PAICV está “desatento e lento” na ação política relevante

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Crítica é do SG do MpD, em resposta a uma posição da Oposição 39 dias depois de um relatório da Fitch

Luís Carlos Silva sustentou que a declaração do PAICV feita esta terça-feira, 17, sobre um relatório da Fitch publicado a 9 de dezembro de 2022, revela um PAICV “desatento e lento” na ação política relevante.

Aquele responsável lamenta que o PAICV tenha precisado, exatamente, de 39 dias, para “analisar e tirar conclusões sobre o relatório”, pelo que advogou, Cabo Verde “precisa de uma Oposição mais atenta e mais assertiva”.

“Apesar de todo este atraso, o PAICV se deixa levar pela sua ânsia de pintar de negro o País e comete imprecisões e erros grosseiros”, avaliou o SG do Partido do Governo.
LCS argumenta que o nosso País, ao contrário da leitura enviesada do PAICV, não regrediu, mas tem mantido a posição “B” desde “17/04/2020”.

“A verdade dos fatos é que temos mantido uma grande estabilidade nas classificações desta agência. De março de 2014 a dezembro de 2019, mantivemos sempre com a pontuação de “B”, sendo, no último relatório com “B” foi a 13/12/2019”, argumentou o político, sublinhando que o relatório a seguir foi o de 17 de abril de 2020, “dentro da pandemia, onde sofremos uma redução na pontuação para “B-“, fato normal e expectável, pois, como muitos outros países no mundo, incluindo as economias mais avançadas, tivemos de aliviar na disciplina orçamental para alargar a capacidade de intervenção, por exemplo pela via do endividamento, para podermos ter capacidade de ação e enfrentar as terríveis e conhecidas consequências da pandemia”, justificou.

“Foi assim em 2020, 2021 e também em 2022, com as consequências da guerra”, ajuntou.

Entretanto, continuou LCS, o PAICV, “fruto de uma grande criatividade”, consegue transformar um relatório que realça a resiliência e capacidade de combate de Cabo Verde na luta contra os constrangimentos que resultam da crise, em um relatório “negro”.

“Devemos dizer ao PAICV que a Fitch, bem como outras agências internacionais, não carece dos ensinamentos do PAICV e muito menos de apoio técnico para interpretarem dos dados macroeconómicos de Cabo Verde. Aliás, este relatório é a demonstração disso mesmo”, constatou, admitindo ser “óbvio” que o volume da Dívida Pública (que já era alta em 2016), durante a pandemia “seguiu uma trajetória ascendente”.

Citando dados da Fitch, avançou o SG do MpD, a instituição “espera que a dívida pública de Cabo Verde em relação ao PIB permaneça em uma trajetória descendente no médio prazo, caindo para 121% do PIB em 2024 de 143,7% em 2021, impulsionada principalmente pelo forte crescimento nominal do PIB”.

Ao contrário da narrativa do PAICV, ajuntou LCS, a Fitch “reconhece e incentiva” Cabo Verde a continuar a trajetória descendente da Dívida. “Pois já estamos em rota descendente”, reconheceu.

Relativamente à dívida, LCS diz que a agência de notação “reconhece” que o risco de Cabo Verde é “mitigado por métricas favoráveis de acessibilidade da dívida e baixo risco de refinanciamento”.

Continuando, “a taxa de juros média ponderada do estoque total da dívida é de 1,9%, e de apenas 1% para a dívida externa pública. Além disso, 88,1% do estoque da dívida tem taxa de juros pré-fixada, o que mitiga os riscos de elevação das taxas de juros globais”, pelo que “o drama da insustentabilidade só está nos olhos do PAICV”, contradiz.