A Assembleia Geral da Nações Unidas aprovou hoje, quarta-feira, uma resolução histórica que reconhece o tráfico transatlântico de escravos como um dos crimes mais graves contra a humanidade
A iniciativa é liderada pelo Gana e co-patrocinada por vários países, incluindo Cabo Verde.
A proposta foi adotada com uma expressiva maioria, registando 123 votos a favor, três contra e 52 abstenções do universo de 193 Estados-membros da ONU, refletindo um amplo consenso internacional em torno da necessidade de reforçar o reconhecimento histórico e a justiça simbólica sobre este capítulo marcante da história mundial.
Portugal é um dos países que no passado se envolveu no comércio transatlântico de escravos, que se absteve na votação.
O texto sublinha o impacto duradouro do tráfico de escravos, considerado responsável por séculos de exploração, discriminação e desigualdades que ainda hoje afetam milhões de pessoas em diferentes partes do mundo. A resolução apela também ao fortalecimento de políticas de memória, educação e reparação histórica.
Além de Cabo Verde, outros países da CPLP juntaram-se como co-patrocinadores da iniciativa, reforçando o compromisso do espaço Lusófono com a valorização da dignidade humana e a condenação de práticas históricas de opressão.
Nota-se que, ao contrário do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as resoluções da Assembleia-Geral não são juridicamente vinculativas, mas refletem de forma importante a opinião mundial.


