Falar em “ala radical” do MpD é inventar um fantasma que não existe. O MpD nunca foi um remendo de partidos extintos, nem vive de “tchapa tchapa”. O MpD é MpD, sempre foi. É o partido que, com coragem, abriu as portas da democracia, da liberdade e do desenvolvimento em Cabo Verde.
É verdade que houve divergências no passado, como em qualquer partido democrático. Mas todas foram superadas com maturidade e respeito pelas instituições. Isso não é sinal de fraqueza, mas de força: prova de que no MpD a democracia interna funciona e a pluralidade não é reprimida.
Já o verdadeiro perigo para Cabo Verde está fora do MpD. Está num líder do maior partido da oposição que já demonstrou não ter apreço pela separação de poderes, pela tipicidade das competências constitucionais e pela independência dos tribunais. Está em quem declara abertamente ter um “entendimento de aço” do partido único, como se fosse normal em pleno século XXI defender a nostalgia de um regime que sufocava a liberdade.
Não se pode brincar com a democracia. Esses valores custaram demasiado caro ao povo cabo-verdiano para agora ficarem reféns de aventuras autoritárias e instáveis.
E até dentro do PAICV há quem não aceite esta deriva. Porque a história desse partido também mostra que nada pode ser erguido contra a democracia e contra a liberdade.
O MpD continua no seu caminho: partido da moderação, da ponderação e da adequação. Radicalismos? Só existem na cabeça de quem quer desviar atenções da ameaça real — a tentação autoritária e o saudosismo do partido único.


