Papa assume “tensões” na Igreja e pede fim de “oposições ideológicas e polarizações prejudiciais”

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Homilia conclusiva do Jubileu das Equipas Sinodais deixa convite a fazer das comunidades Católicas um “lugar acolhedor para todos”

O Papa assumiu este domingo a existência de “tensões”, após o processo sinodal dos últimos anos, pedindo a superação das divisões e a promoção de uma Igreja de “comunhão”, próxima de cada pessoa e centrada no serviço.

“Essa atitude ajudar-nos-á a viver com confiança e com um novo ânimo as tensões que atravessam a vida da Igreja – entre unidade e diversidade, tradição e novidade, autoridade e participação -, deixando que o Espírito as transforme, para que não se tornem oposições ideológicas e polarizações prejudiciais”, referiu Leão XIV, na homilia conclusiva do Jubileu das Equipas Sinodais, na Basílica de São Pedro.

O Vaticano acolheu, desde sexta-feira, dois mil pessoas dos cinco continentes, para o Jubileu das Equipas Sinodais, um ano depois do final da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo.

“Ninguém deve impor as próprias ideias, todos devemos ouvir-nos reciprocamente. Ninguém está excluído, todos somos chamados a participar; ninguém possui toda a verdade, todos devemos procurá-la juntos e humildemente”, apelou o Papa.

Leão XIV destacou que a Igreja é mais do que uma “simples instituição religiosa”, com hierarquias e suas estruturas próprias, apresentando-a como “sinal visível da união entre Deus e a humanidade”.

Perante responsáveis dos cinco continentes, o Pontífice realçou que as equipas sinodais representam uma Igreja “onde as relações não respondem à lógica do poder, mas à do amor”, convidando-as a “ampliar o espaço eclesial para que se torne colegial e acolhedor”.

O Papa alertou, na sua homilia, para as atitudes de superioridade e exclusão que Jesus questionou nas instituições religiosas do seu tempo. “O mesmo também pode ocorrer na comunidade cristã. Acontece quando o ‘eu’ prevalece sobre o ‘nós’, gerando personalismos que impedem relações autênticas e fraternas; quando a pretensão de ser melhor do que os outros, como faz o fariseu com o publicano, cria divisão e transforma a comunidade num lugar de julgamento e exclusão; quando se aproveita da própria função para exercer poder e ocupar espaços”, advertiu.

A última Assembleia Geral do Sínodo, cuja segunda sessão decorreu de 2 a 27 de outubro de 2024, teve como tema ‘Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão, missão’; o processo começou com a auscultação de milhões de pessoas, pelas comunidades Católicas, em 2021, e a primeira sessão sinodal decorreu em outubro de 2023.