Orlando Dias desafia rivais e pede retirada de Luís Filipe Tavares da corrida à liderança do MpD

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Candidato defende que é o único dos quatro concorrentes com presença parlamentar, lamenta falta de diálogo com Meno Fernandes, elogia abertura de Paulo Veiga e quer convencer Luís Filipe Tavares a abandonar a disputa em nome do consenso

O deputado Orlando Dias afirmou esta quinta-feira estar melhor posicionado para assumir a presidência do MpD, defendendo que a sua experiência política e o facto de ser o único candidato com assento parlamentar fazem dele a opção mais adequada para liderar o partido na atual conjuntura.

Em declarações à RCV, Orlando Dias questionou a capacidade dos seus adversários para exercer uma liderança política eficaz sem representação no parlamento, sublinhando que nenhum dos restantes candidatos é deputado.

Segundo o candidato, o MpD atravessa uma fase que exige sobretudo reorganização interna e preparação para os próximos desafios eleitorais, e não uma liderança focada desde já na disputa pelo cargo de primeiro-ministro. Orlando Dias defende que o partido deve concentrar-se no reforço das suas estruturas, no alargamento da base de militantes e na preparação das eleições autárquicas, deixando para uma futura convenção, em 2029, a definição de uma liderança orientada para a conquista do governo.

Nesse contexto, lançou um apelo direto a Luís Filipe Tavares para reconsiderar a sua candidatura, argumentando que, após mais de uma década como vice-presidente do partido, o antigo governante terá dificuldades em apresentar uma proposta verdadeiramente renovadora para o MpD.

O deputado revelou ainda estar empenhado na construção de consensos entre os candidatos, admitindo mesmo que a melhor solução para o partido seria evitar uma disputa interna nesta fase. Nesse esforço de aproximação, destacou a conversa que manteve recentemente com Paulo Veiga, que classificou como positiva. “Já tive uma conversa com o Paulo Veiga e ele foi bastante humilde”, afirmou.

Em contraste, Orlando Dias lamentou não ter conseguido estabelecer contacto com Meno Fernandes, afirmando que as suas tentativas de diálogo não tiveram resposta. “Telefonei, mas ele não atendeu nem apareceu”, declarou, admitindo estranheza perante a indisponibilidade do adversário para conversar sobre o processo interno.

Quanto a Luís Filipe Tavares, o candidato garantiu que o contacto ainda não aconteceu, mas manifestou vontade de promover um encontro nos próximos dias para discutir o futuro da disputa e a necessidade de encontrar uma solução consensual para o partido.

Orlando Dias alertou ainda para os desafios que uma eventual liderança sem representação parlamentar poderá enfrentar, questionando como os candidatos que não são deputados pretendem protagonizar a oposição ao governo e afirmar-se politicamente perante os cabo-verdianos.

Sobre a possibilidade de um debate entre os candidatos, Orlando Dias manifestou total disponibilidade para participar.

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