Estudo da ENDA-Guiné-Bissau revela existir, cada vez mais, adolescentes de 13 e 14 anos, a consumir drogas no País. Bafatá é apontada como a região mais afetada
O referido estudo incidiu nas regiões de Bafatá, Gabu, na zona leste da Guiné-Bissau, e na Capital do País, visou determinar a cartografia estimada do tamanho da população, através de um inquérito bio-comportamental de utilizadores de drogas injetáveis na Guiné-Bissau.
Ao apresentar os resultados, o Diretor da ENDA-Guiné-Bissau, Mamadu Aliu, assinalou que o estudo permitiu concluir que Bafatá é onde a população inicia mais cedo o consumo de droga, mas também é a zona onde indivíduos com mais baixa taxa de escolarização consomem estupefacientes.
Igualmente na região leste da Guiné-Bissau, Gabu é a zona onde se notou uma maior diversidade de nacionalidades no uso e consumo de droga, bem como a multiplicidade de consumos, referiu a mesma fonte.
A Cidade de Bissau é a zona com maior número de consumidores de drogas, mas também é onde se constatou a presença de maior taxa de escolarização entre os utilizadores, sublinhou ainda.
O estudo, adiantou, trouxe ao de cima “um conjunto de dados preocupantes”, nomeadamente o fato de o uso e consumo de droga estar a “fazer subir” a taxa de prevalência de doenças como HIV/SIDA, hepatite, tuberculose e sífilis na comunidade de consumidores.
Mamadu Aliu apontou também para situações como aquela em que a escola “é transformada num dos principais pontos de consumo” e o fato de o sexo ser usado, pelas raparigas dependentes, como elemento de troca por droga.
Segundo o responsável, é preocupante o dado revelado pelo estudo de que existem muitos consumidores nas três regiões que não sabem como e onde fazer um despiste de doenças transmissíveis e muitos admitiram ser normal a troca de materiais como seringas, cachimbos e colheres.
O Diretor da ENDA-Guiné-Bissau precisou que os resultados do estudo vão permitir aos decisores políticos e intervenientes na luta contra o flagelo, conhecer melhor o problema e desta forma propor políticas para o combate.
Mamadu Aliu disse que a vulnerabilidade económica da população e a falta de informação e de apoio psicológico são os principais motivos para o uso e consumo de drogas na Guiné-Bissau.
Com Agência Lusa


