem for.

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