Criamos o hábito de analisar ou discutir sobre o desenvolvimento de uma determinada ilha ou região quase exclusivamente sobre as obras ou infraestruturas que são construídas pelos governos ou câmaras municipais.
As obras ou infraestruturas são essenciais para o desenvolvimento social, mas devem estar atrelados acima de tudo ao desenvolvimento económico do tecido empresarial onde são edificadas.
Nos últimos dias assisti nas redes sociais uma discussão sobre o desenvolvimento da ilha de Santo Antão, e o que vinha a tona eram quase só as obras, e nenhum realce dos seus impactos fundamentados na economia da Ilha de Santo Antão.
Neste particular, regressando as minhas funções de técnico e estudando mais os documentos que são produzidos pelas instituições do país, estive analisando o VI Recenseamento Empresarial de 2022, o último até agora publicado, onde tirei algumas notas interessantes da Ilha de Santo Antão, entre 2017 e 2022, onde ocorreram penúltimo e último ato de Recenseamento Empresarial. Vamos aos dados:
– Santo Antão tinha em 2017 cerca de 764 empresas ativas passando para 1.216 em 2022, um aumento de 452 novas empresas, que em termos percentuais representam cerca de 37% a mais. Destas empresas todas, quanto ao seu tipo, 1.045 são microempresas, 89 são pequenas empresas, 74 médias empresas e apenas 8 são grandes empresas;
– O número de pessoas ao serviço em 2017 eram de 2.874 passando para 3.943, ou seja, um aumento de 1.064, que em termos percentuais reflecte um crescimento de cerca de 27% de pessoal contratado ao serviço destas empresas;
– O volume de negócios é um indicador muito importante, e neste houve também um aumento significativo de cerca de 30%, passando de 2017 de uma faturação de 4.550.134 (Unidade monetária contos) para 6.444.628 em 2022. Por exemplo, no nosso município de Porto Novo, onde a atividade informal predomina estão-se a criar mais empresas, e o volume de negócios das 445 empresas ativas existentes contrastando com os 297 existentes em 2017 atingem cerca de 2,8 milhões de contos.
Através desta análise simples verifica que o tecido empresarial em Santo Antão está numa fase de tendência ascendente, mas pese embora quando cruzado com o seu peso no nacional, ou ilhas com mais população e infraestruturas mais robustas, como por exemplo, com aeroportos internacionais estamos muito abaixo.
Estes dados nos mostram que temos um potencial de crescimento muito grande do nosso setor empresarial se exploramos ao máximo os nossos setores da agricultura, pecuária, indústria transformadora, pescas e a grande alavancagem que o turismo veio trazer em vários sectores conexos, podemos sim ter um setor empresarial forte que gera riqueza, empregos e condições de vida para os santantonenses.
Mas, para que tudo isto continue a crescer é importante continuar a infraestruturar a Ilha sob todos aspectos, disponibilizar linhas de créditos acessíveis e com menos burocracia e juros mais baixos para resolução dos problemas crónicos de tesouraria destas micro e pequenas empresas, mas também para investirem em recursos humanos profissionalizados, novos produtos e serviços, equipamentos e tecnologias.
Este é uma parte do caminho para aumentarem a sua competitividade nacional.
Atenção não é preciso eu levar com a CARTILHA ou MANUAL são apenas dados retirados da seguinte fonte: INE, VI° RE 2022.


