O MPD não precisa transformar-se no PAICV

Precisa voltar a ser MPD.

De forma atenta, vou acompanhando o pulsar da nossa terra e, confesso, há coisas que me ferem a sobrancelha e me leva a perguntar: afinal o que é que está-se a cozer por aqui?

Mudou o governo?

Mudou.

Mudaram Diretores Gerais ,Conselhos de Administração, Diretores de Serviços, Assessores, consultores, conselheiros e outros titulares de cargos de confiança.

Até aqui, nada de extraordinário. Governo novo, equipa nova. Ponto final!

O problema começa, quando a famosa despartidarização do aparelho do estado, tantas vezes proclamada, parece ficar esquecida precisamente quando muda o inquilino do Palácio da Várzea.

Porque uma coisa é substituir cargos de confiança política. Outra é criar a percepção de que a Administração Publica é uma espécie de CADEIRA MUSICAL PARTIDÁRIA: toca a música, trocam -se as cadeiras e, quando a música para, quem ficou de pé vai para a casa.

E não, não estou, a dizer que todos os novos titulares sejam incompetentes. Seria injusto.

Estou a perguntar outra coisa, muito mais simples:

Quais foram os critérios?

Se foi por mérito, mostrem o mérito.

Se foi por experiência, mostrem a experiência.

Se foi confiança politica, assumem a confiança politica.

O estado merece transparência.

E é aqui que entra o MPD.

Durante anos ouvimos a velha cantiga: “não vamos partidarizar o aparelho do estado.”

Kkkkkk

Bonito pá.

Parabéns, o mpd é uma música.

Mas a política não é um CONCURSO DE BOAS INTENÇÕES.

O Low-profile pode ser uma excelente ferramenta para a diplomacia. Na política interna , porém, há momentos em que é preciso levantar a voz e dizer: alto lá!

Não defendo que o MPD responda a partidarização com mais partidarização. Isso seria trocar um vício por outro.

Mas também não defendo um MPD silencioso, receoso de incomodar, enquanto outros ocupam o espaço politico sem cerimônia.

OPOSIÇÃO NÃO É RETIRO ESPIRITUAL.

É combate político democrático, civilizado , responsável, mas combativo sempre.

E basta “passear” pelas redes sociais, para perceber que há uma militância partidária que não vê adversários: vê inimigos.

Não precisamos responder com ódio, mas também não precisamos fingir que não vemos.

“Cobras criadas não se apanham com luvas de seda.”

Apanham-se com inteligência, estratégia, coragem, organização e princípios.

O MPD NÃO PRECISA TRANSFORMAR-SE NO PAICV.

PRECISA, SOMENOS, VOLTAR A SER MPD.

Com identidade.

Com voz.

Com espinha dorsal.

Com capacidade de dizer não quando for preciso.

PAULO VEIGA tem agora uma responsabilidade enorme. Não apenas escolher uma equipa , mas escolher um método, um estilo e uma forma de fazer politica.

Que seja firme sem ser sectário.

Combativo sem ser bronco.

Crítico sem ser destrutivo.

Democrático sem ser ingênuo.

Força PAULO VEIGA.

Força para a equipa a sair da convenção.

Força para o MPD.

Porque o low-profil pode ser elegante.

Mas, de vez em quando, é preciso bater com a mão na mesa para lembrar que a mesa também é nossa.

E é precisamente por isso , que a próxima convenção do mpd ganha uma importância especial. Os dias 9,10 e 11 de Outubro não devem ser apenas dias de reunião estatutária da consagração do novo Presidente; devem ser dias de reflexão, debate e definição de caminhos a percorrer. É ali, que o partido deve discutir , com coragem e sem tabus, que MPD quer ser , como pretende recuperar a sua força política e que estratégias deve construir para voltar a falar ao País e as suas próprias bases.

Porque não basta mudar dirigentes. É preciso mudar atitudes, recuperar a confiança, devolver voz as bases e construir uma cultura política a altura dos desafios que o partido tem pela frente.

O Futuro, constrói-se HOJE.

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