O tempo da milícia já acabou faz muito tempo!

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Caros leitores eu não poderia ficar calado após ler um artigo no Santiago Magazine.

Mas que falta de nexo deveras o seu conteúdo.

Antes demais convido ao seu autor para despir a farda de polícia, pois o medo e a imposição forçosa de uma “sugestão” (ordem) que uma farda policial incutia na sociedade já não tem efeito nos dias de hoje. Porquê? O tempo da milícia já acabou faz muito tempo.

Apoiar o candidato JMN justificando esse apoio com base de que o mesmo tem (+) experiência, (+) maturidade e melhor conhecimento da realidade nacional e internacional do que o Dr. Carlos Veiga é pura utopia Paicvista! Convido-lhe a ler mais e melhor a biografia do Dr. Carlos Veiga.

Outro erro seu é não concordar que os juristas não estão melhor posicionados para exercer tal digno cargo. Salvo devido respeito pelas demais formações, que são também extremamente úteis para qualquer sociedade, um jurista (com conhecimento, capacidade e experiência) parte à priori em vantagem em relação a qualquer outro candidato presidencial. É a minha opinião e convicção.

Ainda mais se tratando de um candidato com conhecimento jurídico e experiência governativa como o Dr. Carlos Veiga.

O que não se pode querer comparar e igualar o seu candidato com o candidato do povo (Kalú). Jamais!

É inadmissível querer forçosamente e desesperadamente defender o seu candidato JMN justificando que o mesmo terá assessores jurídicos para coadjuvá-lo no exercício de suas funções para colmatar esse seu “desconhecimento” na área jurídica.

Mas o povo agradece desde já essa confissão em relação a esse handicap do seu candidato, porém veio tarde visto que o trapalhão do seu candidato já demonstrou e continua a demonstrar pública e notoriamente que não sabe o papel, as competências de um PR no nosso sistema político. Essa confissão é extemporânea e a sentença já está agendada para o próximo dia 17 de Outubro.

No seu artigo também refere que a CRCV foi elaborada pelo Professor Doutor Wladimir Brito. Sim isso é sabido!

Deixo-lhe essa questão: alguma vez o senhor ouviu sair da boca do Dr. Carlos Veiga que ele é o autor da nossa Constituição?

O candidato do povo, Kalú, sempre disse de forma húmilde que foi um dos colaboradores na elaboração da nossa Magna Carta. Portanto, por favor, seja intelectualmente honesto nas suas intervenções públicas. Dizimola!

Rebatendo outro parágrafo do seu confuso artigo é sobre a questão da ideologia partidária de um candidato a PR ou o apoio partidário a um candidato. Mas como não quero perder o meu tempo consigo, deixo-lhe um dos últimos vetos políticos aplicados no nosso  país desta feita no mandato do PR cessante JCF: o chumbo ao diploma que continha a proposta de aumento de salários dos deputados e membros da AN!

Não confundemos alhos com bugalhos!

Para causar mais impacto o Sr. deixou para o parágrafo final a questão do boneco Kalú! Sim o Dr. Carlos Veiga participou nas campanhas eleitorais de 1991, 1996, 2001, 2006, 2011, etc, etc

Não tinha ouvido o candidato a ser chamado por esse “nominha” (como se diz no crioulo de Barlavento)?

Talvez o Sr. não domina os costumes e as tradições  da nossa terra, em que maioria dos “Carlos” são chamados de Kalú, a maioria dos “Antónios” de Toy, “Victores” de Tó, etc etc.

Ou se calhar o Sr. não é tão próximo/íntimo do Dr. Carlos Veiga!

Agora a questão do boneco utilizado nessa campanha, ora é muito simples: ciúmes, dor de cotovelo! Os Srs. constatando a adesão em massa de eleitores, e principalmente de jovens nascidos após o ano de 2001, e esperando que devido ao percurso  político prematuro do Dr. Carlos Veiga iria colocá-lo no “banco de esquecimento” dessa atual geração, em que o candidato JMN seria mais “popular”,  as vossas expectativas saíram frustradas.

Essa implicância vossa com o charmoso boneco só pode ter uma e outra explicação: frustração! O Dr. Carlos Veiga e o seu Staff vos deram um “kebra rim” ao estilo de Messi. É sabido que a propaganda eleitoral de hoje em dia na maioria dos países se faz com bandeiras, camisolas, chaveiros, chapéus, canetas, bonecos, etc, etc

Portanto, para o ano de 2026 (caso queira insistir no cargo presidencial) aconselhe o seu candidato a meter a mão no cofre da sua Fundação e faça a sua propaganda eleitoral com mais vida, mais brilho, mais modernidade e originalidade, que não se fique apenas nas t-shirts em que a durabilidade das mesmas é correspondente a duas lavagens numa “tábua bati”.

O lema do vosso candidato não deveria ser “Nu djunta mon, cabesa e coraçon”, mas sim “Nta Kebrod ki nem Djosa”.

1 COMENTÁRIO

  1. Peço desculpas ao Senhor Néstor Lobo. O Senhor sabe melhor do que eu uma Constituição é uma documento jurídico eminentemente político. O poder político traça as grandes linhas orientadoras da organização política do Estado. O jurista apenas redige as orientações políticas emanadas pelo poder político. O MpD, em 1991, tinha no seu seio uma plêiade de juristas, a começar pelo seu Presidente, Dr. Carlos Veiga, e nomes como Jorge Carlos Fonseca, Eurico Monteiro, José Manuel Pinto Monteiro, Arnaldo Silva, Alfredo Teixeira, Spencer Lopes e outros. A Constituição de 1992 contou com o contributo de todos eles para elaboração do documento final que talvez teve a revisão da redação do Dr. Brito. Apenas isso. A Constituição foi aprovada pelo MpD e enviado ao Parlamento para decisão final. A Lei de Bases da Reforma Agrária foi elaborada por uma enorme equipa multisetorial que levou anos a preparar o documento havendo na equipe especialistas internacionais contratados pela FAO. Esta equipa seguia como não podia deixar de ser das orientações do PAIGC. Depois de elaborada a lei ela teve retoques profundos da Direção do PAIGC e depois a lei foi enviada a ANP. O Dr. Carlos Veiga foi um dos membros desta Equipa e como Procurador Geral da República. Carlos foi um dis redactores da Lei da Reforma Agrária que veio a ser completada com outros dispositivos jurídicos. Pode se dizer que ele foi o autor desta Lei. Só faz esta afirmação quem não viveu estes tempos. Desde Agosto de 1974, nada acontecia em Cabo Verde sem que o PAIGC tivesse conhecimento. Infelizmente para Cabo Verde a liberdade do 25 de Abril demorou uns meses. Há muitas histórias.

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