Todos os anos, o Banco Mundial publica uma lista que classifica os países do mundo com base no nível de rendimento da sua população. Esta classificação — feita a partir da Renda Nacional Bruta (RNB) per capita — divide os países em quatro grandes grupos: baixo rendimento, rendimento médio-baixo, médio-alto e alto rendimento
Mas afinal, o que define essa graduação? E o que muda quando um País sobe de patamar?
Como é feita a classificação?
O critério central é a Renda Nacional Bruta per capita, medida em Dólares Americanos, ajustada por uma metodologia chamada “Atlas” (que suaviza as flutuações cambiais).
Os grupos, em 2024, são os seguintes:
• Países de baixo rendimento: RNB per capita até 1.135 USD
• Rendimento médio-baixo: 1.136 a 4.465 USD
• Rendimento médio-alto: 4.466 a 13.845 USD
• Alto rendimento: acima de 13.846 USD
Ou seja, quando um País como Cabo Verde ultrapassa os 4.466 Dólares de RNB per capita, entra para o grupo dos países de rendimento médio alto.
O que está por trás dessa mudança?
A subida reflete melhorias estruturais na economia: crescimento económico sólido, melhoria na arrecadação fiscal, estabilidade macroeconómica, redução da pobreza, aumento do investimento estrangeiro e outras variáveis que elevam o rendimento nacional.
No entanto, esse progresso numérico não significa que todos os problemas socioeconómicos estejam resolvidos. A média pode esconder desigualdades, e por isso muitos especialistas alertam que a transição deve ser acompanhada por políticas inclusivas.
Quais as implicações para o País?
• Perde-se algum apoio externo?
Sim. Países de rendimento mais elevado deixam de ter acesso a alguns fundos concessionais, com juros baixos e prazos longos, destinados a países mais pobres.
Por outro lado, embora a reclassificação, sendo um pequeno Estado insular em desenvolvimento (SIDS), com vulnerabilidades estruturais, Cabo Verde continuará a ter acesso a financiamento concessional, nomeadamente através da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA).
• Ganham-se outras oportunidades?
Também. A nova classificação melhora a perceção internacional do País, atraindo mais investimento privado, crédito em melhores condições e acesso a mercados e parcerias com países desenvolvidos.
• Mais exigência, mais responsabilidade
Com o novo estatuto, o País passa a ser visto como mais estável — e por isso espera-se mais em termos de reformas estruturais, governação, transparência e eficiência institucional.


