Paulo Veiga abre novo ciclo no MpD, promete oposição firme e desafia Governo a transformar promessas em resultados

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O presidente do MpD, Paulo Veiga, encerrou, ontem, domingo, na cidade da Praia, a XIV Convenção Nacional do partido com um discurso marcado por duras críticas às primeiras opções do Governo do PAICV, pela promessa de uma oposição firme e responsável e pelo compromisso de devolver poder aos militantes, reforçar as estruturas concelhias e reconstruir a confiança dos cabo-verdianos

Perante dirigentes, delegados e convidados, Paulo Veiga afirmou que os três dias de trabalhos não representam apenas o encerramento de uma convenção, mas o início de um novo ciclo político para o MpD e para Cabo Verde.

“Saímos daqui com uma orientação política renovada, com o compromisso de devolver poder aos militantes e com a responsabilidade de reconstruir a confiança dos cabo-verdianos”, declarou.

Governo acusado de distanciar-se das promessas eleitorais

Uma parte significativa da intervenção foi dedicada à atuação do Governo, particularmente ao aumento do custo de vida, à evolução dos preços dos combustíveis e às opções previstas nas diretrizes do Orçamento do Estado para 2027.

Paulo Veiga considerou existir uma distância preocupante entre a promessa eleitoral do PAICV de construir “um Cabo Verde para todos” e as primeiras decisões governativas.

O líder do MpD reconheceu as medidas anunciadas para limitar o aumento do gás butano, mas classificou a resposta governamental como insuficiente perante as dificuldades das famílias, dos transportadores e dos pescadores.

Questionou igualmente o aumento projetado das despesas com pessoal do Estado e a redução do investimento público, exigindo ao primeiro-ministro explicações sobre o financiamento das medidas sociais e as prioridades económicas.

Oposição firme

Apesar das críticas, Paulo Veiga garantiu que o MpD não pretende assumir uma oposição de bloqueio. “Não seremos uma oposição que deseja o fracasso do Governo”, assegurou, defendendo que o interesse nacional deve prevalecer sobre a disputa partidária.

O líder dos democratas prometeu fiscalizar as decisões governamentais, exigir transparência na utilização dos recursos públicos e apresentar alternativas, sem excluir o apoio a medidas que considere positivas para Cabo Verde.

Renovação interna e regresso às bases

No plano partidário, Paulo Veiga anunciou uma nova etapa de reorganização do MpD, assente no reforço das concelhias, na participação dos militantes e na abertura a novas lideranças.

Defendeu um partido mais próximo das comunidades, disponível para reconhecer erros, recuperar militantes afastados e criar oportunidades para os jovens.

A nova liderança pretende ainda criar estruturas de apoio, uma escola de formação política denominada José Filomeno Monteiro e funções de secretários executivos adjuntos.

O presidente do MpD apelou igualmente à unidade interna, incluindo os antigos adversários na disputa pela liderança, Herménio Fernandes e Luís Filipe Tavares.

Apelo à mobilização para as presidenciais

Na reta final do discurso, Paulo Veiga apelou à união dos militantes em torno da candidatura presidencial de Joana Rosa, lembrando a proximidade do próximo compromisso eleitoral.

A concluir, desafiou os militantes a transformarem as decisões da Convenção em trabalho concreto nas ilhas, nas concelhias e na diáspora.

“Não viemos a esta convenção para lamentar o passado. Viemos para assumir o futuro”, afirmou, encerrando com um apelo à mobilização e à construção de um MpD mais forte, unido e próximo dos cabo-verdianos.

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