Carlos Sena garante que o Governo não vai proteger ninguém que tenha cometido crimes, no âmbito do processo Shark, que resultou numa megaoperação de combate ao narcotráfico e na detenção de cerca de vinte pessoas na cidade da Praia, entre polícias, guardas prisionais e PCA do HUAN
Em declarações ontem sobre o caso, o ministro da Administração Interna, Carlos Sena, sublinhou que os factos sob investigação remontam a 2016 e 2017, portanto, são anteriores à entrada em funções do atual executivo do PAICV. Ainda assim, manifestou estranheza pelo facto de o processo só agora ter avançado para a fase de detenções.
“Não entendemos porque é que só agora estes projetos saíram da gaveta”, comentou Carlos Sena, questionando como é que factos ou interceções telefónicas de 2016 e 2017 só dão origem a detenções em 2026.
Apesar das reservas quanto à demora na tramitação do processo, o ministro assegurou que o Governo vai acompanhar a situação e deixou claro que não haverá proteção para eventuais envolvidos, tendo ressalvado, contudo, que, nesta fase, existem apenas indícios, não uma acusação ou condenação, pelo que cabe à justiça apurar os factos.
Carlos Sena considerou ainda que, caso se confirmem as suspeitas envolvendo elementos das forças de segurança, estarão em causa situações inaceitáveis, por representarem uma traição à farda, ao país e aos próprios colegas.
O ministro defendeu, por isso, o respeito pelo princípio da presunção da inocência e garantiu que o executivo vai trabalhar com transparência, justiça e no sentido de assegurar a segurança de todos.
O governante aproveitou também para afirmar que o cumprimento dos mandados no âmbito desta operação demonstra que o Governo não permitirá que processos desta natureza continuem engavetados.
Entretanto, no âmbito do processo Shark, os detidos foram ouvidos ontem, ao final da tarde e início da noite, no Tribunal da Praia. Até ao momento, ainda não são conhecidas as medidas de coação que lhes serão aplicadas.





