Outra vez o JMN a interferir directamente num assunto da exclusiva competência do Governo

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Venham as estranhas e chumbregas vozes lançar o coro: “É o poder da PALAVRA que o Presidente da República tem naturalmente”! Sim, meus senhores, nesta terra todos nós -o povo todo -temos direito à PALAVRA. A Assembleia Nacional tem direito à PALAVRA. O Governo também tem direito à PALAVRA. Os Tribunais têm direito à PALAVRA. Na liberdade e na democracia quem não tem direito à PALAVRA?

E depois dizem que nós é que não estamos a deixar em paz o JMN? E quando é ele a não deixar em paz o Governo, o que ele faz quase todos santos dias, religiosamente, as mesmas pessoas que nos criticam fingem-se remeter ao silêncio sepulcral e desatam a bater palmas!

Isto vem a propósito da nomeação do Emanuel Barbosa para o PCA da recém criada Autoridade da Concorrência.

Numa mal ensaiada entrevista à TCV, o Presidente da República, Dr. José Maria Neves, falou e teceu – com o seu jeito sempre ardiloso, com a mestria de uma cobra que prepara-se para atacar- duríssimas críticas ao Governo por ter nomeado o Emanuel Barbosa para o citado cargo. É o imaginativo uso do direito à PALAVRA! Use-a sempre que entender senhor Presidente! Fale sobre tudo e invada todas as competências deste país. Roda viva! Fale que o MPD ande a COLONIZAR, a fragilizar as INSTITUIÇÕES. Não se esqueça! Fale também das suas já abusivas e esbanjadoras viagens! Que até merecem comentários desagradáveis de seus camaradas menos fanatizados! Fale! Fale da Praia, fale da VERGONHA que campea na nossa querida CAPITAL! Ah Praia? Deste a vitória ao José e ele te abandonou no meio do LIXO, do FEDOR e da PORCARIA! Fale da Praia senhor Presidente! O senhor só fala de coisas contra o Governo? Não fala da Praia? Do fedor? Ah esqueci-me o senhor não anda a parar na cidade da Praia! É verdade!

Voltemos ao assunto.

E imaginem o ardil? O JMN disse que “não queria falar de caso concreto, de caso específico”, entretanto, ao respeito do caso concreto, da nomeação do Emanuel Barbosa, ele despencou essas duras palavras, literalmente:

Deve-se evitar “a excessiva partidarização do espaço público”, evitar que “fragilizaremos as instituições de Regulação e de Gestão de Conflitos”, evitar a “precarização das instituições”, deve “haver contenção, de não colonizarmos a Administração Pública e de agirmos no sentido de garantir a universalidade, a imparcialidade, particularmente dos órgãos de Regulação, da técnica ou económica da Administração Pública”. Este é o registo fiel do que disse o JMN no jornal de Domingo da TCV.

O homem disse que não queria falar do caso concreto, “específico”, imaginem se estivesse a falar de um caso concreto, o que diria o senhor Presidente?

Teria o senhor Presidente a necessidade de verbalizar tanto assim?  E ainda por cima com essa dureza sobre um assunto que não é, de perto nem de longe, da sua alçada ou da sua competência?

Qual é a verdadeira agenda do José Maria Neves? O que pretende o senhor Neves afinal?

Todos sintonizados que nem relógio suíço! O Paicv espanca duro no Governo sobre o caso da nomeação do Emanuel Barbosa e o senhor Presidente da República réplica com um escopo e arranca os dentes ao Governo! Deus vos abençoará!

Imaginem este senhor Presidente! O senhor anda a arrancar os dentes ao Governo com a dureza fria de um escopo! Afinal, não foi o senhor que em 2015, a pouco tempo do fim do mandato, nomeou o seu camarada, Lívio Lopes para a Agência de Regulação Económica? E quantos mais o senhor nomeou em 15 anos da sua mais que partidarizada governação? A sua partidarização foi a que mais cheirou mal aos caboverdeanos e a este país! As suas palavras, senhor Presidente, foram as mais duras que eu já vi dirigidas contra o Governo da República. Cabe ao Governo avaliar da oportunidade da resposta, porque foi o Governo quem nomeou o Emanuel Barbosa.

6 COMENTÁRIOS

  1. AMNÉSIA SR. PRESIDENTE DA REPÚBLICA, JOSÉ MARIA NEVES???
    1. Lívio Lopes: Deputado/ PCA ARME
    2. Inocêncio: Deputado /PCA CVTelecom
    3. José Maria Veiga: Deputado / PCA INPS.
    4. Aristides Lima: Presidente do Paicv, Deputado/ Juiz do Tribunal Constitucional.
    5. Romeu Modesto: Deputado / PCA RTC
    6. Emanuel Andrade: Deputado / PCA RTC
    7. Nuías Silva: Deputado / Membro Conselho de administração da Caixa Económica.
    8. José Carlos Delgado: Dirigente Paicv / Deputado / Presidente do Tribunal de Contas, Provedor da Justiça.
    9. José Maria Veiga Júnior: Deputado/ Administrador projeto GICA(Cooperação Japonesa)
    10. Vanusa Cardoso: Deputada / Presidente do Instituto de Solidariedade Social”

    • Embora seja próximo do PAICV, confesso que de há muito me incomoda a hipocrisia e o malabarismo do José Maria Neves que, naquele tom maquiavélico de menino coitado, profere os mais mais mortíferos ataques a adversários ou pretensos adversários políticos, com o intuito de os eliminar do campo da batalha, como se, com a sua conduta e pratica governativa, ele fosse exemplo para alguma coisa. Foi assim que deu cabo do Felisberto Vieira ou do Aristides Lima. Promoveu uma rede de figurinhas pardas dentro do PAICV, dando-os cargos e dinheiro do Estado, amantizou com uma boa parte das do sexo feminino, no âmbito de um estratagema para prolongar o controle do PAICV, e estimular o afastamento dos mais idôneos . Fosse numa democracia mais exigente ou numa sociedade mais conservadora, jamais chegaria a PR. Portanto há que ter cuidado com ele, pois, sabendo ele das fragilidades da nossa justiça, a ponto de até hoje nenhum dos seus meninos e meninas irem parar atrás das grades, JMN parte agora para outras metas, caso não seja barrado.
      Ele só fala do que lhe convier. Podia perfeitamente também usar o Don da Palavra para abordar a questão da sua casa, conforme foi desafiado na campanha eleitoral !

  2. Infelizmente tenho de concordar com o Dr Maika Lobo. A forma deselegante e desonesta como o Sr PR criticou o GOVCV merece uma resposta clara e inequívoca tanto do GOVCV como do partido que o suporta. Alguém tem que colocar o Sr PR no seu respetivo lugar sob pena de, por mais pequeno sinal de crise, teremos eleições antecipada!!!!!!

  3. Contra factos não há argumentos. Os argumentos são de César Santos Silva e fico à espera aqui ou Facebook ou em qualquer outro meio de comunicação social o contraditório dos apoiantes do José Maria Neves.

  4. É de um descaramento incomensurável de alguém que governou Cabo Verde durante 15 anos, cuja sua marca era mesmo colonizar a administração pública. O sufoco era tanto que até as ASG (ajudantes dos Serviços Gerais) afetas ao sistema, intrometiam nos serviços técnicos, porque eram todas ouvidas pelas chefias. De facto, não é de hoje que o Sr. PR, de forma ardilosa intromete na gestão governativa. Saudosismo? Então que termine o mandado de PR e volte a candidatar-se para o cargo de presidente do PAICV e consequentemente, candidato ao chefe de governo, para vir lavar a sujidade que deixou, de tanta colonização. Até porque, o caminho está livre e desimpedido para o cargo. Imaginemos nós, se fosse no tempo em que o Sr. JMN era chefe do governo, aparecer um PR a invadir o seu espaço como ele vem manhosamente a fazer. A sorte dos cabo-verdianos, é que temos um primeiro Ministro muito ponderado e focado na governação do país, um homem que faz de tudo para evitar confrontos, principalmente com outros Órgãos de Soberania. Senão, seria um Deus nos acuda. Quem labora em mentiras e falcatruas, ele é a primeira vitima da sua mentira e falcatruas, senão vejamos: mentir é uma estratégia para enganar outras pessoas. Para isso, você tem que estruturar a sua estratégia de tal forma, para que você primeiramente acreditar que a estratégia funciona, para em segundo lugar, acreditar também que outras pessoas irão embarcar nessa mentira. É caso para perguntar, se a tal magistratura de influência que o Sr. JMN propalou durante o período pré-eleitoral e mesmo depois de vencer as presidenciais, já esgotou a ponto de mudar de estratégia, que é intrometer na gestão governativa. Que deselegância democrática!

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