O ódio do PAICV

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Desde 20 de março, com a derrota do PAICV, que os cabo-verdianos têm estado a assistir um discurso contra os estrangeiros e seus investimentos no nosso país. É o PAICV no seu melhor estilo.

E sempre que há dossiers importantes como a isenção de vistos, privatizações, green card e, agora, o acordo de pescas, só para citar alguns exemplos, os dirigentes do PAICV e alguns dos seus apoiantes começam a insinuar que o país está à venda, a preço de saldo, para os estrangeiros e outros mimos que já nos habituaram.

Diante disto, a pergunta que fica é se os dirigentes do PAICV não gostam mesmos dos estrangeiros ou se tudo isso não passa de um golpe populista com vista a recuperar a confiança perdida junto dos cabo-verdianos.

Para mim, salvo as melhores opiniões, é apenas uma encenação com algum complexo ideológico à mistura.

Encenação porque se repararmos é para a Europa, mais concretamente Portugal, que eles mandam os seus filhos estudar, em detrimento das nossas universidades ou até mesmo das universidades dos países africanos, nossos vizinhos. Aliás, inclusive o líder “supremo” dos tambarinas, quando resolveu tornar-se num académico na Universidade pública, e para ganhar alguma legitimidade, tendo em conta que apenas possui um bacharelato, inscreveu-se num curso em Portugal, um país europeu, e não na universidade onde ele leciona, que vem reclamando da falta de alunos e, consequentemente, falta de liquidez. Porém, o senhor professor, em vez de ajudar a nossa Universidade pública ou então algumas das universidades da nossa sub-região, foi para Lisboa aprender com os antigos colonos, que eles tanto atacam desde 20 de março.

O mais engraçado ainda é que as esposas destes senhores e as senhoras dirigentes tambarinas optam, quase sempre, por ter os seus filhos na Europa ou nos Estados Unidos, um privilégio que não é para qualquer um. Mas são estas gentes que mais criticam o acordo SOFA, por exemplo. Ali, também, entra o complexo ideológico do PAICV, que é um partido que mesmo sabendo que Cabo Verde é o que é graças aos parceiros ocidentais, quando está na oposição, como está agora, prefere voltar às origens e ser um partido radical e populista.

Em teoria são contra os europeus, são contra os estrangeiros, são contra a presença deles cá, mas na prática preferem sempre dar uma meia volta à Europa e desfrutar o que de melhor há por lá, convencidos que o povo aqui acha que o PAICV apenas o quer proteger da ganância imperialista.

Mas na verdade os tambarinas só querem voltar ao poder o mais depressa possível. Para isso, já provaram que são capazes de tudo.

Em 15 anos de governo pouco ou nada fizeram com vista a integração de Cabo Verde na CEDEAO, inclusive, deixaram até de pagar as quotas. Os dirigentes de então visitaram o velho continente vezes sem conta, mas quase não há registos de visitas efetuadas aos nossos irmãos do continente. Tudo isso, leva-me a concluir que toda a narrativa do PAICV não passa de conversa fiada. É tudo ódio.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Sr. Silva, eles são isso e muito mais! eles idealizaram um CV, com seus palácios e o resto dos Cabo Verdianos nos seus quintais! só que tiveram um azar do c…..!!! CV não tem recurssos e ou conhecimento como noutras DITADURAS, assim não resta outro remédio que ter que andar com a mão estendida, para isso usam os Cabo Verdianos de “quintal” tal como hà muitos criminosos (infelizmente!) usam pessoas inclusive crianças para isso!

  2. Um excelente artigo sr Euclides. É preciso mais artigos do tipo para por aquele partido no seu devido lugar.

  3. Sabiam que se estivessemos num país onde a justiça realmente funciona o Ministro das Finanças estaria preso por causa do negócio do governo com a Tecnicil? Para não falarmos de muita falta de transparência em vários negócios realizados? Negócio de Bens públicos não devem ter segredos etc

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