O que falta ao MpD?

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Falta ao MPD sacudir o capote, uma sacudidela bem forte, extrair as poeiras feiticeiras, vitaminar-se e preparar-se para os próximos combates. Novas estratégias, novas sementeiras, novas caras, mais colectividade nas formulações de decisões, para as próximas saborosas e possíveis colheitas.

Apesar de todos os pesares (ninguém é perfeito), apesar das diferenças na interpretação das matérias, questões e soluções (salutar sempre), apesar de alguns erros cometidos e de coisas que ficaram por fazer e, de coração alegre, também das saborosas vitórias conseguidas, é minha opinião que ao MPD não lhe falta nem a distância do mar nem o tamanho da Lua. Ou seja, falta-lhe tão somente reafinar algumas matérias e reorganizar certos procedimentos. É natural!

Falta ao MPD reorganizar e inovar o seu desempenho e suas actividades, num contexto novo que o mundo de repente nos trouxe e das consequências chegadas no nosso país. Ninguém é cego para não se ver que o mundo e as políticas mudaram.

No nosso caso, três crises inesperadas e com efeitos catastróficos. Então, é necessário adequar as políticas e rectificar os passos, corrigindo inércias, rotinas, ausências, e imprimindo ao MPD mais acção, mais presença, mais e melhor combate político, trazer para a família mais dirigentes e militantes e, sobretudo, mais união. Que haja paz! O MPD precisa de mais gente que o ama de coração.

De mais gentes que encara o MPD como um espaço e veículo de participação para servir Cabo Verde. De mais gentes com uma cultura de humildade dentro e fora do partido. Pessoas que escutam outras pessoas. Mais gentes sem manhas interesseiras e atitudes de arrogância. Gentes que fazem do MPD um espaço para soluções e não oportunidade para se criar mais problemas. Ou seja, abrir os nossos corações e abrir novos horizontes para o MPD em todos os sentidos.

Falta ao MPD mais harmonia interna, mais afectos no relacionamento entre todos, sobretudo entre dirigentes, militantes e apoiantes. E entre o MPD e a sociedade. Maior abertura e diálogo com as oposições. Maior articulação e entre-ajuda. Gerir as diferenças de opinião com “fair play” e tolerância de espírito. O MPD não pode abandonar as suas gentes, o povo e a sociedade. O MPD não pode marginalizar ninguém porque ele criticou ou descordou de uma ou outra opinião. Devemo-nos agregar mais e não criar mais fracturas ou desunião. Combater sem medo os fracturantes. Marginalizar somente os preguiçosos, os oportunistas e os que querem apenas servir-se do MPD. Que é hoje uma “cultura” perigosa e que está a disseminar a olhos vistos.

Falta ao MPD valorizar ainda mais as suas gentes e seus membros, nos cargos de confiança política. É assim em todo o mundo democrático. Sem confiança não se consegue executar as políticas. E deve-se estimular um ambiente onde não haja abuso, troça e descriminação no trabalho. E, infelizmente, sabemos que certos dirigentes da oposição abusam dos seus cargos e praticam uma guerra psicológica contra os membros do MPD.

Finalmente, falta ao MPD – na minha modesta opinião – reformar e reequilibrar as políticas globais para a Administração Pública, entendida sempre como um instrumento indispensável para a execução do programa do Governo, corrigindo-se alguns erros e ingenuidades. Reformatar  e equilibrar a colocação dos recursos humanos de molde a não permitir brechas e espaços, para se encolher as actividades e o desempenho do Governo.

Precisamos de um MPD mais forte e energicamente mais combativo, porque este partido demonstrou ter soluções para Cabo Verde. Não é qualquer um que faça Cabo Verde não cair e aguentar as consequências das três gigantescas e inesperadas crises: 4 anos de severas secas consecutivas; a poderosa Covid 19 e a monstruosa guerra da Ucrânia. Apesar das nossas fraquezas, enfrentando as maiores crises de Cabo Verde independente, o Governo do MPD deu provas claras da sua capacidade de trabalho, de buscar soluções e o povo esteve sempre pronto, ao seu lado, para o ajudar! Misericórdia divina esteve sempre do nosso lado, do lado de Cabo Verde.

3 COMENTÁRIOS

  1. Um sênior do mpd a falar!… que seja lido e relido o que ele diz escrevendo, porque há nessa escrita um posicionamento de quem se coloca acima das tricas quotidianas no seio do partido, quem quer o melhor e do bom para a sociedade cabo-verdiana…quem vê perigos e, antecipadamente, quer contribuir na resolução desses perigos fazendo um chek preventivo. Falta ao partido um espaço de diálogo sério sobre as questões do partido e da Nação: falta a o governo uma pasta de coordenação das questões econômicas, falta ao partido dizer ao nosso presidente que ele deve ser mais arrojado e corajoso nas reformas que devem ser feitas urgentemente.

  2. Contradição, sobre Contradição e fica-se sem saber, o que é que o articulista quer, ou pensa que é solução, mas simplesmente, não apresenta nada…critica por criticar…chegando á conclusão que afinal o MPD está bém, mesmo muito bém…!! Então porque mudar de rumo !! O que é que queres que se veja em si..!!

  3. Tudo bem dito! Estou 100% de acordo!
    Oxalá o mpd, a sua cúpula, venha adotar essa opinião/sugestão do experiente Maika Lobo, antes que seja tarde demais!

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