Os governos suportados pelo Movimento para a Democracia sempre foram reformistas e pró-crescimento económico. Disso não há dúvida: o atual crescimento económico que hoje testemunhamos não é um mero acaso, mas uma consequência natural de opções políticas ancoradas numa base ideológica assente no mercado, no respeito pelo direito à propriedade privada e na livre iniciativa, em que o indivíduo é colocado no centro das políticas públicas.
Johann Wolfgang, em 1830, já afirmara que os números governam o mundo e que tinha certeza de que eles nos mostram se o mundo tem sido bem ou mal governado. Portanto, fica evidente, tanto durante a década de 90 como a partir de 2016, que o país tem registado níveis de crescimento económico fora do comum, o que não deixa dúvidas de que as opções políticas foram e tem sido assertiva e que, de facto, o país cresce quando os governos são suportados pelo Movimento para a Democracia.
Ao ouvir o Dr. Gualberto do Rosário no programa da RCV 50 Anos: Vozes da Independência, percebemos, através da retrospetiva histórica apresentada pelo entrevistado, que o percurso e o sucesso de Cabo Verde está ancorado nas decisões de opções políticas adotadas no país e que estas opções tiveram impacto na transformação de Cabo Verde ao longo desses 50 anos. Para quem deseja ter um conhecimento mínimo da economia contemporânea cabo-verdiana, essa entrevista é esclarecedora.
Rompendo com o regime após o retrocesso temporário representado pela imposição do totalitarismo entre 1975 e 1990, onde tudo era estatizado – um período de baixo crescimento, em que imperou a estagnação, a pobreza e o desânimo, Cabo Verde, no final dos anos 90, foi considerado um caso de sucesso (success case) pelo Banco Mundial, após as reformas e a implementação da ética da liberdade, que, a meu ver, como afirma o Dr. Gualberto do Rosário, foi o ponto fundamental de viragem para que o país viesse a ser classificado hoje, após 50 anos, como país de rendimento médio alto pelo mesmo banco. A nossa curva de experiência mostra-nos que, num país onde reina a repressão económica, não há prosperidade.
A adoção da ética da liberdade em Cabo Verde fez com que, no início dos anos 90, o país, que se encontrava entre os mais pobres do mundo, com um PIB estagnado (a 0%) e com a maioria das empresas públicas a gerar ineficiência em setores estratégicos, desse um salto significativo. Hoje, o país conta com sólidas instituições financeiras, um banco central independente, uma paridade fixa com o euro e um ambiente que favorece a alocação eficiente dos recursos, fruto da estabilidade política e das garantias ao direito à propriedade privada promovidas pelas reformas, nas quais a intervenção do Estado nos principais setores de atividade económica deu lugar à livre iniciativa privada.
O ponto de viragem e de transição foi, sem dúvida – como afirmou o Dr. Gualberto do Rosário – a mudança de ética: ao adotar a ética da liberdade, a economia passou a crescer, provocando transformações na estrutura económica, e o setor privado assumiu um papel fundamental na produtividade e na estrutura do emprego. Não há dúvida de que a liberdade económica foi essencial para a mudança de paradigma, e foi o governo do MpD que aliou essa ética a outro elemento fundamental: a confiança.


