Na apresentação da sua candidatura à liderança do MpD, realizada esta sexta-feira, no Bairro Craveiro Lopes, na cidade da Praia, Paulo Veiga apresentou uma visão assente na proximidade às bases, descentralização do partido, fortalecimento da diáspora e introdução de eleições primárias, defendendo uma liderança “a 100%” dedicada ao MpD
Perante militantes e dirigentes, numa das zonas tradicionalmente consideradas bastião do MpD na capital do país, Paulo Veiga afirmou que a sua candidatura “não começa contra ninguém”, mas sim “em casa”, com o propósito de reconciliar o partido com os seus militantes e recuperar a confiança daqueles que, ao longo dos últimos anos, se afastaram da organização.
Antes da intervenção do candidato, o mandatário nacional da candidatura, Celso Soares, deputado do MpD por Santiago Norte/Tarrafal, justificou o apoio a Paulo Veiga, apelando à mobilização de toda a família democrata para o projeto que considera capaz de renovar e fortalecer o partido.
Partido mais próximo das bases
Entre as principais propostas, Paulo Veiga comprometeu-se a devolver protagonismo aos militantes, defendendo uma liderança assente na escuta permanente das bases. “O MpD precisa de um presidente que faça o partido o seu tempo”, afirmou, prometendo um presidente disponível “7 dias por semana, 24 horas por dia”, exclusivamente dedicado ao partido. Acrescentou ainda: “Vamos devolver o MpD aos seus militantes”.
Mais poderes às concelhias
Paulo Veiga defendeu igualmente uma profunda descentralização da estrutura partidária, reforçando o papel das concelhias e das estruturas locais.
Segundo afirmou, pretende “devolver o partido ao território”, retomar as regiões políticas e reforçar a capacidade de mobilização das estruturas locais, por entender que “um partido que quer conhecer o país não pode ser dirigido apenas a partir da capital”.
Primárias e democracia interna
Um dos anúncios mais marcantes foi o compromisso de introduzir eleições primárias no MpD. “Vamos introduzir eleições primárias no MpD, porque quem quer liderar o partido deve começar por conquistar a confiança dos seus militantes”, declarou, defendendo ainda uma base de dados certificada de militantes e novos canais digitais para aproximar os membros do partido, independentemente da ilha ou do país onde residam.
Diáspora com papel reforçado
Paulo Veiga reservou também um espaço significativo da intervenção para a diáspora, considerando que o MpD deve integrar plenamente os militantes emigrados na vida partidária.
“A diáspora não pode continuar a ser lembrada apenas em tempo de eleições”, afirmou, propondo uma estrutura específica para a diáspora, com maior autonomia e representação nos órgãos nacionais do partido. “A diáspora não é uma extensão do partido. A diáspora é uma parte do partido”, sublinhou.
Ao longo de pouco mais de 30 minutos de intervenção, Paulo Veiga insistiu na necessidade de um MpD “mais aberto, mais próximo, mais preparado”, defendendo uma candidatura baseada “em valores, ideias, propostas e visão”, rejeitando ataques pessoais aos adversários internos e apelando à união dos militantes em torno do futuro do partido.
As eleições para presidente do MpD e dos delegados à convenção nacional estão marcadas para 6 de setembro deste ano.

