Oportunismo ou convicção?

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Nota prévia: nós os militantes do MpD merecemos ser tratados com coerência. Que as eleições para a escolha do próximo presidente sejam ocasião de apresentar propostas para sobre elas debruçarmos, mas nada de oportunismo.

Em frente. Ouvi com alguma surpresa o candidato Meno Fernandes avançar que propõe a revisão dos Estatutos do MpD para devolver maior autonomia às comissões políticas concelhias e permitir que estas tenham um papel determinante na escolha dos candidatos aos diferentes atos eleitorais. Seria, sem dúvida, uma excelente iniciativa… se não fosse um claro “copy-paste” de uma das principais bandeiras que Paulo Veiga, defende desde o primeiro momento da sua candidatura.

Mais do que isso, trata-se de uma proposta que colide frontalmente com a prática e a posição que o próprio Meno assumiu ao longo dos últimos anos. Durante a anterior liderança do partido, quando foram retiradas competências e poderes às estruturas concelhias, nunca se conheceu uma posição pública sua de discordância. Pelo contrário, com o seu silêncio nesta matéria, acompanhou e validou uma orientação que conduziu precisamente ao enfraquecimento das bases do MpD.

É, por isso, legítimo questionar: o que mudou? Mudou a convicção ou apenas a conveniência eleitoral, caro Meno?

Estou convicto de que os militantes sabem distinguir quem sempre defendeu o reforço da democracia interna de quem apenas agora, em tempo de campanha no partido, abraça ideias que antes nunca teve a coragem de sustentar. Não basta prometer devolver poderes quando, tendo responsabilidade e influência, se concordou com a sua retirada.

A democracia (inclusivé no MpD) constrói-se com coerência, não com discursos de ocasião. E a credibilidade conquista-se pela consistência entre aquilo que se diz hoje e aquilo que se faz ou fez.

Na qualidade de militante, espero, no dia 6 de setembro, com vida e saúde, exercer o meu direito de escolha do próximo presidente do MpD, pelo que apelo aos demais militantes para que analisem as propostas com espírito crítico e memória. Não se deixem seduzir por palavras que soam bem, mas perguntem sempre quem esteve verdadeiramente ao lado das estruturas concelhias quando estas perderam voz e autonomia.

Quem nunca se opôs à retirada de poderes das comissões políticas concelhias dificilmente convence que será agora o protagonista da sua devolução. O MpD merece um debate sério, baseado em ideias, mas também em coerência. E, nesse capítulo, os factos falam mais alto do que as promessas.

E tenho para mim que quem não lida bem com a crítica, dificilmente está disposto a dar, de facto, liberdade às concelhias para decidirem.

É tempo de reflexão para se poder decidir com convicção e não com oportunismo.

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