O que realmente aconteceu nas Eleições Autárquicas de 2024?

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Foi uma surpresa?

O MPD perdeu as eleições autárquicas, muito por culpa própria, sem dúvida, mas sem descurar o facto de a conjuntura estar a favorecer em quase todas as partes do mundo os partidos na oposição. Temos os casos de Portugal, França, Itália, Alemanha, Brasil, EUA e inesperadamente o caso da Síria! Vários fatores jogaram em desfavor do MpD, uns que não podia controlar e outros da sua própria responsabilidade.

Não devemos chorar sobre o leite derramado, importa apenas refletir e agir sobre o que se deve fazer no futuro. A derrota é pesada, diga-se com clareza, pois não vale a pena tapar o sol com a palma da mão, mas existem sinais que mostram ser possível mudar o panorama político que resultou destas eleições. Não digo com toda a certeza que vamos conseguir, mas sim que é possível, se formos rápidos, claros e assertivos, sem paninhos quentes, pondo o dedo na ferida.

Sendo pesada a derrota nos seus resultados globais, uma análise mais atenta mostra que a perda das Camaras Municipais é muito desproporcional em relação aos votos dos cabo-verdianos. Imensamente desproporcional, mesmo que não se tenha em conta os cerca de 50% da abstenção. MPD POR UMA DIFERENÇA DE 94 VOTOS PERDEU 3 CAMARAS MUNICIPAIS (Maio, Brava e São Lourenço dos Órgãos). E POR 663 VOTOS DE DIFERENÇA PERDEU 5 CAMARAS MUNICIPAIS, sendo as 3 anteriores e mais Santa Catarina de Fogo e Ribeira Brava de São Nicolau. COM 663 VOTOS A MENOS EM RELAÇÃO AO PAICV PERDEU 5 CAMARAS MUNICIPAIS.

Isso mostra como os detalhes na preparação das eleições são importantes. Mostra também como uma equipa forte, sólida, experiente, eficiente, lúcida e combativa pode fazer toda a diferença. É nos processos eleitorais que se deve aumentar exponencialmente os níveis de exigência, de rigor, de trabalho de equipa e em todos os pormenores.

O MpD é um partido com vocação de poder e tem sempre dois grandes desafios: governar bem (a nível local e nacional) e ganhar as eleições.

Desta vez, não fomos tão eficientes como costumamos ser! Com serenidade, mas com eficácia e assertividade vamos corrigir, temos que corrigir! Nada está perdido.

 

2 COMENTÁRIOS

  1. A derrota nas eleições autárquicas demonstram: 1. A falta de confiança dos cabo-verdianos nas eleições e os benefícios que poderão trazer para a melhoria da vida quotidiana, prova a abstenção a rondar os 50%; 2.A inexistência ou a falência de MOD como partido e que Ulisses teimou em destruir desde 2016; 3. A má governação em todas as áreas, principalmente, nos transportes marítimos e aéreos, no emprego, no custo de vida e falta de empatia dos governantes com os eleitores; 4. Candidatos que se lembraram da população na altura da campanha. Que, vive fora não faz ideia do cais reinante no país e no MPD.Poderia apresentar muitos exemplos. O MPD tem de ser refundado, com as suas bardes a funcionar em todos os bairros e zonas do país e com candidatos que podem encarar olhos nos olhos a população, por que sempre lutaram para melhorar as suas condições de vida.

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