Paulo Veiga avança até ao fim na corrida à liderança do MpD e defende reformas profundas no partido

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Candidato promete descentralização, maior envolvimento das bases e uma oposição construtiva caso seja eleito presidente do MpD a 6 de setembro

Paulo Veiga confirmou que a sua candidatura à presidência do MpD é irreversível e garantiu que seguirá até ao fim na disputa interna marcada para 6 de setembro. Em entrevista à RCV, o antigo governante defendeu a necessidade de revitalizar o partido após os recentes resultados eleitorais e apresentou propostas para aproximar a futura direção das bases.

O candidato considera que o MpD precisava de ter realizado uma convenção logo após as eleições autárquicas de 2024, de forma a promover uma reflexão interna sobre os resultados e envolver os militantes na definição dos caminhos do partido. “Era necessário uma convenção para analisar a situação do partido, ouvir os militantes e corrigir problemas que pudessem existir”, afirmou.

Aproximar a liderança das bases

Uma das principais preocupações de Paulo Veiga é o que considera ser um afastamento entre a direção nacional e os militantes. O candidato reconhece que esse distanciamento tem sido uma das críticas mais frequentes recolhidas durante os contactos que vem mantendo em várias localidades do país.

Assumindo também a sua quota-parte de responsabilidade por ter integrado a liderança do partido nos últimos anos, o antigo ministro do Mar defende mudanças estruturais que permitam uma participação mais ativa das bases. Entre as propostas apresentadas estão alterações profundas aos estatutos do MpD, com reforço dos poderes das estruturas locais, das concelhias e dos núcleos de ação democrática. “Defendemos a descentralização para o país e temos de a praticar dentro de casa”, sustentou.

Oposição construtiva e firme

Caso seja escolhido pelos militantes para liderar o MpD, Paulo Veiga garante que orientará o partido para uma oposição “construtiva, atenta e acutilante”.

Segundo explicou, o objetivo será defender os princípios do MpD através da apresentação de propostas alternativas e da fiscalização da ação governativa, sem deixar de apoiar medidas que contribuam para o desenvolvimento do país.

Recuperar a força autárquica

Paulo Veiga considera que uma das prioridades da próxima liderança será preparar o partido para os desafios eleitorais que se aproximam, nomeadamente as eleições autárquicas.

O candidato assume como meta recuperar a posição histórica do MpD como principal força política autárquica do país. “Se for escolhido, o meu objetivo é definitivamente tornar o MpD o maior partido autárquico outra vez”, declarou.

Campanha de proximidade e digitalização

Na corrida à liderança, Paulo Veiga diz estar a privilegiar o contacto direto com os militantes através de visitas, encontros presenciais, chamadas telefónicas e mensagens.

Paralelamente, defende uma aposta mais forte na digitalização dos processos internos do partido, estratégia que designa por “porta a porta digital”, para reforçar a comunicação e a participação dos militantes.

O candidato revelou ainda que está a recolher contributos para a elaboração da sua moção de estratégia, documento que pretende apresentar oficialmente nas próximas semanas.

Juventude, mulheres e estudo

Paulo Veiga compromete-se igualmente a promover uma maior participação das mulheres e dos jovens nas estruturas do partido, defendendo que a paridade deve continuar a ser uma prioridade.

Outra das propostas passa pela criação de um gabinete de estudos permanente no MpD, destinado a analisar fenómenos políticos e sociais, produzir posições técnicas sobre questões nacionais e apoiar a definição de políticas públicas.

Segundo explicou, o partido deve estar preparado para apresentar soluções fundamentadas e alternativas credíveis ao Governo.

Disponível para debates

Perante a possibilidade de um debate entre os quatro candidatos à liderança do MpD, Paulo Veiga manifestou total abertura à iniciativa, sustentando que “não podemos fugir” aos debates, alegando ser “mais uma forma” de se chegar aos militantes e à sociedade cabo-verdiana.

Além de Paulo Veiga, estão na corrida à liderança do MpD Luís Filipe Tavares, Meno Fernandes e Orlando Dias.

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