O papel dos jovens nas eleições autárquicas

Como dizia o velho ditado romano, “todos os caminhos vão dar a Roma”, como analogia, em 2024 todos os caminhos vão dar às eleições autárquicas. Todos os atos político-partidários vão ao encontro dessa perspetiva e a questão que se coloca é: qual será o papel dos jovens nesta eleição?

A juventude sempre foi considerada a principal massa crítica de todas as sociedades, protagonista de diversas revoluções e evoluções. Penso que desta vez não será diferente. Repare, os jovens estão a ser cada vez mais críticos e exigentes, por direito. Defendem mais protagonismo, mais oportunidades e mais liberdade.

Estamos perante a juventude mais capacitada de sempre, com formações em diversas áreas, dominando matérias do direito, da economia, da gestão pública, das tecnologias e das demais ciências. Por outro lado, é a faixa etária mais ativa nas intervenções sociais, pois é evidente que as ONGs e associações de desenvolvimento comunitário são formadas maioritariamente por jovens. Sendo assim, atribui-se aos jovens um papel único, pelo dinamismo e competência.

Podemos dizer que os jovens, por excelência, devem ser protagonistas nestas eleições, não só pela habilidade em sensibilizar ao voto, mas pela capacidade em elaborar as melhores agendas e plataformas eleitorais, sendo eles conhecedores das necessidades e potencialidades das suas localidades. É irrefutável dizer que os jovens são mobilizadores, pois têm a grande habilidade de criar consensos e mitigar divergências. Ainda mais no momento em que vivemos, com a crescente desacreditação nos partidos e nos políticos, os jovens são vistos como a esperança em que possam depositar as suas confianças e esperem lealdade.

Inovadores e abertos, os jovens são propensos a pensar fora da caixa, elaborando as melhores estratégias, abertos a discutir novas ideias e pensamentos. São práticos e pragmáticos.

Por outro lado, entre os jovens eleitores, nota-se grande desinteresse pela política, seja pela desconfiança nas instituições políticas, considerando-as ineficazes, seja pela baixa cota de representatividade jovem nos órgãos políticos e pelo ceticismo e pessimismo, a perceção de que não haverá mudanças significativas nas atuações dos candidatos ao chegarem ao poder, pensando que tudo permanecerá o mesmo. Já com os jovens partidários, sendo grupos de pares, compreendem-se uns aos outros, vivem no mesmo ambiente e compartilham das mesmas experiências, e genuinamente têm confiança entre si, estabelecendo pontes com o partido, o candidato e a plataforma eleitoral.

A eleição significa um momento de companheirismo e fraternidade, em que todos contam e as candidaturas necessitam sempre da união e envolvimento de todos que acreditam nos valores da liberdade, do progresso e da democracia. Este é o momento de todos aqueles que desejam um novo paradigma, um poder local mais assertivo e mais desenvolvido. Este é o teu momento.