Os mais jovens devem procurar conhecer as verdades históricas recentes do seu país.
Eis um supremo tabu que um punhado de gente do Paigc/cv quer forçosamente que a resposta seja positiva, quando a cristalina verdade seja o contrário. Segundo as palavras do Aristides Pereira quem mais questionava o Amílcar Cabral sobre o atraso da luta política em Cabo Verde foi o Abílio Duarte. E alguns dizem que essa insistência permanente do Abílio Duarte irritava o Amílcar Cabral e que isso custou-lhe muito na hierarquia do PAIGC-PAICV. Aristides Pereira disse que quando se estava a equacionar criar a Comissão Nacional para Cabo Verde (CNCV), Amílcar Cabral estava pensar no Abílio Duarte como seu presidente. Afinal, depois da morte do Amílcar, quem veio a presidir a CNCV foi Pedro Pires! Ninguém explica essa mudança!
Sabendo que o Paigc foi criado em 19 de Setembro de 1956; Abílio Duarte foi considerado fundador do Paigc junto com Amílcar Cabral e Aristides Pereira e outros. Pedro Pires não foi fundador do Paigc e só aderiu à luta na Guiné-Bissau a partir de 1961. Muitos questionam como é que o Pedro Pires conseguiu suplantar o Abílio Duarte na hierarquia do PAIGC e tendo ocupado cargos mais elevados no partido e no Estado de Cabo Verde?
Antes do 25 de Abril de 1974, é sabido que o regime que vigorava em Cabo Verde era um regime de ditadura de Salazar e que foi seguida por Marcelo Caetano, suportado por uma rígida polícia política: a PIDE/DGS. Esta polícia controlava fortemente as movimentações e actividades políticas em Cabo Verde, prova disso são as várias prisões realizadas, em que algumas delas foram ao julgamento nos Tribunais.
Por esse e outros motivos, antes do 25 de Abril de 1974, não há registos de um consistente movimento e actividade política do Paigc no arquipélago. Contudo, não podemos dizer que não houve focos de resistência nas ilhas durante o período colonial ou que não houve pessoas que tentaram fazer um trabalho de mobilização, embora sob a vigia poderosa da PIDE. Pois, apesar de tudo, por causa dessas actividades pontuais e circunstanciais muitos jovens foram parar às cadeias da PIDE. Todavia, uma actividade de vulto e de alto nível do Paigc, pode dizer-se que nunca se verificou em Cabo Verde até à revolução dos cravos, no 25 de Abril.
Num certo período da luta, o Paigc sob a orientação de Amílcar Cabral enviou um grupo de caboverdeanos para Cuba, com a finalidade de serem treinados, para uma eventual invasão armada em Cabo Verde. Missão essa que foi considerada por Che Guevara “um autêntico suicídio” e foi depois desmantelada a iniciativa de Amílcar Cabral.
Por estas razões, o Paigc, antes da revolução de Abril de 1974, não era um partido conhecido pelo povo caboverdeano em geral, não tinha raizes de luta estabelecidas nas ilhas e nunca se desenvolveu uma actividade politica consistente neste arquipélago. Embora o povo de Cabo Verde ao longo da história tenha resistido, por vias diversas, ao domínio colonial.
Contudo, estamos a aproximar o 50 aniversário da data da independência, registada a 5 de Julho de 1975. É claro que a independência de Cabo Verde foi importante para o povo das ilhas. Vive-se nestas ilhas de longe melhor do que se vivia na época colonial. O progresso alcançado não tem como ser comparado. Tudo isto é verdade. Porém, por mais que se queira impor certas narrativas, ao contrário da Guiné-Bissau, Cabo Verde não teve libertadores para independência! Até porque a Comissão Nacional para Cabo Verde (CNCV) do PAIGC foi criada após a morte de Amílcar Cabral, em 1973, pouco tempo antes do 25 de Abril de 1974. Em Cabo Verde não houve a luta armada, a luta política é o que nós conhecemos e quase ninguém ouvia falar da existência do PAIGC e da luta que se desenrolava na Guiné-Bissau. Houve sim alguns reflexos gerais da luta da Guiné-Bissau para a independência de Cabo Verde.
E nessa luta da Guiné-Bissau estiveram presentes, por vontade própria, muitos caboverdeanos cujos sonhos – eu acredito – procuravam o caminho para independência. Mas, convenhamos, sobre Cabo Verde tudo foi erguido, acelerado, sobretudo, após o 25 de Abril de 1974, com a Revolução dos Cravos em Portugal. Eu sei que muitos não vão gostar desta narrativa, mas é esta a narrativa que contém a verdade que se quis esconder!
E um dos mais ilustres caboverdeanos, um verdadeiro comandante da guerra na Guiné-Bissau, que reclama por ironia da história que nem sequer foi convidado para estar presente no dia da independência de Cabo Verde, esse ilustre COMANDANTE tem como nome MANECAS SANTOS.
É esse ilustre comandante do Paigc, de quem pouco se fala em Cabo Verde, o qual disse uma verdade nunca antes dita: “A Comissão Nacional de Cabo Verde (CNCV) do Paigc foi estabelecida fundamentalmente para coordenar a distribuição do poder no futuro Estado de Cabo Verde”! Isto dito por um dos mais ilustres comandantes da luta do PAIGC! O que sempre esteve na mira até hoje é o PODER!


