Novo presidente eleito do MpD garante que será líder de todos os militantes, incluindo os que não votaram na sua candidatura, e defende uma oposição “construtiva” ao Governo do PAICV
Paulo Veiga é o novo presidente eleito do MpD, após a realização das eleições internas para a liderança do partido na ilha do Fogo que haviam sido adiadas devido ao trágico acidente da semana passada. Em declarações à RCV, após os resultados que indicaram a sua vitória, o novo líder destacou a vitória da sua candidatura em 25 dos círculos eleitorais realizados e assumiu como prioridade imediata a união interna do partido.
Segundo o presidente eleito, a sua candidatura confirmou a vantagem que vinha registando das eleições do dia 6, tendo vencido também na ilha do Fogo, onde obteve uma diferença superior a 200 votos face aos adversários. No total, foram realizados escrutínio em 33 círculos, ficando quatro na liderança de Herménio Fernandes e três de Luís Filipe Tavares, enquanto Paulo Veiga venceu 25 círculos. Na Bélgica não foram realizadas eleições.
“Eu sou o novo presidente eleito do MpD”, afirmou Paulo Veiga, acrescentando que já foi felicitado pelo candidato Herménio Fernandes, que ficou na segunda posição.
“Unir a família” é a prioridade
Na sua primeira intervenção pública após a confirmação da vitória, Paulo Veiga colocou a união interna no centro da sua mensagem política, alias como defendeu ao longo da campanha. Garantiu que será “um presidente para todos os militantes”, independentemente da candidatura em que tenham votado.
“Não haverá diferenciação entre os que votaram em mim, os que não votaram em nenhum de nós e os que votaram nos meus adversários”, assegurou, sublinhando que o MpD é “uma família” e que, a partir de agora, a prioridade é “unir a família”.
Paulo Veiga anunciou, nesse sentido, a intenção de reunir-se já na próxima semana com Herménio Fernandes, que considera representar uma “base significativa” dos militantes do partido. O objetivo será discutir a preparação da Convenção dos dias 25, 26 e 27 próximos e o futuro do MpD, procurando integrar também as ideias e a visão dos militantes que apoiaram as outras candidaturas.
Militância e atualização dos cadernos
Paulo Veiga agradeceu a participação dos militantes nas eleições, mas reconheceu a necessidade de atualizar os cadernos do partido.
Embora tenha referido uma abstenção estimada em cerca de 70%, considerou que os atuais cadernos eleitorais não refletem o universo real de militantes do MpD, por não serem atualizados há largos anos.
A atualização dos registos, disse, será uma das questões a trabalhar pela nova liderança, tendo como princípio a transparência e o conhecimento efetivo da dimensão da militância do partido.
Um MpD mais próximo das bases
Paulo Veiga reiterou que pretende construir um MpD “mais próximo das suas bases”, no qual “cada militante terá voz e vez”.
A mensagem, segundo o líder eleito, estende-se também aos militantes que não apoiaram a sua candidatura, a quem garantiu que pretende envolver na construção do futuro do partido.
Oposição “construtiva” ao Governo
Para além da dimensão interna, Paulo Veiga apresentou a orientação que pretende imprimir ao MpD enquanto principal partido da oposição.
Defendeu uma oposição “firme” e “decidida”, mas que não seja “destrutiva”, garantindo que o MpD estará disponível para apoiar o Governo da república quando entender que as medidas são benéficas para Cabo Verde.
Nos casos de discordância, prometeu apresentar alternativas e mostrou abertura para o diálogo e a procura de consensos.
“Governar Cabo Verde é, para nós, uma corrida de estafeta”, afirmou, defendendo que a política deve estar centrada na melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos e não numa disputa permanente sobre “quem pode mais” ou “quem está certo ou errado”.





