Os Tubarões preteridos nas comemorações do centenário de Amílcar Cabral

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Decisão de excluir o grupo musical das comemorações do centenário de Amílcar Cabral está a ser vista como uma grande ingratidão pela Sociedade

A denúncia foi feita por Jorge Lima, percussionista de um dos grupos mais icónicos da cultura Cabo-verdiana, que não apenas acompanhou a luta pela independência, mas também ajudou a moldar o espírito da Nação recém-independente.

Os Tubarões, com temas intemporais como “Cabral ka Morri” e “Labanta Brasu, Bu Grita Bu Liberdade”, deram voz a sentimentos de esperança e de luta que marcaram profundamente a nossa história recente.

A exclusão deste grupo nas celebrações não é apenas uma omissão, mas uma flagrante injustiça. Mais do que desrespeitar a sua contribuição cultural, trata-se de uma escolha que evidencia uma tendência preocupante de apropriação seletiva da nossa história.

A obra de Os Tubarões é parte integrante da identidade cultural de Cabo Verde. Ignorá-los neste evento em particular reforça a impressão de que certos setores da Sociedade procuram monopolizar a figura de Amílcar Cabral para fins políticos.

Essa postura, em vez de promover união em torno de um marco histórico, acentua divisões desnecessárias, alimentando um ambiente de exclusão e ressentimento.

Cabral, independentemente do peso simbólico que possa ter para diferentes correntes ideológicas — e cuja figura, diga-se de passagem, não é consensual na Sociedade Cabo-verdiana —, não deveria ser património de uma fração da Sociedade. Sua memória, assim como a cultura que se derivou dela, deveria pertencer a todos os Cabo-verdianos que assim desejassem. Contudo, ao afastar intervenientes tão representativos como Os Tubarões, cria-se uma divisão que enfraquece um possível consenso.

A exclusão de Os Tubarões não pode ser ignorada. Mais do que um simples erro organizacional, ela reflete uma visão limitada da nossa história.

Que este episódio sirva de alerta para a necessidade de revermos abordagens que, em vez de nos unir, continuam a nos dividir.

2 COMENTÁRIOS

  1. Não dá para entender mesmo, se na altura não tivemos nenhuma grupo e ninguém mais a cantar, tocar e vangloriar Cabral mais do que este conjunto.

    Estamos a ter tantos ditos descasos a acontecerem neste país de forma incrível que não nos abona em nada.

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