O PAICV tem a maioria política, mas não tem a maioria sociológica!

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Quando a poeira baixar, e a medida em que nos aproximamos da formação do Governo da IX Legislatura (2026-2031), os superlativos dos dias da euforia e da exaltação da vitória do PAICV nas legislativas de ontem, depois de ter estado dez anos da oposição e, nesta condição politica, ter sido em democracia o partido maioritário nas autarquias em 2024, darão lugar a uma leitura, quiçá mais realista do que aconteceu no dia 17 de maio de 2026.

Na falta de estudos sobre os resultados, 5 realidades emergiram dessas legislativas:

Primeira: mais de metade dos cabo-verdianos com a idade e direito de votar preferiram fazer outra coisa no dia da votação. Isto, é da maior relevância que seja estudado;

Segunda: no país, aqui na Tapadinha, PAICV teve 78.904 votos e o MpD 76.993 votos, portanto uma diferença de 1.912 votos;

Terceira: como observou Jose Antônio dos Reis, a diáspora decidiu as eleições;

Quarta: o país é cada vez mais polarizado e o bipartidarismo se sedimentou;

Quinta: o MpD tornou-se o Porto Seguro do regime, isto é, tornou-se uma minoria qualificada porque sem o MpD nenhuma matéria que exige 2/3 dos deputados presentes será aprovada, mormente a revisão constitucional.

Então, como falar de uma vitória estrondosa ou de uma derrota esmagadora? Só no imaginário daqueles que tanto esperaram pelo regresso do PAICV ao poder! Até se falou de uma vitória histórica num país com 8 eleições legislativas nas costas!

Combatendo um partido com 10 anos de desgaste e também com erros cometidos assente numa propaganda de que não fez nada, de que houve o desgoverno, mas praticamente metade dos eleitores que foram as urnas aprovaram a Plataforma Eleitoral- Cabo Verde pa Frente e outra metade para a Plataforma Eleitoral- Cabo Verde para todos.

Somos um sistema proporcional, por 1 se ganha e por 1 se perde sem por em causa a legitimidade do partido vencedor, como aconteceu em São Lourenço dos Órgãos nas autárquicas de 2024!

A realidade é esta: o PAICV tem a maioria política, mas não tem a maioria sociológica!

O que Ulisses e o MpD fizeram é obra, demonstrativo de consistência e de robustez política e institucional do MpD!

A ideia de que os cabo-verdianos tinham um desejo profundo de mudança de governo até do regime não passou de uma miragem. Vaga de fundo que queriam imprimir com a vitória nas autárquicas de 2024 esfumou-se!

O MpD se agigantou e demonstrou que está implantado na cabeça e nos corações de milhares de cabo-verdianos.

A nova liderança que sairá da próxima Convenção extraordinária eletiva, bem como a nova liderança do Grupo Parlamentar terão as condições de partida para exercer uma oposição responsável e muito competente!

De imediato, importa manter todo o corpo do MpD mobilizado para apoiar um candidato da sua área política para as eleições presidenciais de novembro deste ano. O argumento será o mesmo que o então candidato presidencial Zé Maria Neves defendeu em campanha eleitoral: “não colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Precisamos de um PR que não seja da área politica do PAICV!

Cabo Verde precisa, neste novo quadro politico, de um PR que terá na sua agenda a defesa intransigente da Constituição, ou seja, do sistema político tal como está consagrado na Constituição!

É mister que a Convenção extraordinária tivesse lugar em janeiro de 2027.

Cabo Verde sempre pa Frente!

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