PAM alerta para “crise de fome” que está a aproximar-se do Sudão do Sul 

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Uma “crise de fome está a aproximar-se” do Sudão do Sul, onde nos últimos cinco meses chegaram cerca de 300 mil pessoas fugidas da guerra no vizinho Sudão, alertou nesta terça-feira, 3, o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas

A maioria das pessoas que fugiram dos combates e atravessaram a fronteira com o Sudão do Sul são sul-sudaneses que “estão a regressar a um País que já enfrenta necessidades humanitárias sem precedentes”, sublinhou o PAM num comunicado hoje divulgado

“Estamos a ver famílias a trocar um desastre por outro, a fugir do perigo no Sudão para se verem a braços com o desespero no Sudão do Sul”, afirma Mary-Ellen McGroarty, diretora do PAM no Sudão do Sul, citada no texto.

Uma avaliação do PAM relativa à segurança alimentar revela que 90% das famílias que regressam ao Sudão do Sul estão em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, enquanto os dados de rastreio recolhidos na fronteira revelam que quase 20% das crianças com menos de cinco anos e mais de um quarto das mulheres grávidas e lactantes estão subnutridas.

O PAM não dispõe de “recursos para prestar assistência vital aos que mais precisam”, adverte a responsável.

Em todo o Sudão do Sul, o PAM tem um défice de financiamento de 536 milhões de dólares para os próximos seis meses e só conseguiu chegar a 40% das pessoas em situação de insegurança alimentar com assistência alimentar até 2023.

Os Sul-sudaneses “atravessam a fronteira apenas com a roupa do corpo” e alguns são também vítimas de roubo e violência durante a viagem, segundo o PAM, que teme também epidemias durante a estação das chuvas.

Depois de se ter tornado independente do Sudão em 2011, o Sudão do Sul mergulhou numa guerra civil que fez quase 400.000 mortos e milhões de deslocados entre 2013 e 2018.