O Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) manifestou profunda preocupação com a gravidade dos factos investigados no âmbito da Operação Aurora, na ilha do Sal, e garantiu estar a acompanhar a situação, assegurando medidas de proteção e apoio psicossocial às crianças e adolescentes eventualmente envolvidos
Num comunicado divulgado ontem, quarta-feira, 7 de outubro, o ICCA condena firmemente todas as formas de abuso e exploração sexual de menores, considerando que constituem graves violações dos direitos fundamentais das crianças e exigem uma resposta célere e coordenada das autoridades e da sociedade.
A instituição garante que as suas equipas técnicas estão disponíveis para assegurar o acompanhamento e apoio psicossocial necessários às vítimas identificadas no processo, salvaguardando a sua segurança, privacidade e bem-estar.
O ICCA dirige um alerta particular aos órgãos de comunicação social e aos utilizadores das redes sociais, apelando para que não sejam divulgados nomes, imagens ou quaisquer elementos que permitam identificar as crianças e adolescentes envolvidos, evitando a sua exposição e revitimização.
A posição surge na sequência dos desenvolvimentos da Operação Aurora, investigação conduzida pela Polícia Judiciária sobre suspeitas de prostituição de menores, lenocínio, abuso sexual de crianças e agressão sexual de menores.
Conforme noticiou anteriormente o OPAÍS.cv, entre os arguidos identificados no processo encontram-se o jornalista e delegado da RTC no Sal, Moisés Évora, um dirigente do INPS identificado como Nuno e um técnico informático de nome Evandro. O conhecido Djô Palavra também figura entre os arguidos, mas não ficou sujeito à medida de prisão preventiva.
Segundo os dados anteriormente divulgados, a operação contabiliza 25 detidos, dos quais 18 ficaram em prisão preventiva. A investigação, iniciada em julho de 2025, procura esclarecer factos alegadamente ocorridos desde 2023, envolvendo menores, alguns com menos de 14 anos.
O ICCA reafirma que a proteção das crianças e adolescentes deve constituir uma prioridade nacional, apelando à denúncia de situações suspeitas através da linha gratuita e confidencial 800 10 20.
Entretanto, importa sublinhar que todos os arguidos beneficiam da presunção de inocência até decisão judicial definitiva.





